O Canto de Sereia do Neo-Fascismo: A Crise da Democracia e a Rearticulação da Lógica Neo-Liberal

Por Rafael R. Ioris. A surpreendente ascensão ao poder de Donald Trump, nos EUA, em 2016, e de Jair Bolsonaro, no Brasil, em 2018, representou não só problemas graves nas estruturas políticas de tais países, como também uma crise mais ampla na lógica de funcionamento da Democracia Liberal, que parece mesmo estar enfrentando hoje um dos seus maiores desafios. Tragicamente, ao invés de oferecer formas reais de atender às demandas por novas e mais eficientes práticas de representação política, tais líderes, e seus similares ao redor do mundo, aceleram a própria crise estrutural em curso.

O Modernismo Inacabado de Oswald de Andrade

Por Ronaldo Tadeu de Souza. No ano em que se comemora o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, veio à tona o debate sobre o predomínio forjado dos paulistas de acontecimento decisivo na formação da cultura brasileira. Não se duvida que alguns dos principais organizadores, divulgadores e personalidades da semana em São Paulo, eventualmente, tinham interesses particulares na construção da ideia de que a cidade era o locus irradiador de inovações das artes no país. E que mesmo a crítica paulista (Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Candido e Alfredo Bosi, por exemplo) desejou de modo arguto o auto-privilégio em erigir aquela semana como os mais precípuos dias da vida espiritual da nação.

Ruanda, Apesar de Tudo: Uma análise da série ‘Black Earth Rising’ (Parte III)

Marina Costin Fuser. É preferível esquecer as chagas da barbárie, varrer os vestígios de crimes perpetrados pelo Estado para debaixo do tapete, queimar os arquivos, fazer de conta que nada aconteceu. Os julgamentos desta série trazem de volta esses fantasmas, contando histórias, que apesar do enredo ficcional, tratam de histórias vivas, bastante fidedignas e verificáveis, vividas por personagens parecidas com Kate. Kate é Scholastique e André Mukasonga, que perderam quase toda a família no genocídio de Ruanda, que viveram para contar essa história, que carregam consigo a memória de todos os mortos em Ruanda. Hutu ou Tutsi, Kate é também a afirmação da vida, uma esperança de que a memória se restaure para que essa história nunca mais se repita.

Argumentar com rigor é sempre uma boa ideia

Por Ulysses Ferraz. O que se pode concluir do texto “51 anos de uma péssima ideia” é menos acerca de Rawls, pois o que se fez foi um espantalho do filósofo estadunidense e não uma crítica minimamente argumentada, e mais sobre o que já se sabia do próprio autor: que ele odeia concepções igualitárias de justiça. E como odiar não é suficiente para criticar, ficamos sem uma discussão à altura de um tema tão fundamental para o debate público: a justiça social.

Ética e Inteligência Artificial: migração

Por Lutiana Barbosa e Gustavo Macedo. Neste segundo artigo da série sobre Ética & Inteligência Artificial do Boletim Lua Nova, discutiremos o potencial do uso de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) aplicadas a situações como essa observada na Ucrânia no início de 2022. Daremos continuidade ao emprego das perspectivas deontológica e utilitarista para pensar os prós e contras do uso de inteligência artificial no contexto migratório.

Modernismos e Mário de Andrade: um estudo sociológico sobre suas presenças

Por Lucas Gabriel Feliciano Costa. Além de bela, cheia de conhecimento e imaginação, engajada ou não, artística ou popular, MA me ensinou que “Arte é uma forma de contato, é uma forma de crítica, é uma forma de correção. É uma forma de aproximação social” (Andrade, 2013, p. 336). A arte e o conhecimento brasileiro de MA é um resultado da relação que só existe na relação, que se cria pela relação. A relação e seus produtos me interessam, como me interessa MA. A relação é o sacrifício da dicotomia entre interesse e desinteresse, entre coletivo e individual. É unidade, complexificação necessária, sem totalizar.

Ruanda, Apesar de Tudo: Uma análise da série ‘Black Earth Rising’ (Parte II)

Por Marina Costin Fuser. Na primeira parte deste artigo, eu introduzo a história de Kate Ashby, a sobrevivente de um genocídio que se deu entre hutus e tutsis em Ruanda na série Britânica e Ruandesa ‘Black Earth Rising’. Abordo o assassinato de Eve Ashby, mãe adotiva de Kate desde seu resgate em 1994, que chegou ao Reino Unido sem nome, sem ancestralidade, e sem história. Eve é escalada para atuar como advogada no julgamento do general Simon Niamoya da RPF, um consagrado herói nacional de Ruanda, por atuar na linha de frente que freou o genocídio dos tutsis. A série se inaugura nos bastidores deste julgamento.

Debates interdisciplinares sobre Direito e Direitos Humanos: impasses, riscos e desafios

Por Andrei Koerner, Paulo Endo e Carla Vreche. Esta coletânea apresenta os resultados do Curso de Direito Internacional de Direitos Humanos realizado em abril de 2021. O curso foi iniciativa da Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp (DeDH), em convênio com o Ministério Público do Trabalho da 15ª Região, e foi organizado em parceria com o Grupo de Pesquisas em Democracia, Direito e Memória do Instituto de Estudos Avançados da USP (GPDH/IEA-USP), o Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais da Unesp (IPPRI-Unesp) e o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC).

A Luta contra o Terrorismo: os Estados Unidos e os amigos talibãs

Por Reginaldo Nasser. O século XXI se iniciou, efetivamente, com dois novos tipos de conflitos armados: os atentados terroristas do dia 11 de setembro e a Guerra Global contra o Terrorismo. Na verdade, não se pode dizer que a “guerra contra o terrorismo” é uma guerra dentro dos padrões históricos e conceituais. Não há nenhum inimigo a conquistar, nenhuma terra a capturar, nenhuma maneira de saber quando a guerra foi ganha ou não, ou muito menos se haverá ou não uma negociação ou um acordo de paz que colocará fim no conflito.

Relaciones y contradicciones entre catolicismo y neoliberalismo: discusiones a partir del caso de Latinoamérica

Por Andrés Botero, Javier Aguirre e Juan Almeyda. En el marco del mundo contemporáneo (globalizado y capitalista), la Iglesia católica se ha sostenido como una figura central dentro de la dinámica social y moral de gran parte de la población latinoamericana. Junto con ella, el capitalismo neoliberal, heredero de las teorías de renovación del liberalismo de la escuela austriaca y la de Chicago, entre otras, se ha instaurado como un sistema económico, político, ideológico y subjetivo que busca constantemente la manera de revolucionarse para poder superar las crisis que surgen de llevar a cabo las doctrinas y las políticas que el modelo pregona.