Relato de Evento – Seminário Antonio Candido 100 anos

Entre os dias 10 e 13 de setembro de 2018, ocorreu o seminário Antonio Candido 100 anos. Sediado no auditório Nicolau Sevcenko, localizado no prédio de História e Geografia da Universidade de São Paulo (USP), o evento foi organizado pela Articulação Discente pelo Pensamento Brasileiro e pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. (FFLCH-USP). Além disso, teve o apoio do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (Cenedic) e da editora 34.

A mesa de abertura contou com a diretora da Faculdade de Filosofia, professora Maria Arminda do Nascimento Arruda (Sociologia – USP), e com as professoras Laura de Mello e Souza (História – USP) e Marina de Mello e Souza (História – USP), ambas filhas do homenageado. Além da saudação, a prof. Maria Arminda do Nascimento Arruda destacou a importância das novas gerações de estudiosos do pensamento brasileiro. Por sua vez, a prof. Marina de Mello e Souza sublinhou o afeto que os estudantes tinham por seu pai. Já a prof. Laura de Mello e Souza comentou a importância da Faculdade de Filosofia na vida de Antonio Candido.

Logo em seguida, ocorreu a primeira mesa do evento, intitulada “Memória”. A professora Walnice Nogueira Galvão (Teoria Literária – USP) analisou as preferências literárias de Antonio Candido, entre as quais se destacavam Victor Hugo, Johann Wolfgang von Goethe, William Shakespeare e Marcel Proust. A professora Salete Cara (Letras Clássicas e Vernáculas – USP) analisou o pensamento dialético de Candido e as suas ressonâncias na atualidade. Finalizando a mesa, Laura Escorel (História da Arte – Unifesp) apresentou a sua pesquisa, ainda em andamento, acerca do acervo fotográfico da família de Candido.

No segundo dia do evento, no qual a mesa principal foi chamada “Antonio Candido e as Ciências Sociais”, o professor Luiz Carlos Jackson (Sociologia – USP) contextualizou as disputas acadêmicas e políticas na formação da sociologia profissional paulista e seu impacto em Os parceiros do Rio Bonito, livro originado da tese de doutorado de Antonio Candido. Ademais, analisou os paralelismos do livro com alguns dos principais ensaios de formação nacional. Rodrigo Ramassotte (Antropologia – USP) buscou relacionar temas e enfoques que perpassaram a trajetória de Candido em três âmbitos: o da Sociologia, o da Crítica Literária e o da militância política.

No dia seguinte, na mesa “Antonio Candido, crítica e literatura”, o professor Marcos Antônio de Moraes (Instituto de Estudos Brasileiros – USP), estudioso do acervo de cartas de Candido recentemente chegado ao IEB, analisou a correspondência entre Antonio Candido e Mário de Andrade. A professora Adélia Bezerra de Menezes (Letras – USP) relacionou o modo de ser e de pensar de Antonio Candido à categoria, por ele mesmo forjada, de “pensamento radical” e formulou a ideia de que a proposta de Candido de direito à literatura como um direito humano pode ser vista como um dos ápices da atuação intelectual e política de Candido. O professor Flávio de Aguiar (Letras – USP) analisou o pertencimento de Candido à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Na mesa que encerrou o evento, intitulada “Antonio Candido e a política”, a professora Margarida Vieira (Ciência Política – UFMG) destacou a evolução da militância política de Antonio Candido, com especial acento em sua atuação no período de formação do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Procurando especificar o conteúdo do pensamento de esquerda de Candido, o professor Ricardo Musse (Sociologia – USP) sublinhou as afinidades de Candido com o chamado marxismo ocidental. O professor André Singer (Ciência Política – USP) analisou o livro Um funcionário da monarquia: ensaio sobre o segundo escalão, escrito por Candido entre 1975 e 1985, mas publicado apenas em 2002. Singer interpretou que é possível que Candido tenha percebido um conflito entre uma classe média desejosa do estabelecimento de parâmetros impessoais no acesso aos recursos públicos e a elite política do país, praticante do patronato político. Por fim, o professor Paulo Arantes (Filosofia – USP) formulou a ideia de que a noção de socialismo de Antonio Candido seria mais profunda do que se costuma imaginar, visto que seria calcada numa ideia não-progressista de história.


No site de compartilhamento Youtube estão disponíveis as filmagens das mesas.