Parditude: você sabe o que é isso?

Por Hellem Santos e Munyque Santos. Parditude: tema complexo e polêmico que acalora o debate acerca das relações étnico-raciais no Brasil, cooptando negros indecisos e até mesmo brancos simpatizantes e aliados da “causa negra”. Inclusive, têm-se cobrado o posicionamento do Movimento Negro Unificado (MNU) a respeito do assunto e, enquanto não temos resposta, decidimos escrever este pequeno artigo de opinião e tornar pública a nossa indignação! Portanto, se você continua confuso ou quer saber mais sobre o movimento parditude, te convidamos a ler este texto com o coração, olhos e ouvidos bem abertos e dispostos ao diálogo franco e sem demagogia.
Embargos, Punições Coletivas e Terror: A população civil como refém

Por Osnan Silva de Souza. Em mais um episódio da campanha para articular ataques às instituições brasileiras e à própria soberania nacional, Eduardo Bolsonaro expressou-se da seguinte maneira: “Não. Presidente Donald Trump não jogou uma bomba nuclear no Brasil — ainda”. Em termos semelhantes, posicionou-se o seu irmão, Flávio Bolsonaro, alertando para que o país se curvasse perante as chantagens norte-americanas e da família Bolsonaro:
EVENTO: ONU, HIROSHIMA/NAGASAKI E A ORDEM LIBERAL INTERNACIONAL: realidade ou mito?

05 de agosto de 2025 Diante da Guerra na Ucrânia, do genocídio em Gaza e da Guerra entre Israel e o Irã, tem se afirmado que os princípios da ordem internacional do pós-Guerra, baseados no direito e nas instituições internacionais, estão em ruínas e já não conseguem dar uma resposta satisfatória a esses acontecimentos. Nesse […]
Da Caridade à Política: A Igreja e a Formação das ONGs no Brasil

Por Fernando Lima Neto. A história da assistência social no Brasil não pode ser contada sem considerar a presença histórica da Igreja Católica. Desde a colonização, instituições ligadas à fé cristã — como asilos, hospitais, irmandades e confrarias — ocuparam o papel de protagonistas na ajuda aos pobres e doentes. Esse protagonismo, no entanto, foi sendo tensionado ao longo dos séculos com a progressiva entrada do Estado e, mais recentemente, da sociedade civil organizada. Esse processo, que chamo de “laicização religiosa da assistência social”, revela como valores cristãos continuaram orientando ações seculares — muitas vezes desvinculadas institucionalmente da Igreja — em nome da justiça social.
Violência Racial e Reparação

Por Camila Bernardo de Moura e Murilo Cesar Ançolim Nazareth. O evento ocorreu em 27 de novembro de 2024, no auditório Nicolau Sevcenko (Prédio de História e Geografia, FFLCH/USP), e contou com a presença da professora Carla Osmo (UNIFESP), do doutorando Matheus Almeida, do Departamento de Antropologia da USP, e de Dona Zilda Maria, ativista. O trio, que integra o Movimento Mães de Osasco e Barueri, discutiu a violência racial cometida por agentes do Estado e o que pode — ou deveria — ser reconhecido como reparação.
Entre Pragmatismo e Esperança: Ecos do I Diálogos Ecopolíticos

Por Felipe Sá e Amauri Fernandes Jr. Organizar um evento socioambiental, de abordagem crítica e com a nossa “cara”, era um sonho que começou a ser melhor desenhado há cerca de um ano. Foram meses de muito trabalho para que os Diálogos Ecopolíticos ganhassem forma nos andares do prédio da antiga reitoria da UNESP na Praça da Sé, número 108, São Paulo. Como parte das comemorações dos 10 anos do Grupo de Estudos em Política e Direito Ambiental Internacional (GEPDAI), Felipe Sá, um dos integrantes do coletivo, propôs, ainda no segundo semestre de 2024, que organizássemos um evento no mês em que se comemora o dia mundial do meio ambiente (junho).
Memória, justiça e reparação: povos africanos e afro-brasileiros

Por Júlia Batista Bernardes Farias. A mesa-redonda intitulada “Memória, justiça e reparação: povos africanos e afro-brasileiros” integrou a programação do Colóquio Colonialidade, Racialidade, Punição e Reparação nas Américas (séculos XIX-XX), realizado em 29 de novembro de 2024, das 17h30 às 19h, na Sala Alfredo Bosi, em formato on-line. Com mediação de Júlia Batista Bernardes Farias (mestranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira do DLCV-USP) e apoio da monitora Stefani Souza Silva, a mesa contou com a participação de três pesquisadores de destaque: Fernanda Thomaz, integrante da Comissão da Memória e da Verdade sobre a Escravidão e o Tráfico Transatlântico de Pessoas; Handel Wright, professor da University of British Columbia (UBC); e Fábia Ribeiro, pesquisadora do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da UNIFESP. O encontro promoveu diálogos relevantes sobre memória, justiça e políticas de reparação em contextos transnacionais, a partir de diferentes perspectivas acadêmicas e militantes.
BRICS no Rio: Ampliação, Divergências e a Busca por uma Governança Global Inclusiva

Por Jefferson Estevo e Vinicius Albino de Freitas. No dia 6 de Julho terminou a 17ª Cúpula dos BRICS, realizada no Rio de Janeiro, com a presidência do Brasil. O grupo que inicialmente contava com apenas os cinco países da sigla (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), atualmente soma 11 membros permanentes: Arábia Saudita, Irã, Indonésia, Egito, Etiópia e Emirados Árabes Unidos. Além desses, há ainda dez nações parceiras: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã (Brics Brasil, 2025).
Acordo sobre pandemias: problematizando as negociações no âmbito da OMS

Por Isabela Serra. Cinco anos após a declaração da pandemia de COVID-19, os Estados-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovaram na 78ª Assembleia Mundial da Saúde (AMS), realizada no último 19 de maio, um acordo internacional que tem por objetivo prevenir, preparar-se e responder às futuras pandemias. A construção do texto deste instrumento demandou três anos de negociação, em processo inaugurado justamente em decorrência dos impactos da covid-19 e, mais precisamente, da falta de cooperação internacional para enfrentá-la. À época, assistimos a consolidação de um monopólio de produção de vacinas, bem como a concentração das doses pelos países desenvolvidos (Sousa e Buss, 2021).
Colonialidade, racialidade e punição na formação de fronteiras

Por Murilo Cesar Ançolim Nazareth. No dia 29 de novembro de 2024, realizou-se, na sala Alfredo Bosi do Instituto de Estudos Avançados, a mesa “Colonialidade, racialidade e punição na formação de fronteiras”. O debate contou com a participação do professor Sydney Lobato, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP); da doutora Marquisar Jean-Jacques, da Université de Guyane; e da doutoranda Charlotte Floersheim, da Aix-Marseille Université.