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O MAPA POLÍTICO DE MATO GROSSO EM 2026: COLIGAÇÕES, REDES FAMILIARES E O PESO DAS CANDIDATURAS AO GOVERNO ESTADUAL

Raimundo Nonato Cunha de França1,

Telmo Antônio Dinelli Estevinho2,

Adilson Vagner de Oliveira3,

Natacha Chabalin4,

Leomir Ramos5

21 de setembro de 2026          

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Dando continuidade ao Especial Eleições 2026, o Boletim Lua Nova apresenta uma análise do cenário político de Mato Grosso a partir das disputas pelo governo estadual e pelo Senado Federal. O texto examina a formação das coligações, a distribuição regional das principais forças políticas, o peso das redes familiares e a influência do agronegócio na organização da competição eleitoral no estado. Para conferir os outros textos da série, clique aqui.

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1. INTRODUÇÃO

Mato Grosso chega às eleições de 2026 num momento de transição na cúpula do Executivo estadual, mas sob os mesmos fundamentos estruturais discutidos desde a publicação de Política e Sociedade no Mato Grosso (FRANÇA, 2013). Em março daquele ano, o governador Mauro Mendes (União Brasil) renunciou ao mandato para concorrer ao Senado Federal, abrindo caminho para que o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumisse o Executivo e se apresentasse como candidato à reeleição. A troca de nomes no comando do Estado não alterou os eixos que este boletim examina: a geografia política de Mato Grosso, a arquitetura das coligações homologadas pela Justiça Eleitoral, o peso das redes familiares na distribuição do capital político regional e, incorporada nesta versão do texto, a reprodução desse mesmo padrão na representação do estado no Congresso Nacional.

O texto está organizado em cinco seções analíticas, além desta introdução e das considerações finais. A segunda seção apresenta o mapa político de Mato Grosso a partir da malha de mesorregiões do IBGE, na esteira de estudos do LEGAL sobre a centralidade da cuiabania, a região metropolitana de Cuiabá e Várzea Grande, nas disputas majoritárias estaduais (FRANÇA et al., 2024). A terceira seção detalha as coligações registradas no TRE-MT para as seis candidaturas ao governo. A quarta seção discute o peso de cada candidatura à luz de suas redes familiares e de sua inserção no capital econômico do agronegócio. A quinta seção volta-se à disputa pelas duas vagas ao Senado Federal, examinando as dez candidaturas confirmadas e os dados disponíveis de pesquisas eleitorais. A sexta seção sintetiza as propostas de governo apresentadas à Justiça Eleitoral.

2. O MAPA POLÍTICO DE MATO GROSSO

A leitura da geografia eleitoral mato-grossense produzida pelo LEGAL ao longo dos últimos ciclos, cruzada com a malha oficial de mesorregiões do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), permite identificar cinco unidades regionais com perfis políticos relativamente estáveis, ainda que sujeitos a realinhamentos pontuais. A mesorregião Centro-Sul Mato-grossense, onde se localizam Cuiabá e Várzea Grande. a própria cuiabania, concentra aproximadamente um quarto do eleitorado e da população do estado e constitui território indispensável a qualquer candidatura vitoriosa ao Palácio Paiaguás: não se vence a disputa pelo governo sem diálogo ou composição com as forças políticas dominantes na região metropolitana (FRANÇA et al., 2024). As eleições municipais de 2024 evidenciaram, contudo, a volatilidade desse território: pesquisas de véspera indicavam vitória confortável de candidato apoiado pelo então governador Mauro Mendes em Cuiabá, e domínio da tradicional família Campos em Várzea Grande, mas os resultados subverteram ambos os prognósticos, com a eleição de Flávia Moretti (PL), apoiada por Jair Bolsonaro, em Várzea Grande, e a chegada de Abílio Brunini (PL) ao segundo turno em Cuiabá (FRANÇA et al., 2024).

Mapa 1 – Mapa geopolítico de Mato Grosso por mesorregião oficial do IBGE, com as forças políticas dominantes em cada uma (2026). Elaboração própria a partir da malha de mesorregiões do IBGE, com caracterização política com base em França et al. (2024) e cobertura eleitoral de 2026.

A mesorregião Norte Mato-grossense, polo da fronteira agrícola consolidada a partir da década de 1970, reúne municípios como Sorriso, Sinop, Lucas do Rio Verde e Nova Mutum; é nela que se localiza a base política mais sólida de Otaviano Pivetta, ex-prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e produtor agrícola. A mesorregião Sudeste Mato-grossense, com centro em Rondonópolis e Primavera do Leste, constitui a base histórica de Wellington Fagundes, com mais de três décadas de mandatos parlamentares na região. Já a mesorregião Nordeste Mato-grossense, que se estende por Barra do Garças, Água Boa e Confresa, ao longo do Vale do Araguaia, e a mesorregião Sudoeste Mato-grossense, que reúne Cáceres, Pontes e Lacerda e o Vale do Guaporé, apresentam menor concentração de eleitorado e um cenário mais fragmentado entre as candidaturas de menor densidade eleitoral.

Essa distribuição regional de forças expressa a maneira como o capital econômico do agronegócio se territorializa politicamente, produzindo bases eleitorais cativas em torno de lideranças ligadas à produção rural. A cuiabania, heterogênea e urbana, funciona como fiel da balança (FRANÇA et al., 2024).

3. COLIGAÇÕES REGISTRADAS NO TRE-MT

Segundo os dados oficiais do sistema DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, Mato Grosso registrou seis candidaturas ao governo estadual para o pleito de 2026, três delas amparadas em coligações amplas e três em candidaturas isoladas. Otaviano Pivetta (Republicanos, nº 10) concorre à frente de coligação formada por Republicanos, Federação PSDB-Cidadania, Federação União Progressista (União Brasil e Progressistas) e Podemos, tendo Gisela Simona (União Brasil) como vice. Wellington Fagundes (PL, nº 22) lidera a coligação denominada “Coração da Gente”, composta por PL, MDB, Novo e Federação Renovação Solidária (PRD e Solidariedade), com Reinaldo Gomes de Moraes (Novo) na vice. Natasha Slhessarenko (PSD, nº 55) encabeça a coligação “Mato Grosso para Todos”, que reúne PSD, PDT, PSB, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) e a Federação PSOL/Rede, com Diogo Botelho (PDT) como vice.

Figura 1 – Coligações registradas para o governo de Mato Grosso, Eleições 2026. Elaboração própria com base em dados do TRE-MT/DivulgaCandContas.

As demais três candidaturas concorrem isoladamente, sem coligação: Laudicério Machado (Agir, nº 44), Maurício Coelho (Mobiliza, nº 33) e Rafaell Milas (Missão, nº 66). A distribuição das coligações reforça o diagnóstico da seção anterior: as duas candidaturas mais competitivas nas pesquisas de intenção de voto, Pivetta e Fagundes, são também as que reúnem coligações mais numerosas, capazes de somar tempo de televisão e recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ao passo que a candidatura de Natasha Slhessarenko, terceira nas pesquisas, organiza a principal coligação de centro-esquerda do pleito.

4. REDES FAMILIARES E CAPITAL POLÍTICO DAS CANDIDATURAS

O peso de cada candidatura não decorre apenas da coligação partidária que a sustenta, mas também de sua inserção em redes familiares de longa duração, um traço que estudos do LEGAL já haviam identificado como estrutural à política mato-grossense (FRANÇA, 2013; LEGAL AMAZÔNIA, 2022). O caso de Otaviano Pivetta é ilustrativo: seu sobrenome também está associado a Adriano Pivetta, que exerceu quatro mandatos como prefeito do vizinho município de Nova Mutum, configurando um padrão de capilaridade política regional no eixo Lucas do Rio Verde–Nova Mutum, no coração do agronegócio do Médio-Norte (LEGAL AMAZÔNIA, 2022).

Wellington Fagundes, por sua vez, retorna à disputa oito anos depois de sua derrota para Mauro Mendes em 2018, apoiado numa aliança política de longa data com a família Riva: a deputada estadual Janaína Riva figura entre os nomes mais bem posicionados para uma das vagas ao Senado na chapa fagundista, e essa aliança familiar Fagundes/Riva projeta-se como uma das configurações mais estáveis para a sucessão do atual ciclo (LEGAL AMAZÔNIA, 2022). Já a candidatura de Natasha Slhessarenko reproduz um padrão de transmissão intergeracional de capital político já discutido pelo LEGAL: filha da ex-senadora Serys Slhessarenko, ela herda parte do capital simbólico e da rede de apoio construída em torno da candidatura do Presidente Lula junto ao eleitorado de centro-esquerda mato-grossense.

A tradicional família Campos, embora não apresente candidato próprio ao governo em 2026, permanece como referência de comparação: seus principais quadros, os irmãos Jayme e Júlio Campos, ocuparam por décadas os cargos de governador, senador e deputado estadual, e o domínio do clã sobre Várzea Grande foi rompido apenas nas eleições municipais de 2024, quando Flávia Moretti (PL) venceu a disputa com apoio de Jair Bolsonaro (FRANÇA et al., 2024; LEGAL AMAZÔNIA, 2022). Esse episódio ilustra que, mesmo em um sistema político marcado pela persistência de redes familiares, a competição eleitoral preserva margens reais de disputa, ainda que assimétricas.

Além do capital político herdado por vias familiares, a disputa ao governo de Mato Grosso em 2026 revela um novo vetor de capital simbólico em disputa: o nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo aval as duas principais candidaturas buscam reivindicar perante o eleitorado de direita. Wellington Fagundes ostenta o aval institucional do PL nacional e reuniu-se pessoalmente com o ex-presidente em Brasília, capitalizando o apoio formal da legenda bolsonarista à sua candidatura (METRÓPOLES, 2026). Otaviano Pivetta, por sua vez, buscou articulação direta com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e confirmou publicamente apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, movimento que levou aliados como o deputado federal Juarez Costa (Republicanos) a classificá-lo como “mais bolsonarista” do que o próprio candidato oficial do PL ao governo estadual (OLHAR DIRETO, 2026). A convergência de ambos os pré-candidatos majoritários em torno do apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial chegou a viabilizar, segundo a coordenação da campanha presidencial, a hipótese de um palanque compartilhado entre os próprios rivais estaduais (MIDIA JUR, 2026). A disputa pelo rótulo bolsonarista ilustra, assim, como a filiação simbólica ao bolsonarismo se consolidou, ao lado das redes de sobrenome discutidas acima, como um ativo político mobilizável por candidaturas de partidos distintos.

Essa disputa pelo capital bolsonarista tem produzido, ao longo de 2026, uma revoada de prefeitos eleitos pelo Partido Liberal (PL) em direção ao apoio a Pivetta, em contraste com a orientação oficial da própria legenda, que lançou Fagundes ao governo. O caso mais emblemático é o do prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), que declarou publicamente apoio à reeleição de Pivetta e, em represália, foi destituído da presidência do diretório municipal do partido pela direção estadual (CBN CUIABÁ, 2026; MUVUCA POPULAR, 2026). Em Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini (PL) adotou postura mais cautelosa, evitando romper formalmente com a legenda, mas reiterou desde meados de 2026 sua torcida pela permanência de Pivetta no Palácio Paiaguás e chegou a defender que o próprio PL indicasse o vice na chapa governista (PLANTÃO NEWS, 2026). A reação da direção nacional do PL, que orientou seus filiados a não pedir votos para Pivetta, evidencia como a fragmentação de coligações descrita na seção 3 convive com rachas municipais que atravessam fronteiras partidárias: mesmo a base eleitoral do PL, formalmente comprometida com a candidatura de Fagundes, migra parcialmente para o campo governista sempre que este oferece vantagens de governabilidade e acesso a recursos – um padrão de pragmatismo municipal que se soma, e por vezes se sobrepõe, à disputa simbólica pelo nome de Bolsonaro.

Do ponto de vista do financiamento, dados individualizados de doações para 2026 ainda estão em consolidação no sistema Conta+JE da Justiça Eleitoral; ainda assim, o padrão histórico de concentração do financiamento de campanha no setor ruralista, já identificado em ciclos anteriores (FRANÇA, 2013), permanece um pano de fundo relevante para compreender a disputa em curso.

5. A DISPUTA PELO SENADO FEDERAL

Praticamente todos os elementos discutidos nas seções anteriores reaparecem, concentrados, na disputa pelo Senado Federal: fragmentação partidária, presença do agronegócio e persistência de capital político familiar. Mato Grosso elegerá dois senadores em 2026, preenchendo as vagas atualmente ocupadas por Jayme Campos (União Brasil) e Carlos Fávaro (PSD), cujos mandatos se encerram em 2027 , a cadeira de Wellington Fagundes (PL), candidato ao governo, permanece fora da disputa, pois seu mandato vai até 2031. Segundo os registros oficiais de candidatura, dez postulantes foram confirmados para as duas vagas em disputa, número superior à média nacional de concorrência por cadeira no pleito de 2026 (TRE-MT, 2026).

Lidera as pesquisas o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil), que deixou o Palácio Paiaguás em março de 2026 justamente para concorrer ao Senado, capitalizando a avaliação positiva de sua gestão estadual junto ao eleitorado. Em segundo lugar, de forma consistente em todos os institutos consultados, aparece a deputada estadual Janaina Riva (MDB), uma das principais lideranças do partido no estado e filha do ex-deputado José Riva — mais um caso, portanto, de transmissão intergeracional de capital político, no mesmo padrão observado na candidatura de Natasha Slhessarenko ao governo (seção 4). A proximidade política entre Riva e o senador Wellington Fagundes, candidato ao governo, projeta uma possível aliança de fato entre as duas chapas, ainda que formalmente as candidaturas majoritárias ao Senado não integrem coligação com as candidaturas ao governo.

Gráfico 1 – Disputa ao Senado Federal por Mato Grosso, cenário estimulado (soma dos dois votos). Elaboração própria com base em pesquisa Quaest, 21–24 ago. 2026 (registro na Justiça Eleitoral nº MT-04846/2026).

Atrás da dupla líder, a disputa pela segunda vaga permanece em aberto entre um conjunto de candidaturas com forte lastro institucional. Carlos Fávaro (PSD), atual senador e ministro da Agricultura e Pecuária do governo Lula, busca a reeleição amparado em sua trajetória como produtor rural e ex-vice-governador na gestão de Pedro Taques; sua candidatura reproduz, no plano legislativo federal, o mesmo padrão pragmático já identificado na disputa presidencial, em que lideranças do agronegócio mato-grossense mantêm vínculos com o lulismo a despeito do alinhamento majoritário do setor à direita (seção 4). Pedro Taques (PSB), ex-governador (2015–2018) e ex-senador (2011–2015), retorna à disputa com discurso historicamente associado ao combate à corrupção, ainda que pesquisas indiquem rejeição relevante ao seu nome. José Medeiros (PL), deputado federal e ex-senador (2011–2019), representa o campo bolsonarista, em disputa direta com Fávaro e Taques pela terceira posição.

Completam a lista de candidaturas a atual senadora Margareth Buzetti (PP), que ocupou o mandato de Fávaro em período de licença deste, e o ex-presidente da Aprosoja Brasil Antônio Galvan (Avante), outro nome de liderança direta do agronegócio na disputa, além de Coronel Darwin (Democrata), Professor Nelson Ferreira (Agir) e Beny Godoy (Agir), conforme os registros de candidatura homologados pela Justiça Eleitoral (TRE-MT, 2026).

Levantamentos de diferentes institutos convergem quanto à liderança de Mendes e Riva, ainda que variem nas magnitudes: pesquisa do instituto Real Time Big Data, realizada entre 7 e 11 de agosto e registrada na Justiça Eleitoral sob o nº MT-04560/2026, apontou 27% para Mendes e 25% para Riva, dentro da margem de erro (REAL TIME BIG DATA, 2026); pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 21 e 23 de agosto e registrada sob o nº MT-02157/2026, mostrou, em cenário de citação múltipla, 52,3% para Mendes e 33,7% para Riva (PARANÁ PESQUISAS, 2026); e pesquisa Quaest, realizada entre 21 e 24 de agosto e registrada sob os nº MT-04846/2026 e BR-00817/2026, cujos dados ilustram o Gráfico 1, apurou 24% para Mendes e 18% para Riva, com os demais nomes fragmentados entre 2% e 8% (QUAEST, 2026). A convergência entre institutos distintos quanto à ordem dos dois primeiros colocados — e a persistência de índices elevados de indecisão, que em alguns levantamentos espontâneos superam 70% dos entrevistados — sugere uma disputa consolidada no topo, mas ainda em definição quanto à composição do bloco intermediário.

A disputa ao Senado reproduz, portanto, no plano legislativo federal, o mesmo diagnóstico sustentado ao longo deste boletim: mesmo num pleito tecnicamente mais aberto à pulverização partidária do que a corrida majoritária ao governo, prevalecem candidaturas ancoradas em mandatos anteriores, sobrenomes consolidados (Riva) e capital econômico do agronegócio (Fávaro, Galvan) — a mesma democracia sob controle que rege a disputa estadual (FRANÇA, 2013).

6. PROPOSTAS DE GOVERNO: CONVERGÊNCIA PROGRAMÁTICA E FRAGMENTAÇÃO PARTIDÁRIA

Os planos de governo registrados junto à Justiça Eleitoral convergem mais do que a fragmentação partidária faz supor. Pivetta aposta na continuidade do ciclo iniciado em 2019: construção de 60 mil moradias pelo programa SER Família Habitação, manutenção do equilíbrio fiscal e fortalecimento das cadeias produtivas do agronegócio. Fagundes apresenta plano de 57 páginas estruturado em torno da descentralização da gestão estadual, com o programa MT Sem Fome, mutirões de saúde e investimentos em infraestrutura ferroviária, como a Fico e a Ferronorte. Natasha propõe saúde regionalizada, critérios técnicos para pavimentação e um painel público de acompanhamento de obras, em discurso centrado na transparência da gestão. Laudicério, Coelho e Milas concentram-se, respectivamente, em segurança pública, liberdade econômica e renovação geracional,  pautas minoritárias no conjunto do eleitorado, mas que cumprem função relevante na diversificação do debate público estadual.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leitura conjunta do mapa político estadual, das coligações homologadas pelo TRE-MT, das redes familiares que sustentam as principais candidaturas e da disputa ao Senado reafirma, para o ciclo de 2026, o diagnóstico de Política e Sociedade no Mato Grosso (FRANÇA, 2013): a competição eleitoral é real e a alternância de nomes no comando do Executivo estadual não pode ser descartada, mas o terreno em que essa competição se realiza permanece condicionado pela geografia do agronegócio e pela permanência de sobrenomes e alianças familiares de longa duração. A cuiabania segue como território decisivo e imprevisível, como demonstraram as eleições municipais de 2024, ao passo que o Norte agrícola e o Sudeste seguem funcionando como currais eleitorais relativamente estáveis para Pivetta e Fagundes, respectivamente.

REFERÊNCIAS

CBN CUIABÁ. Prefeito do PL ignora orientação do partido e declara apoio a Pivetta. 28 ago. 2026. Disponível em: https://www.cbncuiaba.com.br. Acesso em: 31 ago. 2026.

FRANÇA, Raimundo Nonato Cunha de. Política e Sociedade no Mato Grosso: a democracia sob controle. Cuiabá: EdUFMT, 2013.

FRANÇA, Raimundo Nonato Cunha de; OLIVEIRA, Adilson V. de; CHABALIN, Natacha; LEMOS, Leomir; SIQUEIRA, Flávio; ESTEVINHO, Telmo Antonio Dinelli. Cuiabá e Várzea Grande: a política no berço da cuiabania. Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL) / Observatório das Eleições, 19 out. 2024. Disponível em: https://legal-amazonia.org. Acesso em: 31 ago. 2026.

LABORATÓRIO DE ESTUDOS GEOPOLÍTICOS DA AMAZÔNIA LEGAL (LEGAL). [Página institucional]. Disponível em: https://legal-amazonia.org. Acesso em: 31 ago. 2026.

LEGAL AMAZÔNIA. Proeminência familiar na política mato-grossense. 14 set. 2022. Disponível em: https://legal-amazonia.org/proeminencia-familiar-na-politica-mato-grossense/. Acesso em: 31 ago. 2026.

LEGAL AMAZÔNIA. Competição eleitoral no Mato Grosso: aspectos ideológicos das eleições para o Executivo (Federal e Estadual) e Legislativo (2002 e 2018). Disponível em: https://legal-amazonia.org/competicao-eleitoral-no-mato-grosso-aspectos-ideologicos-das-eleicoes-para-o-executivo-federal-e-estadual-e-legislativo-2002-e-2018/. Acesso em: 31 ago. 2026.

METRÓPOLES. Com bênçãos de Bolsonaro, PL define chapa majoritária em Mato Grosso. 23 jul. 2026. Disponível em: https://www.metropoles.com. Acesso em: 31 ago. 2026.

MIDIA JUR. Coordenador libera palanque de Flávio para receber apoio de Pivetta. 24 ago. 2026. Disponível em: https://www.midiajur.com.br. Acesso em: 31 ago. 2026.

MUVUCA POPULAR. Abilio diz que punição a Cláudio não é censura e chama eleição de “bagunça”. 29 ago. 2026. Disponível em: https://www.muvucapopular.com.br. Acesso em: 31 ago. 2026.

OLHAR DIRETO. Juarez diz que Pivetta é “mais bolsonarista” que Wellington Fagundes e prevê unificação. 22 mar. 2026. Disponível em: https://www.olhardireto.com.br. Acesso em: 31 ago. 2026.

PARANÁ PESQUISAS. Pesquisa de intenção de voto para governador e senadores — Mato Grosso. 24 ago. 2026. Registro na Justiça Eleitoral sob o nº MT-02157/2026.

QUAEST. Pesquisa de intenção de voto para o Senado Federal — Mato Grosso. 25 ago. 2026. Registro na Justiça Eleitoral sob os nº MT-04846/2026 e BR-00817/2026.

REAL TIME BIG DATA. Pesquisa de intenção de voto para governador e senadores — Mato Grosso. 12 ago. 2026. Registro na Justiça Eleitoral sob o nº MT-04560/2026.

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE MATO GROSSO (TRE-MT). DivulgaCandContas: candidaturas ao governo e ao Senado, Eleições 2026. 2026. Disponível em: https://www.tre-mt.jus.br. Acesso em: 31 ago. 2026.

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!

  1. Raimundo Nonato Cunha de França é doutor em Ciência Política, pós-doutorando no Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (IPOL/UnB), sob supervisão da Profª. Drª. Danusa Marques, coordenador estadual do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL), professor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e diretor da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP). É autor de Política e Sociedade no Mato Grosso: a democracia sob controle (EdUFMT, 2013). ↩︎
  2. Telmo Antônio Dinelli Estevinho é doutor em Ciências Sociais, professor adjunto da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisador do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL). ↩︎
  3.  Adilson Vagner de Oliveira é doutor em Ciência Política, professor do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e pesquisador do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL). ↩︎
  4. Natacha Chabalin é doutora em Ciência Política, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisadora do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL). ↩︎
  5. Leomir Ramos é mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT),
    cientista político e pesquisador do Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal (LEGAL).
    ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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