Resenha do livro Ciência, Teoria e Relações Internacionais: um estudo sobre a “Síntese Neo-Neo” a partir de Waltz, de Paulo Bittencourt

Por Felipe Ramos Garcia. Nesse sentido, o livro “Ciência, Teoria e Relações Internacionais: um estudo sobre a ‘Síntese Neo-Neo’ a partir de Waltz”, de Paulo Bittencourt, apresenta uma contribuição significativa ao debate teórico nas Relações Internacionais, especialmente no que se refere à síntese entre o neorrealismo de Kenneth Waltz e o institucionalismo neoliberal de Robert Keohane e Joseph Nye. A obra busca problematizar a coerência dessa tentativa de fusão teórica, argumentando que a “síntese neo-neo” não é uma integração teórica genuína, mas sim um ecletismo metodológico que, de certa forma, ignora diferenças epistemológicas importantes (2025, p. 342). Ao longo do livro, o autor desconstrói as premissas dessa síntese, expondo suas limitações tanto conceituais quanto empíricas. Para isso, o autor emprega um esforço de reconstrução do percurso de desenvolvimento teórico dos autores a fim de demonstrar como a síntese neo-neo não seria, na prática, uma síntese teórica de fato, mas uma reformulação de teoria neoliberal que se apropria do léxico formal de Waltz (2025, p. 358).