A atual crise argentina é, também, uma crise de política externa

Por Matheus de Oliveira Pereira
Uma vez mais, as notícias que chegam da Argentina informam a ocorrência de uma grave crise econômica que se mostra insensível às iniciativas de enfrentamento do governo de Maurício Macri. Empossado em dezembro de 2015, Macri, que assumiu o governo prometendo “pobreza zero” no país, chega ao último ano de seu mandato ostentando alguns dos piores indicadores das últimas décadas.

“O equilíbrio entre a acusação e defesa é rompido e compromete a imparcialidade da Justiça”, afirma Fábio Kerche

Em 2018, a revista Lua Nova publicou “Ministério Público, Lava Jato e Mãos Limpas”, de autoria de Fábio Kerche (FCRB/UNIRIO/IESP-UERJ), que já discutia a proximidade e sintonia entre o então juiz federal Sérgio Moro, atual ministro da Justiça e da Segurança Pública, e os procuradores responsáveis pelas investigações da Operação Lava-Jato.

Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e Universidades em Tempos de Crise: notas sobre a experiência brasileira e estadunidense

Por Karen Fernandez

É com frequência que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) exalta sua admiração e seu amor pelos Estados Unidos, bem como o lugar privilegiado que o país terá, ao longo de seu governo, nas relações com o Brasil[2]. As repetidas frases de exaltação da grande potência, o pressuposto de que ela constitui um modelo a ser seguido e a perspectiva de aprofundamento, sem qualquer ponderação, das relações entre Brasil e Estados Unidos no contexto dos recentes cortes anunciados pelo governo brasileiro, nas áreas de Educação e de Ciência, Tecnologia e Inovação[3], impõem a necessidade de se refletir sobre como os Estados Unidos financiam suas atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), bem como sobre o lugar da ciência e da inovação no seu desenvolvimento.

RESENHA DE: DUBET, FRANÇOIS. LE TEMPS DES PASSIONS TRISTES: INÉGALITÉS ET POPULISME. PARIS: ÉDITIONS DU SEUIL ET LA RÉPUBLIQUE DES IDÉES, 2019.

Por Deisy Ventura
Dar-se ao trabalho de sair de casa para lutar contra os direitos alheios parece ser uma ideia de outros tempos, em geral prenúncio de guerras e crimes contra a humanidade. A ideia retornou, porém, e com toda a força, ao nosso presente. Impressiona a mobilização de grandes contingentes de pessoas que parecem inebriadas por personagens grotescos, em torno de palavras de ordem que são infames tanto por seu teor ofensivo como por seu fundamento: achismo, desprezo por toda forma de conhecimento ou evidência científica, doutrinação religiosa ou simples mentira.

Contra o público

Por Diogo Tourino de Sousa
A tragédia brasileira foi retratada com primor pelo ensaio de Kléber Mendonça Filho, O som ao redor (2012). No drama, um bairro de classe média da zona sul da cidade do Recife tem sua rotina alterada com a chegada de uma milícia de rua, que oferece segurança aos moradores em troca de remuneração.

Para entender a América de Trump: a História da “Outra América”

Por Roberto Moll
Nos longínquos anos 1960, Michael Harrington (1928 – 1989) publicou um livro crucial para entender a América de Donald Trump e, talvez, o Brasil de Jair Bolsonaro. Pouco conhecido por aqui, Harrington foi um ativista político socialista e professor de Ciência Política no Queens College da City University (CUNY), onde em sua homenagem está o The Michael Harrington Center for Democratic Values and Social Change.

Meritocracia à brasileira

Por Eduardo de Borba
Nesse texto tentarei evidenciar algumas relações entre categorias que, por si só, mereceriam teses. Para essa tarefa me apoiarei no livro A construção da sociedade do trabalho no Brasil, do sociólogo Adalberto Moreira Cardoso, e em sua investigação que analisa a ligação entre a legitimidade das ordens sociais e o sentimento de justiça de seus concernidos.

Teratologia jurídica, complô e golpe contra a democracia brasileira

Por Andrei Koerner e
Sebastião Velasco e Cruz
O artigo reproduzido parcialmente abaixo foi escrito há dois meses para ser publicado na imprensa francesa, mas permaneceu inédito. Não procuramos explicar as razões pelas quais a imprensa internacional deu tão pouco espaço para as denúncias de que o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff (PT) é um golpe contra a democracia no Brasil.

Ensaio bibliográfico – O grupo Demodê e algumas de suas contribuições para o debate sobre democracia e desigualdades

Por Rayani Mariano
No momento em que o Brasil e outros países enfrentam a ascensão de presidentes e grupos que buscam retirar direitos de mulheres, negros, LGBTI+, imigrantes e trabalhadores/as, adquire uma relevância ainda maior discutir de que forma o conhecimento e a produção relacionada à democracia e suas desigualdades tem se desenvolvido. Nesse sentido, os trabalhos do Grupo de Pesquisas sobre Democracia e Desigualdades (Demodê) da Universidade de Brasília (UnB), desde 2001, têm contribuído para compreendermos a democracia para além de seus procedimentos formais, e pensarmos como as desigualdades de gênero, raça, classe etc. interferem e dificultam o cumprimento de muitas das promessas liberais.

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