Democracia Equilibrista: imaginações políticas entre o autoritarismo e as regras democráticas[1]

Por Bruno Camilloto. Os autoritarismos estão na moda. De reivindicações por mais direitos a reivindicações por mais democracia, parece que as sociedades democráticas ao redor do mundo voltaram a experimentar processos de esgotamento daquelas forças sociais capazes de mobilizar potenciais emancipatórios e transformatórios em direção à realização das promessas por mais igualdade, mais liberdade, mais respeito, mais dignidade. As mais recentes crises econômicas ao redor do mundo colocaram em teste, uma vez mais, os fundamentos das sociedades democráticas e, com elas, as promessas não cumpridas da modernidade. Antes mesmo da crise sanitária/humanitária do Coronavírus em 2020, vimos surgir uma vasta bibliografia que anunciava precisamente o fim das democracias e de suas forças. Entre nós, os diagnósticos não desenharam um presente menos avassalador.

Contexto no singular e no plural: contextualismo e história social da teoria política

Por Sérgio M. Benedito. No campo da teoria política, de maneira geral, quando se faz referência ao contextualismo, logo entendemos que se trata da chamada Escola de Cambridge, representada com algumas variações e várias familiaridades por autores como Quentin Skinner, John Dunn e John Pocock. Não se trata é claro da única abordagem de ênfase histórica, mas daquela mais notória, por sua defesa de que autores e obras do passado devem ser situados em seu ambiente histórico para um melhor entendimento do que quiseram dizer ou sua intenção (Bevir, 2011).

Da possibilidade e da utilidade de uma história dos conceitos; e de sua aplicação ao termo “cético”

Por Mateus Matos Tormin. No texto Uma história dos conceitos: problemas teóricos e práticos, Reinhart Koselleck aborda seis pontos teóricos relativos à história dos conceitos. Interessa-me, mais especificamente, a tese que surge em meio à discussão do quarto ponto proposto por Koselleck: “a diacronia está contida na sincronia” (1992, p. 141). Essa tese surge como resposta a “críticas fulminantes”, feitas à seguinte afirmação de Koselleck: “todo conceito só pode enquanto tal ser pensado e falado/expressado uma única vez. O que significa dizer que sua formulação teórica/abstrata relaciona-se a uma situação concreta que é única” (1992, p. 138). Ora, o compromisso com essa tese não tornaria inviável a própria atividade da história dos conceitos?

Desafios da Teoria Política e Pensamento Político no Brasil: Entrevista com San Romanelli Assumpção e Paulo Cassimiro (Parte II)

Por Ronaldo Tadeu de Souza, Andréia Fressatti Cardoso e Sérgio Mendonça Benedito. Com a proximidade da realização do V Encontro de Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro, a equipe editorial do Boletim Lua Nova entrevistou San Romanelli Assumpção (IESP-UERJ) e Paulo Henrique Cassimiro (UERJ). Nesta segunda parte, conversamos sobre a conjuntura da teoria e do pensamento político no Brasil e sua relação com o V Encontro.

O trade-off entre igualdade e eficiência na teoria da justiça de John Rawls

Por Ulysses Ferraz. A importância de se refletir sobre argumentos econômicos à luz da teoria da justiça de Rawls tem um sentido mais negativo do que positivo, ou seja, serve para afastar argumentos pretensamente científicos que não discutem a justiça ou injustiça das políticas de redução da desigualdade, mas procuram descartá-las a priori em razão de uma alegada impossibilidade fática ou ingenuidade utópica de toda e qualquer pretensão igualitária. Portanto, compreender que o alegado trade-off entre igualdade eficiência é no mínimo controverso, e não desfruta de nenhum consenso científico, tem o mérito de remover possíveis obstáculos epistêmicos ou ideológicos às perspectivas igualitárias de justiça e ratificar a força dos argumentos normativos no seio desse debate.

O V Encontro de Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro: Entrevista com San Romanelli Assumpção e Paulo Henrique Cassimiro (Parte I)

Por Ronaldo Tadeu de Souza, Andréia Fressatti Cardoso e Sérgio Mendonça Benedito. Com a proximidade da realização do V Encontro de Teoria Política e Pensamento Político Brasileiro, a equipe editorial do Boletim Lua Nova entrevistou San Romanelli Assumpção (IESP-UERJ) e Paulo Henrique Cassimiro (UERJ), membros da organização do Encontro. Nesta primeira parte da entrevista concedida, conversamos sobre a origem do encontro anual e a sua importância para as áreas de teoria e pensamento político, mas também para a ciência política como um todo.

Nota sobre o nascimento da Teoria Política

Por Ronaldo Tadeu de Souza
Já se disse que a filosofia nasceu no mundo grego antigo, particularmente em Atenas. No belo ensaio que escreveu acerca das origens do pensamento humano na Grécia, Jean-Pierre Vernant argumenta: foi na fresta aberta pela queda da realeza micênica e a irrupção da polis entre os séculos VIII e VI (A.C.) que ocorreu o nascimento de uma modalidade peculiar de compreender a nossa existência.

As instituições democráticas estão funcionando ou estão em processo de erosão?

Por Ivo Coser
Um espectro ronda a política e a ciência política brasileira indagando: as instituições democráticas estão funcionando? Ressalta-se o qualificativo de “democráticas”, porque instituições, por definição, como bem lembrou Bruno Wanderley Reis, sempre funcionam. Duas respostas disputam nossas mentes e corações.

Súmula bibliográfica – Teoria Política e Filosofia Política

Publicações das áreas de Teoria Política e Filosofia Política em periódicos nacionais e internacionais de janeiro a junho de 2019. ADAMS, Suzi. Beyond a socio-centric concept of culture: Johann Arnason’s macro-phenomenology and critique of sociological solipsism. Thesis Eleven, v. 151, n. 1, p. 96–116, 2019. ADLOFF, Frank. Practices of Conviviality and the Social and Political Theory of Convivialism. […]