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Entrevista com Flávia Rios: Professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Coordenadora do Grupo de Estudos Guerreiro Ramos da UFF e Pesquisadora do Cebrap. Coorganizadora, ao lado da Marcia Lima (USP/Cebrap), da coletânea Por um Feminismo Afro-Latino-Americano (Zahar, 2020), que reúne artigos, ensaios e intervenções de Lélia Gonzalez.
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Ronaldo Tadeu de Souza[1]
29 de agosto de 2025
Em 2025, completam-se noventa anos do nascimento de Lélia Gonzalez, intelectual fundamental para o pensamento social brasileiro e referência incontornável na luta antirracista, feminista e latino-americana. Responsável por articular teoria e prática na denúncia das desigualdades de raça, classe e gênero, Lélia Gonzalez deixou um legado que ultrapassa as fronteiras da academia e inspira movimentos sociais, ativistas, artistas e pesquisadores dentro e fora do Brasil.
Nesta entrevista concedida ao Boletim Lua Nova-Cedec, Flávia Rios, professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisadora do Cebrap e uma das principais estudiosas da obra de Lélia Gonzalez, percorre a trajetória e o pensamento da autora, destacando suas contribuições para a crítica social, a teoria feminista afro-latino-americana e a reinvenção do debate público no Brasil contemporâneo. A partir do diálogo com o entrevistador Ronaldo Tadeu de Souza, são debatidos o significado do legado de Lélia Gonzalez, sua recepção acadêmica, as convergências e tensões com outros intérpretes do país, e os desafios para a consolidação de uma tradição intelectual negra e radical em solo brasileiro. A entrevista lança luz sobre as formas como a obra de Lélia Gonzalez permanece central para a análise das violências e resistências que marcam o presente.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Os 90 anos de nascimento de Lélia Gonzalez são um marco importante. Qual o significado desse legado? E de que forma ele se articula com as lutas contra o racismo no atual contexto político e social brasileiro?
Flávia Rios: Os 90 anos de Lélia Gonzalez são um marco importante não só para refletirmos sobre a trajetória e produção intelectual dessa filósofa brasileira, mas também para pensarmos sobre os desafios do país durante essas nove décadas. Temas como desigualdades raciais, de gênero e de classe mostraram-se incontornáveis no debate público, reflexões sobre os descompassos da nossa democracia, assim como formas de imaginar a América Latina estão na ordem do dia. Assuntos como esses estiveram no centro das atenções de Lélia Gonzalez, uma pensadora profundamente comprometida com os desafios de compreender a nossa sociedade, de apresentar diagnóstico sobre país e além de trazer à nossa reflexão as diferentes formas de resistências desenvolvidas em contextos coloniais, mas também em contextos capitalistas sob regimes autoritários e democráticos.
Se olhamos para a sua trajetória, podemos enxergar Lélia Gonzalez como uma intelectual e ativista que participou de numerosas formas de resistência política ao Regime Militar, por isso foi vigiada pelo Departamento de Ordem Política e Social, o DOPS. Ela foi fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU), esteve na formação do Partido dos Trabalhadores (PT), participou ativamente das eleições de 1982 e 1986. Ela atuou nas mobilizações civis brasileiras contra o Apartheid na África do Sul, fundou a organização Nzinga – Coletivo de Mulheres Negras, em 1983, e participou de inúmeros encontros feministas e de mulheres negras no Brasil e em outras partes do mundo. Lélia Gonzalez esteve nas mobilizações pela constituinte e colaborou ativamente com as comissões parlamentares entre 1986 e 1988, integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM), em 1985, e envolveu-se em vários protestos e mobilizações de rua que denunciavam as desigualdades raciais e de gênero.
Lélia Gonzalez não hierarquizava ações políticas e culturais. Segundo ela, ambas eram relevantes para a transformação social. Em sua trajetória são fartas as experiências e colaborações com grupos culturais, artísticos e intelectuais. Em meados dos anos setenta, ela colaborou com o Grêmio Recreativo de Arte Negra e com a Escola de Samba Quilombo ao lado do mestre Candeia. Gonzalez participou também da formação do terreiro Ilê de Oxum de Apará, em Itaguai/RJ, do Colégio Freudiano, criado em 1975 por Magno Machado Dias e Betty Milan e que foi uma instituição fundamental para a difusão do pensamento de Lacan no Brasil. Mais tarde, ela assessorou o cineasta Cacá Diegues, em seu filme Quilombo (1984), dentre outras atividades culturais e artísticas.
Do ponto de vista profissional, ela foi professora de filosofia e tradutora num contexto em que o Brasil passava a ensinar a disciplina de filosofia a partir dos textos originais dos autores. Nos finais dos anos de 1970 até o final de sua vida escreveu ensaios influentes como Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira (1983), A mulher negra no Brasil (1984), Por um Feminismo Afro-latino-Americano (1988), A categoria político-cultural de amefricanidade (1988) recentemente traduzido para o francês. Ademais, destaquem-se os escritos na imprensa alternativa, especialmente os periódicos feministas e negros, em que a autora se envolveu durante toda a sua trajetória intelectual. Dessa produção, alguns artigos merecem ser mencionados a título de ilustração: E a trabalhadora negra, cumé que fica? (1982), no Jornal Mulherio, A questão negra no Brasil (1981), nos Cadernos Trabalhistas, A importância da organização da mulher negra no processo de transformação social (1988), no Jornal Raça e Classe. Dois livros são assinados por Lélia Gonzalez: Lugar de Negro (1982), em coautoria com sociólogo argentino Carlos Hasenbalg; Festas Populares no Brasil (1987), este último premiado na Alemanha, agora com nova edição da Boitempo. No conjunto, suas publicações autorais compreendem o período que vai de 1977, com a publicação do artigo A propósito de Lacan, até 1995, quando é publicado postumamente o artigo The black woman in Brazil, no livro African presence in the Americas, organização realizada pelo intelectual cubano Carlos Moore, amigo de Lélia Gonzalez desde suas visitas ao continente africano.
Em vista panorâmica, podemos perceber que a autora se debruçou sobre temas centrais para pensarmos a formação e desafios sociais, econômicos e culturais do Brasil.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Você se lembra de seu primeiro contato com a obra de Lélia Gonzalez? Durante sua graduação em Sociologia na USP, por exemplo, seu pensamento já era referenciado?
Flávia Rios: Quando eu comecei a estudar Lélia Gonzalez, ela era desconhecida da academia nacional. Eu tive o primeiro contato com os textos de Lélia Gonzalez no ano 2000, quando estudantes da pós-graduação oriundos do Nordeste me disseram que eu precisava ler autores e autoras que não estavam nos currículos acadêmicos. Diziam eles que esses autores foram excluídos das interpretações sobre o Brasil, mas que cabia às novas gerações não deixar que essa exclusão se perpetuasse. Haveria formas de manter aquele pensamento vivo, se nós lêssemos aquelas obras e as investigassem, mesmo que não fossem valorizados ou lidos pela academia. Então, fiz leituras paralelas. Fazia o caminho das leituras acadêmicas regulares, nas disciplinas obrigatórias que garantiram a canonização dos chamados intérpretes do Brasil, como Gilberto Freyre, Sérgio Buarque, Caio Prado Jr. , dentre outros e lia à parte Guerreiro Ramos, Edison Carneiro, Clóvis Moura, Lélia Gonzalez, Abdias do Nascimento, Eduardo Oliveira e Oliveira, Conceição Evaristo, Manoel Querino, Hamilton Cardoso, Solano Trindade, dentre outros e outras intérpretes do país, que não estavam – ainda não estão – nas ementas dos cursos.
É bom destacar a importância do professor Antônio Sérgio Guimarães que organizava na USP um projeto de extensão e pesquisa no início dos anos 2000. E no âmbito desse projeto estabelecia diálogos entre os pesquisadores acadêmicos e os intelectuais dos movimentos sociais brasileiros. Nesses seminários, que aconteciam regularmente às sextas-feiras, tivemos a oportunidade de conhecer e dialogar com intelectuais como Sueli Carneiro, Cidinha da Silva, Edna Roland e Osvaldo de Camargo, dentre outros.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Como as ideias de Lélia Gonzalez influenciaram e continuam impactando suas pesquisas, investigações, aulas e produção acadêmica?
Flávia Rios: Eu recebo com muita regularidade demandas para escrever sobre o pensamento e a trajetória de Lélia Gonzalez. Notei que o interesse na produção dela cresceu especialmente depois do lançamento do livro com os seus principais ensaios, entrevistas e artigos de opinião. Refiro-me ao título Por um Feminismo Afro-latino-Americano. Após essa publicação a autora passou a ser lida e mais citada na academia nacional e nas universidades estrangeiras. Eu recebo muitas propostas para participar de bancas de conclusão de curso, para dar oficinas, palestras, minicursos em movimentos e organizações diversas, como o MST, Movimento Negro, movimentos feministas, etc. Além disso, recebo convites para ir às escolas, às bibliotecas públicas, aos centros culturais, dentre outros. Mais recentemente, aumentou o interesse internacional, alguns acadêmicos da América Latina, dos EUA, da França, por exemplo, passaram a demandar artigos, entrevistas, verbetes sobre Lélia Gonzalez, sua teoria e seus conceitos. Isso significa que uma parte da minha produção acadêmica é dedicada ao escrutínio da obra da autora. Fico feliz com isso porque passo a integrar uma geração de intelectuais brasileiros menos comprometida em importar e traduzir autores europeus para o país, mas sim dedicada a internacionalizar a produção intelectual brasileira. O deslocamento da posição subalterna de importação e tradução de teorias é necessário. Gosto de trabalhar com Lélia Gonzalez, porque ela surpreendentemente rompeu com o complexo de viralatismo presente na academia brasileira. Sou influenciada por essa perspectiva cosmopolita e transnacional que ela nos legou.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Lélia Gonzalez é frequentemente reconhecida como uma intelectual negra que refletiu sobre o racismo. No entanto, sua obra abrange diversas áreas das ciências humanas, como psicanálise, marxismo, filosofia e história. Como você avalia essa tendência de enquadrá-la de maneira restritiva? E quais são suas contribuições para debates além da questão racial?
Flávia Rios: A pergunta sobre contribuições da autora para debates além da questão racial não se aplica à teoria de Lélia Gonzalez. Digo isso porque Lélia Gonzalez desenvolveu um pensamento interseccional, articulando raça, classe e gênero. Essas três matrizes explicativas interligadas estão nos fundamentos da sua teoria complexa sobre o social. A contribuição teórica de Lélia Gonzalez é a de pensar os problemas e suas formas de superação a partir da compreensão do capitalismo, do patriarcado e do racismo como sistemas interdependentes nas sociedades contemporâneas.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Qual foi a relação de Lélia Gonzalez com o marxismo e com algumas de suas correntes? Como essa relação se expressa em sua obra?
Flávia Rios: A grosso modo, podemos dizer que o encontro de Lélia Gonzalez com o marxismo foi realizado em dois espaços. Houve uma interação dela com intelectuais marxistas no MNU, e as duas expressões mais importantes do marxismo partidário e movimentalista com quem estabeleceu diálogo foram: o trotskismo e o maoísmo. Ambos movimentos foram fundamentais para as organizações políticas em que Lélia Gonzalez atuou como fundadora, a exemplo do Movimento Negro Unificado e o Partido dos Trabalhadores.
No plano acadêmico, o encontro de Lélia Gonzalez com o marxismo se deu de forma direta e de forma indireta. A forma direta foi evidentemente o estudo da obra de Marx e de marxistas estruturalistas franceses, além do pensamento marxista latino-americano, como o de Heleieth Saffioti. A forma indireta foi pelas lentes de autores fortemente influenciados pelo marxismo, mas que já dialogavam com outras correntes teóricas, como a psicanálise, o Pan-africanismo e o existencialismo. Neste último grupo, podemos citar Frantz Fanon, Simone de Beauvoir, Angela Davis e Aimé Césaire, dentre outros.
- Boletim Lua Nova-Cedec: No campo do pensamento social brasileiro, qual é o lugar ocupado por Lélia Gonzalez?
Na forma tradicional e curricular de definir e contar a história do pensamento social brasileiro, Lélia Gonzalez não tem lugar nenhum. Ela é simplesmente desconsiderada. Mas se buscarmos as autoras e autores que estão produzindo uma crítica aos critérios de seleção dos autores clássicos do pensamento social e político brasileiro, a Lélia Gonzalez possui um lugar bem definido que é o de pensar criticamente o caráter e impasses da formação e desenvolvimento da nação, além de tratar do dilema da persistência do colonial nas formações capitalistas latino-americanas, assim como o de tratar dos temas das desigualdades e da cultura hierárquica como impasse para a consolidação da democracia principalmente no tocante não apenas à organização do Estado, mas, sobretudo, ao tecido social. Ela aponta diagnóstico e interpretações originais nessas arenas que são clássicas nas interrogações dos pensadores e pensadoras brasileiros.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Como a obra e o pensamento de Lélia Gonzalez dialogam com os de Florestan Fernandes e Clóvis Moura, dois intelectuais brasileiros de esquerda que também se dedicaram à questão racial? O que há de aproximações e distanciamentos entre eles?
Flávia Rios: Veja, tanto Clóvis Moura como Florestan Fernandes são interlocutores de Lélia Gonzalez. Ela lê avidamente a produção da chamada escola Paulista. Lélia Gonzalez é uma intelectual com I maiúsculo. Ela não é sectária, não é provinciana. Ela é uma intelectual cosmopolita. Viaja para muitos países, conhece diversas partes do Brasil. Lê e traduz muito. Ela é uma autora que estabeleceu, sim, diálogo com Florestan no mundo acadêmico e no mundo da política. Ela leu com muita atenção os diversos livros de Fernandes, especialmente a Integração do Negro na Sociedade de Classes, que é uma referência incontornável. Ela respeitava muito Florestan Fernandes, mas formulou críticas a certas dimensões do seu trabalho, especialmente quanto ao argumento sobre o arcaísmo da cultura colonial na ordem competitiva, crítica essa que se aproxima das análises de Carlos Hasenbalg.
Mas essas divergências intelectuais não impediram o respeito mútuo. Eles pertenciam ao mesmo partido. Aliás, para ser mais precisa, historicamente, Florestan Fernandes se filiou ao partido que Lélia Gonzalez figura como fundadora. Ele chegou depois.
Já Clóvis Moura é o intelectual que influenciou a geração ativista de 1970, da qual Lélia Gonzalez é apenas uma entre tantos autores, artistas e militantes brilhantes e incansáveis. As pesquisas de Clóvis Moura sobre as rebeliões escravas, sobre os quilombos e sobre a ação coletiva negra na escravidão e pós-abolição foram fundamentais para autores como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Abdias do Nascimento, dentre outros. Mas é fato também que Lélia Gonzalez tinha sua interpretação própria e bem contrastante à do Clóvis Moura, sobretudo no tocante à agência das mulheres e às formas de resistência do cotidiano e dos espaços de trabalho e de moradia. Eu não terei tempo de explicar em detalhe as divergências teóricas entre os dois, mas diria de forma breve que se trata de uma compreensão distinta em relação aos conceitos de consciência e de alienação.
- Boletim Lua Nova-Cedec: As reflexões de Lélia Gonzalez podem servir de suporte teórico para pesquisadores, intelectuais e ativistas analisarem a atual ofensiva das polícias militares contra a população negra e pobre no Brasil?
Flávia Rios: Talvez a forma mais direta de mostrar no pensamento da autora sua crítica a violência racial no Brasil realizada pelo Estado seja mostrar os vínculos que a autora tinha com as mulheres das periferias, parentes de homens que foram mortos ou desaparecidos durante o regime militar e na transição para a democracia. Ela tem textos que denunciam a violência contra homens negros e já observa a agências das mulheres contra a violência de Estado, na defesa da verdade e justiça no contexto do renascimento da democracia Brasileira.
- Boletim Lua Nova-Cedec: Fale sobre os Estudos sobre Lélia Gonzalez e sua recepção no campo da produção de saber. Quais lacunas ainda precisam ser investigadas?
O trabalho acadêmico pioneiro que trouxe o pensamento de Lélia Gonzalez para as revistas científicas foi o artigo de Luiza Bairros para a revista Afro Ásia. Quase cinco anos depois veio a primeira dissertação de história comparando as trajetórias de Lélia Gonzalez com a de Angela Davis, produzido pela historiadora Raquel Barreto. Na sequência, surgiu o primeiro trabalho acadêmico exclusivamente dedicado ao pensamento e a obra de Lélia Gonzalez, realizado pela Elizabeth Viana, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e, por fim, em 2010, Alex Ratts e eu escrevemos o primeiro livro sobre a Lélia Gonzalez, a pedido da editora Summus que passou a publicar retratos de pensadores negros, intérpretes do Brasil. Durante essa primeira década do século XXI, foi muito importante também o Congresso de Pesquisadores Negros que realizou minicursos e promoveu a divulgação do pensamento de autores e autoras como Lélia Gonzalez.
Na segunda década, temos vários esforços artísticos, montagens de exposições, livros, filmes, sites e outras formas culturais e intelectuais que tornaram mais discutidos o pensamento e a obra de Lélia Gonzalez. A partir de então, seus trabalhos passaram a ser mais divulgados, alguns artigos se tornaram mais frequentes em ementas de cursos. Houve verdadeiramente uma exploração do pensamento de Lélia Gonzalez pela psicanálise, Antropologia e pelas Ciências Sociais. Esses avanços foram importantes para a consolidação do pensamento da autora no país. Das lacunas mais expressivas que vejo sobre o pensamento de Lélia Gonzalez está no campo da Filosofia. Faltam estudos filosóficos sobre a obra de Lélia Gonzalez. Quando isso acontecer, penso que a sua recepção será mais adequada à natureza do seu trabalho intelectual.
A Equipe do Boletim Lua Nova agradece pela entrevista!
* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!
[1] Pós-Doutor pelo Departamento de Ciência Política da USP e Pesquisador do Cedec. Membro do Comitê Editorial do Dicionário Marxista das Américas e do Conselho Editorial da Práxis Literária Editora.