A polícia contra Iansã na escola? Ofensiva anti-igualitária para além do gênero e da sexualidade

Por Tiago Duque. No campo da Educação, as temáticas das diferenças têm sido analisadas academicamente em distintas perspectivas teórico-metodológicas. Uma delas tem relação direta com os Estudos Culturais, articulados com outras perspectivas pós-críticas. Em um contexto marcado pelo que tem sido chamado de “era digital”, diferentes artefatos, em interação com a mais variada audiência, nos apresentam possibilidades de reflexões sobre o que e como se ensina em relação às diferenças. Nesse sentido, o currículo (Silva, 2013) e a pedagogia (Sabat, 2021) em questão são o que aprendemos com, na e pela cultura, mas não necessariamente aqueles conhecimentos modos de ensino-aprendizagem restritos aos documentos, práticas e legislações escolares.

A disputa pelo tempo: Disciplina temporal e luta de classes, do relógio ao algoritmo

Por Erik Chiconelli Gomes. Poucos temas organizam tão bem o mal-estar do presente quanto a queixa a respeito do tempo. Há o entregador de aplicativo que soma doze, catorze horas em movimento para fechar uma diária que mal cobre o combustível e a manutenção da moto. Há o assalariado que responde mensagens da chefia às onze da noite porque o aparelho no bolso não distingue expediente de descanso. Há a escala seis por um, de volta ao centro do debate público brasileiro porque milhões de pessoas trabalham seis dias para folgar um e percebem que a vida inteira se molda ao calendário da empresa. Há o esgotamento que deixou de ser diagnóstico raro e virou linguagem corrente, com nome importado, burnout, e sintomas bem nacionais. Por baixo de todas essas cenas pulsa uma única pergunta, e ela é mais velha do que parece. Quem controla o tempo da vida?

A Luta Pela Sobrevivência das Mulheres no Brasil – Entrevista com Mayra Cotta

Para a coluna de hoje do Boletim Lua Nova, Ronaldo Tadeu de Souza entrevista Mayra Cotta, advogada, consultora em compliance de gênero e doutoranda em política na New School for Social Research, em Nova York, sobre a violência direcionada a mulheres e meninas no Brasil, da implementação da Lei Maria da Penha às assimetrias de poder no mundo do trabalho, passando pela violência política de gênero e pelos impasses da teoria crítica contemporânea.

Retomada da Teoria Política: Thomas Hobbes no Texto (Leo Strauss) e no Contexto (Quentin Skinner)

Na segunda parte de seu ensaio para o Boletim Lua Nova, Ronaldo Tadeu de Souza coloca os métodos de Leo Strauss e Quentin Skinner em ação. De um lado, a leitura esotérica e textual de Strauss revela um Hobbes focado na moral do temor da morte violenta; de outro, o contextualismo de Skinner resgata um Hobbes imerso nas disputas de linguagem sobre a liberdade na Revolução Inglesa. Souza nos apresenta, em linguagem acessível, como duas hermenêuticas distintas disputam a mesma questão: as bases do Estado moderno e a busca pela estabilidade existencial.

CADERNOS CEDEC 143 – O Sistema Internacional sob Pressão: Disputas por Normas, Poder e Autoridade

Para a coluna de hoje, o Boletim Lua Nova divulga a apresentação Dossiê “O Sistema Internacional sob Pressão: Disputas por Normas, Poder e Autoridade”, publicado nos Cadernos CEDEC nº 143. Os dois volumes deste número reúnem artigos selecionados a partir do XIII Simpósio de Pesquisa em Relações Internacionais (SimpoRI 2025) realizado no entre os dias 10 e 13 de novembro em uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais “San Tiago Dantas” (Unesp, Unicamp, PUC-SP) e o Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGRI-UERJ).

A ordem monetária e financeira internacional no pós-crise de 2008

Por Debora Garcia Gaspar. O imediato pós-Crise Financeira Global (CFG), a partir de 2008, abriu a discussão sobre o Sistema Monetário e Financeiro Internacional (SMFI), e os elementos políticos que o ordenam, de forma bastante ampla, evocando possibilidades de transformação que pareciam interditadas até então. Iniciando com discursos políticos, tanto denunciatórios — como os de Lula e de Cristina Kirchner, na Assembleia Geral da ONU, sobre o mercado financeiro desregulado do Norte Global —, como propositivos — como o do Presidente do Banco Central Chinês sobre a necessidade de uma moeda verdadeiramente internacional para compensações financeiras entre países —, o debate aos poucos reverberou na academia, desdobrando-se em propostas teóricas. No artigo publicado na Revista Carta Internacional, recupero alguns elementos desse debate, articulando a noção de ordem monetária e financeira internacional com os mecanismos de gestão do SMFI implementados a partir da crise de 2008. 

‘I Want You’ (again): Trump 2.0 e a retomada do debate sobre alistamento militar nos EUA

Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica, em duas partes, a análise de Clarissa Nascimento Forner sobre a retomada do debate de alistamento militar nos Estados Unidos. Este texto é parte de uma série do OPEU sobre as forças armadas estadunidenses. O texto foi originalmente publicado em 29 de julho de 2026, no site do OPEU.

A desigualdade polariza a política? Depende de qual desigualdade e de qual polarização

Por Pedro M. R. Barbos e Arthur Z. Guerriero
Na última década, houve uma crescente preocupação com o recrudescimento da polarização política em diversas democracias, particularmente porque tal fenômeno passou a ser associado aos processos de erosão democrática observados nesse período. Na ciência política, uma hipótese recorrente sustenta que a polarização política constitui um reflexo do aumento da desigualdade econômica nas democracias. Essa hipótese foi inicialmente formulada a partir do caso dos Estados Unidos, que, desde a década de 1970, apresenta um processo concomitante de acirramento da animosidade entre republicanos e democratas — tanto no nível das elites políticas quanto no da sociedade — e de aprofundamento da desigualdade econômica no país. Mais recentemente, contudo, essa hipótese tem sido também explorada para entender a polarização em outras democracias, especialmente as europeias.

“Certo nível de concentração de riqueza é prejudicial para a economia”: Entrevista com a economista belga Ingrid Robeyns

O  Boletim Lua Nova republica, na coluna de hoje, a entrevista com a economista e filósofa Ingrid Robeyns, originalmente publicada no portal uruguaio Brecha (edição 2111, de 8 de maio de 2026). Para a autora, catedrática do Instituto de Ética da Universidade de Utrecht (Países Baixos) e professora visitante no Centre for Analysis of Social Exclusion da London School of Economics, deveria existir um teto para o quanto de riqueza uma única pessoa pode acumular. É o que ela chama de limitarismo, tese que desenvolveu no livro Limitarisme (2023), em que argumenta que, no mundo contemporâneo, a concentração de riqueza ameaça a coesão social, a democracia, o meio ambiente e a própria economia capitalista. Agradecemos aos autores e ao Brecha pela gentil autorização para esta republicação.