Relato de Evento – Seminário “Os desafios do sindicalismo na atualidade”

No dia 21 de setembro de 2018, o CEDEC recebeu o professor Iram Jácome Rodrigues (USP), que realizou o seminário “Os desafios do sindicalismo na atualidade”. Tendo em mente o dossiê organizado em parceria com Marco Aurélio Santana (UFRJ) para o número 104 da Lua Nova sobre os desafios do sindicalismo nacional e internacional, o professor Iram Jácome Rodrigues dividiu sua exposição em duas partes.

Depois de apresentar brevemente um panorama dos assuntos tratados nos artigos que compõem o dossiê, o professor retomou o assunto desenvolvido por ele e por Santana na “Apresentação” do dossiê: a importância histórica do “novo sindicalismo”, cuja marca de origem esteve na greve dos metalúrgicos do ABC paulista em 1978. A partir dessa problemática, a primeira parte do seminário foi exposta a partir de dois pilares: as consequências do Novo Sindicalismo para a história política brasileira dos últimos quarenta anos e as determinações que levaram ao seu surgimento. No que se refere ao primeiro pilar, o autor argumentou que o Novo Sindicalismo, em articulação com outras instituições da sociedade civil organizada, teve sucesso, em boa medida, porque logrou ultrapassar as lutas reivindicativas mais imediatas, sem negá-las, para formular uma luta por direitos da cidadania, o que lhe teria permitido criar um arco de alianças que fortaleceu e organizou as lutas populares. E aqui já se revela o entrelaçamento com o segundo pilar mencionado, uma vez que os sindicalistas tinham fortes relações com a parte progressista da Igreja Católica, com os movimentos de bairro e com setores da intelectualidade.

Na segunda parte do seminário, com o objetivo de pensar tendências, Rodrigues expôs e analisou dados referentes às taxas de sindicalização no Brasil e no mundo. No caso brasileiro, a densidade sindical apresentou mudanças salientes no período compreendido entre 1992 e 2015. Entre as principais delas, estão o forte aumento da sindicalização nas regiões Norte e Nordeste, o robusto avanço da sindicalização das mulheres e o fortalecimento expressivo dos sindicatos rurais, cuja densidade sindical é superior aos urbanos. Em contraste, percebe-se o enfraquecimento da sindicalização industrial.

O professor Rodrigues também avançou algumas reflexões sobre os impasses do sindicalismo na atualidade, em boa medida derivados da crise da sociedade do trabalho. Segundo ele, as tensões sociais e trabalhistas geradas por essa crise devem repor um dos temas clássicos das ciências sociais: a relação entre capitalismo e democracia.