Política Subnacional na América Latina: um relato do II Seminário Internacional da REPSAL

Por Juliana Aparecida Sousa Carvalho. O II Seminário de Política Subnacional na América Latina foi realizado nos dias 23 e 24 de novembro de 2023, na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Organizado pela Rede de Estudos de Política Subnacional na América Latina (REPSAL) e pelo Núcleo de Estudos sobre Política Local (NEPOL), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Instituto de Ciências Humanas da UFJF, o seminário foi financiado pela CAPES e pela Fapemig[2], e teve como objetivo difundir as pesquisas dos membros da rede e demais interessados/as no estudo da política subnacional e gerar um espaço para o intercâmbio de ideias. Assim, contou com participantes de dez países – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Paraguai, Peru, México e Uruguai.
Raymond Aron recusou panaceia de livre mercado e buscou liberalismo político

Por Felipe Freller. Em 17 de outubro de 1983, morria o filósofo e sociólogo francês Raymond Aron (1905-1983), um dos principais pensadores liberais do século 20. Quarenta anos depois, sua obra permanece importante para a teoria política, a filosofia da história, a sociologia e a teoria das relações internacionais, mas seu nome parece, estranhamente, distante dos principais movimentos intelectuais e políticos que reivindicam o liberalismo. Algo a se lamentar e a se buscar compreender.
Rua das Mulheres-Mãe

Por Lucas Gabriel F. Costa. Esse conto teve sua primeira versão escrita como uma atividade da disciplina “Tópicos Avançados: Trabalho e Sociedade” que cursei no mestrado em Sociologia na Universidade Federal de Goiás, em 2021. Motivado pela oportuna e feliz notícia sobre o tema da redação do ENEM de 2023, “Desafios para o Enfrentamento da Invisibilidade do Trabalho de Cuidado Realizado pela Mulher no Brasil”, busquei revisar e ampliar umas das poucas incursões criativas que a faculdade me permitiu fazer sentado na cadeira de “aprendiz de cientista”.
O voo do tucano: 35 anos do PSDB

Por Soraia Marcelino Vieira. O PSDB despontou como um dos principais partidos políticos brasileiros. O partido, criado em 1988, já elegeu representantes em todos os cargos do Executivo e do Legislativo, destacando-se por eleger por duas vezes consecutivas o presidente da República, um dos quatro partidos a alcançar o cargo por meio de eleições diretas após a ditadura civil-militar e um dos dois partidos que conseguiu reeleger o presidente.
Evangélicos, teologia do domínio e voto nas eleições de 2022

Por Helcimara Telles e Horrana Grieg S. Oliveira. O Brasil, ao longo dos últimos anos, tem sofrido uma transformação demográfica que levou à expansão dos grupos e da fé da evangélica entre a população. Os católicos, entre os anos de 1970 até 2010, sofreram uma redução de 27,2 pontos percentuais (p.p). Estima-se que, em 2030, os católicos e evangélicos latu senso (evangélicos de missão, evangélicos de origem pentecostal e evangélicos não determinados) terão participações próximas na sociedade, representando 39,8% e 38% respectivamente na população brasileira .
Gastos de campanha e êxito eleitoral nas eleições de 2016 e 2020 em um estado na região Nordeste

Por Alan Rangel Barbosa e Maria Teresa Miceli Kerbauy. Este trabalho foi inicialmente apresentado no 27° Congresso Internacional de Ciência Política (IPSA), realizado em Buenos Aires e faz parte do pós-doutorado que está sendo realizado no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/UNESP/Campus de Araraquara. O objetivo é investigar a relação entre financiamento de campanha e sucesso eleitoral na Bahia, nas eleições municipais de 2016 e 2020.
O Brasil na presidência do G20 Financeiro: agendas, dinâmicas e desafios

Por Jefferson Estevo e Alina Ribeiro. O Brasil assumiu a presidência do G20 Financeiro em primeiro de dezembro de 2023 com o lema “Construindo um mundo justo e um planeta sustentável”. Criado em 1999, o grupo é formado pelas dezenove maiores economias do mundo mais a União Europeia. Na Cúpula do Grupo, realizada em outubro de 2022 em Nova Déli (Índia), os 55 países da União Africana passaram a integrá-lo. O Brasil definiu como pilares da sua presidência três eixos: a luta contra a pobreza e a fome, o enfrentamento das mudanças climáticas e a reforma da governança global. Estão previstas cem reuniões oficiais, sendo vinte delas ministeriais e outras cinquenta de alto nível, além de eventos paralelos. Todo esse trabalho culminará na 19ª Cúpula de Chefes de Estado e governo do G20 (Brasil, 2023a), em novembro de 2024 no Rio de Janeiro.
A terceira margem das instituições: uma genealogia da “população em situação de rua”

Por Giovanna Olinda. Terminologia em voga atualmente para se referir às pessoas que fazem da rua sua morada, a expressão “população em situação de rua” não surgiu do nada. Seu nascimento e sua maior utilização são acontecimentos recentes e sua aceitabilidade ainda está em debate. Há quem a negue, há quem a afirme e há quem jogue com ela. Para além dessas utilizações e disputas recentes, existe um precedente histórico-conceitual sobre essas figuras urbanas que se faz objeto primordial do estudo aqui resumido.
O Boletim Lua Nova em 2023: uma breve retrospectiva

Equipe Boletim Lua Nova. Com a proximidade do fim do ano, a Equipe do Boletim Lua Nova traz uma retrospectiva de suas atividades ao longo de 2023, destacando apenas uma pequena amostra da riqueza de contribuições que recebemos este ano. Desejamos a todas(os) boas festas e um feliz 2024, e que juntas(os) continuemos a pensar a democracia!
O Rosto de Pelé

Por Fernando José Lourenço Filho. Ao longo da carreira profissional de Pelé é possível observar uma transformação constante de sua imagem, que já se torna perceptível desde o início de sua trajetória. Entretanto, apesar de todas as mutações, algo se faz constante no decorrer deste percurso. A presença de um discurso racista em relação a ele. E mesmo que estas sucessivas ressignificações de sua imagem produzam diferentes representações do jogador, a percepção que temos ao analisar a biografia de Pelé como um todo é a de que ele, seja como futebolista, seja como pessoa pública, jamais “esteve imune ao enfrentamento do preconceito e da discriminação racial, seja de forma explícita ou de forma dissimulada” (Basthi, 2008, p. 127).