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Início > Cultura e Política

Cultura Pop, “Rage Bait” e a Estratégia da Casa Branca nos Vídeos da ICE

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Acza Rodrigues1

13 de fevereiro de 2026

Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica a análise de Acza Rodrigues do uso político de músicas pop em vídeos institucionais da Casa Branca. O texto foi originalmente publicado em 10 de fevereiro de 2026, no site do OPEU.

***

Além de Grammys e carreiras promissoras, SZA, Sabrina Carpenter e Olivia Rodrigo têm em comum uma recente turbulência, envolvendo a Casa Branca. As artistas tiveram suas músicas utilizadas em vídeos de divulgação das ações da ICE, a Polícia de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos. O órgão tem estado no centro de uma série de controvérsias desde o início do segundo mandato de Donald Trump, período marcado pela expansão e pela intensificação das políticas migratórias repressivas. A imigração, vale lembrar, foi um dos principais eixos da campanha presidencial de Trump. Nela, prometeu executar a maior deportação da história do país, reforçando um discurso de criminalização e endurecimento contra populações migrantes.  

Nesse contexto, o uso de músicas populares em conteúdos institucionais do governo norte-americano ultrapassa o campo da comunicação informativa e passa a integrar uma estratégia política mais ampla. Ao recorrer a obras de artistas amplamente reconhecidas e com grande alcance digital, a Casa Branca se apropria do capital cultural da indústria musical para legitimar e difundir narrativas associadas à repressão migratória. 

Apresentação dos casos 

No dia 9 de dezembro de 2025, a Casa Branca publicou em suas redes oficiais um vídeo de propaganda das ações da ICE, no qual utilizou a música “Big Boy”, da cantora SZA, em colaboração com Keke Palmer, Ego Nwodim, Punkie Johnson e Cecily Strong. A legenda do post no Instagram foi “WE HEARD IT’S CUFFING SZN. Bad news for criminal illegal aliens. Great news for America” (“Ouvimos dizer que é a temporada das algemas. Más notícias para imigrantes ilegais criminosos. Ótimas notícias para os Estados Unidos”). Desse modo, a música, originalmente sobre como homens grandes podem fornecer calor no inverno, foi recontextualizada como uma expectativa da existência de uma “temporada de prisões”, no sentido de intensificação da aplicação da lei migratória. 

A cantora manifestou sua indignação no X, a partir de um comentário de Punch, seu antigo empresário: “Trying to provoke artists to respond in order to help spread propaganda and political agendas is nasty business. Knock it off” (“Tentar provocar artistas para que respondam, a fim de ajudar a espalhar propaganda e agendas políticas, é uma prática nojenta. Parem com isso”). SZA, por sua vez, declarou: “White House rage baiting artists for free promo is PEAK DARK ..inhumanity +shock and aw tactics ..Evil n Boring” (“A Casa Branca usar rage bait com artistas para obter divulgação gratuita é o auge do lado sombrio.. desumanidade + táticas de choque e intimidação.. maligno e entediante”).  

Em resposta ao posicionamento da cantora, a Casa Branca emitiu uma declaração à revista Variety, afirmando: “Thank you, SZA,  for drawing even more attention to the tremendous work America’s ICE officers are doing by arresting dangerous criminal illegal aliens from American communities” (“Obrigada, SZA, por chamar ainda mais atenção para o excelente trabalho que os agentes da ICE dos Estados Unidos estão realizando ao prender criminosos ilegais perigosos nas comunidades americanas”).  

O episódio envolvendo SZA não é um caso isolado. Insere-se em uma sequência de protestos de artistas contra o uso de suas músicas, por parte da Casa Branca, em vídeos de deportação da ICE. No início do mesmo mês, situação semelhante ocorreu com o uso da música “Juno”, da cantora Sabrina Carpenter. O vídeo, posteriormente removido das plataformas, retratava um manifestante segurando um cartaz com os dizeres “ICE Out of Chi” (“ICE fora de Chicago”). Na sequência, agentes do governo derrubavam e algemavam diversas pessoas que aparentavam ser latino-americanas. Na última cena, um agente armado persegue um indivíduo, capturado em câmera lenta, sendo o policial representado sob uma estética heroica. A legenda do post dizia: “Have you ever tried this one?” (“Você já tentou essa?”), trecho da música de Sabrina.  

Sabrina também respondeu por meio da rede social X, afirmando: “this video is evil and disgusting. Do not ever involve me or my music to benefit your inhumane agenda” (“Este vídeo é maligno e nojento. Nunca envolvam a mim ou a minha música para beneficiar a agenda desumana de vocês”). Em resposta, a Casa Branca declarou: “Aqui vai um recado curto e direto para Sabrina Carpenter: não vamos nos desculpar por deportar criminosos perigosos, assassinos ilegais, estupradores e pedófilos do nosso país. Qualquer pessoa que defenda esses monstros doentes deve ser estúpida, ou será que é lenta?”.  

No início de novembro, ocorreu um caso análogo, envolvendo a cantora Olivia Rodrigo. Um vídeo de propaganda do governo utilizou a música “all-american bitch” (veja o clipe abaixo), depois retirada, para encorajar imigrantes a deixarem, voluntariamente, os Estados Unidos. A artista reagiu: “don’t ever use my songs to promote your racist, hateful propaganda” (“nunca use minhas músicas para promover sua propaganda racista de ódio”).

ICE e propaganda contra imigração 

Para compreender a dinâmica simbólica dos vídeos questionados, é necessário entender o papel da ICE na política migratória dos Estados Unidos. A U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE) é uma agência federal criada em 2003 com a missão de fazer cumprir leis de imigração e aduaneiras e proteger a segurança nacional. Sob a segunda gestão de Donald Trump, as operações de detenção e deportação sofreram uma expansão agressiva, o que tem suscitado questionamentos quanto ao respeito aos direitos humanos, sobretudo, em razão de operações que incluem a detenção de pessoas sem antecedentes criminais, além de críticas de que a agência atua de forma discriminatória e violenta contra imigrantes. As propagandas analisadas neste Informe OPEU configuram um bom exemplo dessa repressão institucional e da tentativa de humanização de políticas migratórias duras.  

O uso de músicas populares em vídeos institucionais não ocorre de forma aleatória. Ao inserir canções de grande visibilidade, a Casa Branca aumenta o alcance e o engajamento das mensagens, o que permite explorar a afeição cultural por essas músicas e os artistas que as interpretam, com fins de reforçar narrativas políticas. Tal estratégia foi explicitamente reconhecida pela própria administração de Trump, ao afirmar: “We made this video because we knew fake news media brands like Variety would breathlessly amplify them. Congrats, you got played” (“Fizemos este vídeo porque sabíamos que marcas de mídia de notícias falsas como a Variety iriam amplificar isso com entusiasmo. Parabéns, você foi enganado”). A reação foi uma resposta à repercussão de um vídeo que utilizava a música “The Fate of Ophelia”, da cantora e compositora Taylor Swift, artista pela qual Donald Trump já declarou seu “ódio” publicamente.  

Esse tipo de conteúdo também pode funcionar como rage bait (“isca de ódio”), expressão eleita como Palavra do Ano de 2025 pelo Dicionário Oxford, e que se refere a conteúdo online deliberadamente provocativo, concebido para suscitar reações emocionais intensas, especialmente a raiva. Como resultado, essas publicações costumam gerar níveis de engajamento muito elevados, já que muitas pessoas sentem a necessidade de responder ou contestar. Os algoritmos não distinguem se a resposta aos conteúdos foi positiva ou negativa, ampliando sua circulação de qualquer forma.  

No caso das ações com Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo e SZA, as respostas públicas das artistas, denunciando os vídeos como “malignos”, “nojentos” e “desumanos”, ou acusando-os de propaganda racista, acabam por gerar ainda mais engajamento nas plataformas digitais. Essa reação negativa pode ser explorada institucionalmente, na medida em que amplia de forma significativa o alcance dos vídeos, convertendo a crítica pública em combustível para a própria difusão da mensagem promovida pela Casa Branca. 

Entre engajamento e democracia 

Os casos analisados evidenciam que o uso de músicas populares pela Casa Branca em vídeos institucionais relacionados às ações da ICE não ocorre de maneira despretensiosa. Trata-se de uma estratégia comunicacional que mobiliza símbolos da cultura pop para suavizar, normalizar e ampliar a difusão de políticas migratórias marcadas pela repressão, pela criminalização de imigrantes e por recorrentes denúncias de desrespeito aos direitos humanos.  

Somado a isso, ao associar imagens de detenções e deportações a trilhas sonoras de artistas amplamente reconhecidas, o governo norte-americano busca conferir maior alcance e apelo emocional a conteúdos que, em outras circunstâncias, poderiam encontrar maior resistência pública. Longe de enfraquecer a estratégia institucional, a reação crítica das artistas acaba por potencializar sua circulação nas plataformas digitais. 

Ao transformar indignação e repúdio em engajamento, a lógica do rage bait revela como a polarização e o conflito são incorporados como instrumentos de visibilidade política. Nesse sentido, a comunicação governamental se beneficia de um ecossistema digital em que algoritmos privilegiam a interação, independentemente de seu caráter positivo ou negativo. As críticas são respondidas, a atenção é deslocada para o assunto, e a próxima mensagem oficial tem o terreno fértil para ser propagada. 

Por fim, os episódios envolvendo SZA, Sabrina Carpenter e Olivia Rodrigo evidenciam uma tensão fundamental entre os objetivos comunicacionais do governo norte-americano e os princípios que orientam uma ordem democrática. Embora o uso das músicas possa se apoiar em brechas legais relacionadas a direitos autorais ou a licenciamento, a legalidade estrita não esgota o debate sobre legitimidade democrática e responsabilidade institucional. As manifestações públicas das artistas não configuraram excessos, inserem-se plenamente no exercício da liberdade de expressão e na defesa do direito de dissociar suas obras de políticas que consideram desumanas ou discriminatórias. Ainda assim, a estratégia governamental parece operar de modo a incorporar essas reações como engajamento e, consequentemente, em reforço da mensagem política original. O resultado é um cenário em que a crítica permanece legítima e necessária, mas enfrenta limites estruturais diante de uma comunicação estatal que explora controvérsias e ódio para promover agendas políticas, tensionando os valores democráticos que deveriam orientar a atuação do poder público.

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!


Referência imagética:  (Arquivo) Olivia Rodrigo em show no Doug Mitchell Thunderbird Sports Centre, Vancouver, Canadá, em 7 abr. 2022 (Crédito: Jason Martin/Flick)


  1. Mestranda em Estudos Estratégicos da Defesa e Segurança (PPGEST/UFF) e graduada em Defesa e Gestão Estratégica Internacional no Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID/UFRJ). É pesquisadora colaboradora no OPEU e faz parte da equipe de mídias sociais. Contato: silva.acza@gmail.com. ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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