Memória, justiça e reparação: povos africanos e afro-brasileiros

Por Júlia Batista Bernardes Farias. A mesa-redonda intitulada “Memória, justiça e reparação: povos africanos e afro-brasileiros” integrou a programação do Colóquio Colonialidade, Racialidade, Punição e Reparação nas Américas (séculos XIX-XX), realizado em 29 de novembro de 2024, das 17h30 às 19h, na Sala Alfredo Bosi, em formato on-line. Com mediação de Júlia Batista Bernardes Farias (mestranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura Brasileira do DLCV-USP) e apoio da monitora Stefani Souza Silva, a mesa contou com a participação de três pesquisadores de destaque: Fernanda Thomaz, integrante da Comissão da Memória e da Verdade sobre a Escravidão e o Tráfico Transatlântico de Pessoas; Handel Wright, professor da University of British Columbia (UBC); e Fábia Ribeiro, pesquisadora do Núcleo de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros da UNIFESP. O encontro promoveu diálogos relevantes sobre memória, justiça e políticas de reparação em contextos transnacionais, a partir de diferentes perspectivas acadêmicas e militantes.
60 anos de 1964 e o fomento a uma política de esquecimento

Por Caroline Silveira Bauer. Este texto apresenta uma breve reflexão sobre a negativa do governo Lula III em rememorar os 60 anos do golpe civil-militar de 1964, que implantou uma ditadura e um regime de terrorismo de Estado. Esta atitude, que surpreendeu a muitas pessoas depois da gestão presidencial anterior legitimar discursos negacionistas sobre o período, pode ser considerada um fomento a uma política de esquecimento. A reflexão se divide em duas partes: em um primeiro momento, farei algumas considerações sobre as potencialidades de atos de rememoração como o sexagésimo aniversário do golpe; depois, apresentarei a argumentação da existência de uma política de esquecimento, alimentada pela lógica da conciliação, examinando a decisão tomada pelo governo federal.
Ruanda, Apesar de Tudo: Uma análise da série ‘Black Earth Rising’ (Parte I)

Por Marina Costin Fuser. Ao me propor a analisar a série ‘Black Earth Rising’, me deparei com questões éticas que concernem a meu lugar de enunciação, a saber, de que maneira uma judia ashkenazi (portanto, de origem europeia) é autorizada a falar de genocídios que aconteceram em Ruanda e na República Democrática do Congo? No que pese o fato de eu ser branca e pertencente a uma elite cultural num país onde a maior parte dos descendentes da diáspora africana têm pouco acesso e espaço para elaborar acerca de suas próprias origens, penso que haja um diálogo possível em torno de questões que a série suscita.