Um Voto de Sobrevivência: relato do evento “Debate as Eleições de 2022 e a Democracia”

Por Andréia F. Cardoso e Paulo Bittencourt. As eleições de 2022, desde seu início, são marcadas pela existência de dois campos com interesses e projetos de país distintos; o que se acentuou com o segundo turno dos cargos executivos, em especial o de presidência da República. Se, de um lado, há um voto que se diz em defesa da tríade “Deus, pátria e família”, de outro, temos a preocupação com a continuidade do regime democrático e a defesa dos direitos dos cidadãos. Com esta última em mente, o Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania (CENEDIC), da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP), o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC) e o Coletivo USP pela Democracia promoveram um debate com o tema “As Eleições de 2022 e a Democracia”.

Há democracia interna nos partidos políticos brasileiros?

Por Soraia Marcelino Vieira. Quando se fala em eleição não se pode deixar de falar em partido político, um ator central no processo eleitoral e fundamental nos regimes democráticos. Geralmente, as preocupações acerca deste ator giram em torno de seu comportamento frente à competição política, mas é importante, também, voltar o olhar para sua estrutura interna, principalmente para questões relacionadas à transparência, ética e processos de escolha de candidatos/as. O que se pretende destacar aqui é a importância de dialogar com questões referentes à democracia interna dos partidos políticos brasileiros, especialmente em ano eleitoral.

O que torna uma decisão legítima? Um argumento contra as teorias da última palavra

Por Renato Francisquini. Nos últimos anos, o regime democrático tem sido desafiado de inúmeras maneiras. Em países onde, até há pouco tempo, ela parecia consolidada, a democracia sofre toda sorte de retrocessos e descontinuidades. Embora o fenômeno tenha se tornado mais evidente em governos como os de Donald Trump, Viktor Orbán e Jair Bolsonaro, não é de hoje que as instituições políticas são alvo de ataques por movimentos políticos e da desconfiança de uma parte da sociedade.

Eleições brasileiras 2022: sinais de um teste institucional

Por Juliana de S. Oliveira e Lucas D. Pereira. Brasil, 1954, uma eleição polarizada entre UDN e PSD. Fraude é a tônica da discussão, de tal modo que a palavra golpe está presente no vocabulário político corrente. A UDN, um dos pólos da competição, investe no discurso de que as eleições seriam fraudadas. A premissa da acusação se concentra no método de votação: a inexistência de cédula oficial . Anteriormente a 1954, a UDN nunca havia tocado no assunto da cédula. Não obstante, para a eleição daquele ano, o discurso udenista sustentava que o resultado eleitoral não traria a verdade das preferências do povo às urnas.

Acervo Digital: experiências de pesquisa e diagnósticos sobre a democracia constitucional brasileira

Por Acervo Digital – Cedec. O Acervo Digital reúne experiências e diagnósticos elaborados por pesquisadores, intelectuais e ativistas de modo a estabelecer frentes de diálogo sobre a democracia constitucional brasileira e suas tendências críticas. A pesquisa do Acervo propõe-se a apresentar informações relevantes e análises qualificadas, bem como organizar visões e propostas para auxiliar a reflexão e a divulgação de informações sobre a democracia constitucional brasileira.

O Canto de Sereia do Neo-Fascismo: A Crise da Democracia e a Rearticulação da Lógica Neo-Liberal

Por Rafael R. Ioris. A surpreendente ascensão ao poder de Donald Trump, nos EUA, em 2016, e de Jair Bolsonaro, no Brasil, em 2018, representou não só problemas graves nas estruturas políticas de tais países, como também uma crise mais ampla na lógica de funcionamento da Democracia Liberal, que parece mesmo estar enfrentando hoje um dos seus maiores desafios. Tragicamente, ao invés de oferecer formas reais de atender às demandas por novas e mais eficientes práticas de representação política, tais líderes, e seus similares ao redor do mundo, aceleram a própria crise estrutural em curso.

O governo começou, acabou e recomeçou, mas não sabemos como irá terminar

Por Ivo Coser
Refletir sobre as notícias do jornal é uma tarefa que interessa a todos que refletem sobre a política. A conjuntura com seus vários fenômenos, diversos atores e suas interações múltiplas, seus resultados ora surpreendentes ora esperados exigem do espectador um instrumental que lhe permita separar o passageiro do permanente; que lhe forneça meios que direcione o olhar para as ações que vão influenciar o curso dos acontecimentos daquelas que são apenas uma nuvem passageira, a qual por vezes anuncia uma chuva que não virá.

Resenha de: SANTOS, W. G. A democracia impedida: o Brasil no século XXI. Rio de Janeiro: FGV, 2017.

Por Diarlison Costa
“Quais são as características genéricas do ‘golpe parlamentar’? Quais os protocolos de execução e as condições que favorecem o êxito da manobra? Quais são as continuidades e diferenças entre o momento antecedente e o desdobramento posterior do golpe parlamentar?” Essas perguntas centrais de Wanderley Guilherme dos Santos constituem o cerne de seu livro A democracia impedida: o Brasil no século XXI, publicado pela editora da Fundação Getúlio Vargas, em 2017

Democracia e o problema da verdade na era das fake news

Por Renato Francisquini
Nos últimos anos, assistimos atônitos à proliferação de um sem número de narrativas cuja relação com os fatos não passa, para dizer o mínimo, de pura especulação. Por certo, não se trata de fenômeno inédito ou exclusivo do contexto atual, marcado pela quebra do monopólio da imprensa tradicional na difusão de notícias e na interpretação da realidade.