Transformações político-econômicas e políticas públicas para mulheres na perspectiva da Feminização da Pobreza no Brasil (1995-2015)

Por Taís Dias de Moraes. As mulheres vêm, ao longo do tempo, se tornando mais pobres do que os homens. Por essa razão, os domicílios chefiados por mulheres representam o principal objeto de estudo a respeito desse fenômeno, por serem os mais pobres e por estarem aumentando em número ao longo dos anos. Nesse sentido, o artigo “Transformações político-econômicas e políticas públicas para mulheres na perspectiva da Feminização da Pobreza no Brasil (1995-2015)” busca trazer uma análise condições socioeconômicas desses domicílios de forma como forma de compreender tal fenômeno conhecido como Feminização da Pobreza – termo primeiramente usado por Diana Pearce, em 1978 –, a partir do entendimento de que este se dá como consequência de uma série de características próprias às mulheres e sua inserção no mercado de trabalho.

 As (inter)faces de Janus: entre as novas tecnologias e o velho poder

Por Moisés dos Santos Viana. Ao tentarmos compreender as interfaces das tecnologias da informação e da comunicação, devemos levar em conta alguns aspectos fundamentais da tecnologia como elemento estruturante do humano e que perpassa uma dimensão antropológica, desdobrando-se em outras diversas interfaces, dentre elas a economia política e a ideologia de poder.

O G20 no Brasil e a Geopolítica

Por Robson Coelho Cardoch Valdez. O triunfo dos Estados Unidos sobre o Bloco Soviético, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, alimentou no Ocidente a expectativa de que os países do então mundo subdesenvolvido (ou Terceiro Mundo) pudessem aderir de forma mais consistente ao livre mercado e demais valores caros para a nação hegemônica do sistema internacional, que guiava as diversas dimensões do processo de globalização. Contudo, esse bloco de países, com uma complexa pauta de interesses nacionais, seguiu administrando essa agenda de valores (livre mercado, democracia, direitos humanos etc.) de forma autônoma e que, em muitos casos, conflita com a visão de mundo daqueles países ocidentais que estão geográfica e ideologicamente localizados no hemisfério Norte. Mas, ao defenderem pragmaticamente seus interesses em conjunto com a agenda de interesses econômicos e geopolíticos dos países do núcleo do capitalismo internacional, o Sul Global acaba se beneficiando do apoio ou complacência desses mesmos países.

O agronegócio e as ciências sociais

Por Marconi Severo. O agronegócio talvez seja hoje um dos objetos mais desafiadores para as ciências sociais brasileiras. Fato social de múltiplas faces, e que não se restringe apenas ao meio rural, o agronegócio exerce uma influência peculiar, embora não exclusiva, sobre o campo científico: impõe direta e indiretamente agendas de pesquisa (desmatamento ilegal e avanço de fronteiras agrícolas, desindustrialização e exportação de commodities, demarcação de terras e conflitos agrários, etc.) ao mesmo tempo em que influencia na adoção de determinadas abordagens teórico-conceituais (agronômicas, econômicas, sociológicas) e, por conseguinte, nas tomadas de posição que elas acarretam ou refletem.2 No que se refere às ciências sociais, o agronegócio ultrapassa a condição de mero objeto, e chega mesmo a instigar algumas considerações de natureza epistemológica.

Violência política de gênero como estratégia de marketing eleitoral 

Por Wéllia Pimentel Santos. Historicamente as mulheres sempre travaram uma longa luta para terem direitos civis e políticos. No final do século XIX e ao longo do século XX, as mulheres foram obtendo a cidadania em diferentes partes do mundo, mas pensava-se que, só porque podiam votar e ter direitos políticos, isso não implicaria que as mulheres ocupassem espaços de tomada de decisões. Foi por meio da luta dos movimentos feministas, da reivindicação do direito ao voto e do ingresso da mulher no mercado de trabalho que modificou aos poucos sua posição na sociedade.

A entrada da União Africana no G20 e seu significado para o continente africano

Por Anselmo Otavio e Natalia Fingermann. Em 2015, a União Africana (UA) lançou a Agenda 2063, intitulada “A África que queremos”, uma das principais iniciativas do Renascimento Africano que, dentre as diversas características, duas podem ser destacadas: suas aspirações, que podem ser de curto, médio ou longo prazo, e os meios para sua implementação. Referente às aspirações, sete delas são consideradas como fundamentais para a transformação do continente: identidade e renascimento africano; a luta permanente contra o colonialismo e pelo direito à autodeterminação; integração continental; desenvolvimento e transformação social e econômica; paz e segurança; governança democrática; a determinação do futuro do continente; e o fortalecimento do espaço da África no mundo. Acerca dos meios, para além da vontade política dos atores envolvidos em garantir a continuidade da iniciativa, a implementação da Agenda 2063 possui sua viabilização e financiamento atrelado a parceiros externos (AFRICAN UNION, 2015; AUC, 2015).

Governamentalidade e consenso na construção da hegemonia neoliberal: aproximações teóricas

Por Kleiton Wagner Alves da Silva Nogueira e Ronaldo Laurentino de Sales Júnior. De que forma podemos pensar o neoliberalismo para além do senso comum que o vincula ao economicismo ou a uma ideia de diminuição do tamanho do Estado na promoção de políticas sociais? Numa aproximação inicial podemos de fato encontrar elementos da economia como centrais. Contudo, reduzir o neoliberalismo apenas a esta instância seria perder de vista a totalidade e a complexidade especificamente sociais do neoliberalismo: mesmo que num nível aparente promova austericídio e penalize a vida das classes trabalhadoras e grupos subalternos, como essa doutrina consegue manter a hegemonia diante dos seus efeitos sobre os grupos subalternos?

Da Incomunicação à Comunicação Decolonial: Mulheres Indígenas contra Invisibilidades e Estereótipos

Por Lorena Esteves e Danila Cal. As narrativas que circulam sobre indígenas, em geral, reforçam estereótipos, generalizam e silenciam as singularidades dessas sociedades (Neves; Corrêa; Tocantins, 2013). Também recaem sobre os/as indígenas o imaginário de “bons selvagens, ingênuos, incapazes de se cuidar”. Mais especificamente, em relação à mulher indígena, Ivânia Neves e Arcângela Sena (2020) evidenciam que os discursos que circulam reforçam o imaginário colonial da sensualidade, o estereótipo de que elas são desavergonhadas, despudoradas e que precisam de alguma forma ser contidas. Apesar da resistência dessas mulheres a uma identidade generalizante, os discursos, construídos historicamente, dão conta de um imaginário colonial que revela “uma mulher nua, selvagem, sensual, com atribuições que muitas vezes ultrapassam a condição humana” (Tocantins; Neves, 2016, p. 66).

Análise de conjuntura: superações desencadeadas a partir do encontro entre a práxis científica e a práxis política

Por João Henrique Araujo Virgens e Carmen Fontes Teixeira. Uma abordagem que costuma ser mais conhecida por pessoas com atuação política e/ou que frequentam encontros promovidos por movimentos sociais, sindicatos e partidos é a análise conjuntural. Se esse é o seu caso, é provável que você tenha participado de algumas ‘mesas de abertura’ abordando esse tema. É possível também que você já tenha se perguntado ou escutado a seguinte pergunta: “mas pra quê precisamos ter esse debate?”