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Início > Sem categoria

O momento Bardella: crise política e a extrema-direita francesa

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Maria Raphaela Campello1

25 de março de 2026

Às vésperas das eleições municipais e a um ano das presidenciais, a política francesa atravessa um momento de instabilidade prolongada, marcado pela erosão simultânea de seus principais polos constitutivos. O macronismo, que se apresentou como resposta tecnocrática à crise dos partidos tradicionais, encontra-se hoje politicamente exaurido, confrontando-se com  sua incapacidade de produzir sucessão ou de sustentar uma maioria parlamentar estável. O presidente conta atualmente com sua mais alta taxa de impopularidade, rejeitado por 79% dos franceses, segundo sondagem recente. À esquerda, a fragmentação, a dispersão e os impasses estratégicos após ensaios de unidade revelam os limites de uma recomposição duradoura. Na Assembleia Nacional, essa crise assume forma triangular: três blocos de dimensões relativamente semelhantes — uma extrema-direita coesa, um centro articulado em torno do macronismo e da direita tradicional, e uma esquerda dispersa — neutralizam-se mutuamente, dificultando a formação de maiorias consistentes. O resultado é um arena política travada, no qual reformas estruturais tornam-se arenas de conflito permanente e se difunde a percepção de que a representação já não produz direção. É sobre esse pano de fundo que a extrema-direita se consolida como principal força do campo oposicionista.

A condenação de Marine Le Pen em primeira instância e o desdobramento do processo em grau de apelação introduzem um elemento adicional de incerteza no horizonte das eleições presidenciais de 2027. Considerada culpada por desvio de recursos do Parlamento Europeu — em um caso que envolveu o uso irregular de verbas destinadas a assessores parlamentares para financiar atividades partidárias na França —, a líder histórica do Rassemblement National (RN) enfrenta agora um cenário juridicamente ambíguo. Em segunda instância, as requisições foram atenuadas e a execução provisória da inelegibilidade deixou de ser pleiteada, mantendo aberta a possibilidade de candidatura. Sua elegibilidade, contudo, permanece condicionada ao desfecho da apelação e ao tempo disponível para uma eventual campanha. O episódio fragiliza politicamente a liderança que, até aqui, estruturou a estratégia eleitoral e discursiva do partido, obrigando o RN a operar sob um cenário instável, no qual a continuidade de sua principal candidata já não pode ser tomada como dado. 

Não se pode deixar de notar a ironia do desfecho: o Parlamento Europeu, reiteradamente denunciado por Le Pen e seu partido como símbolo da usurpação da soberania popular, foi também um dos pilares materiais e políticos de sua consolidação ao longo das últimas décadas. Nesse espaço temporal, o RN acumulou visibilidade, legitimidade e, como demonstra a condenação, recursos. E é precisamente a partir dele que hoje se produz o constrangimento jurídico capaz de afastar sua principal liderança da disputa presidencial. Em outras palavras, a arena constantemente apresentada como ilegítima e exterior ao projeto soberanista da extrema-direita francesa não apenas se tornou condição de sua própria reprodução política como agora, ao voltar-se contra as finanças partidárias, coloca em risco a viabilidade organizativa do RN no próximo ciclo eleitoral. 

Mais do que um espaço de recursos e constrangimentos, o Parlamento Europeu converteu-se, ao longo dos últimos anos, em uma verdadeira incubadora política, funcionando como locus privilegiado de formação, socialização e projeção de uma nova geração da direita radical europeia, cujo maior expoente é Jordan Bardella. Nascido em 1995 e alçado por Marine Le Pen, ainda muito jovem, à condição de cabeça de lista do Rassemblement National nas eleições europeias de 2019, Bardella foi inicialmente percebido como um quadro imaturo, escolhido mais por sua lealdade e eficácia comunicativa do que por sua trajetória política propriamente dita. Hoje, no entanto, diante da fragilização judicial de Marine Le Pen, a centralidade política do eurodeputado convertido em presidente do RN deixa de ser apenas conjectural. Pesquisas recentes de intenção de voto indicam Bardella à frente da própria Le Pen em cenários de primeiro turno, sugerindo que sua projeção já se traduz em capital eleitoral autônomo. Em janeiro, o Instituto Ipsos divulgou barômetro político em que ele figura como candidato cuja ascensão à presidência suscitaria maior satisfação entre o eleitorado (35%), superando Marine Le Pen (33%) e Marion Maréchal (23%). É preciso conferir a esse extraordinário personagem, de ascensão fulminante, a atenção que lhe é devida.

Diferentemente de Le Pen, cuja trajetória combinou mandatos nacionais com uma longa presença no Parlamento Europeu, Bardella construiu-se politicamente quase exclusivamente nesse foro supranacional, jamais tendo exercido cargo eletivo na França. É a partir do Parlamento Europeu que ele vem se conformando e projetando como sujeito político, disputando desde dentro o significado da própria Europa e oferecendo uma leitura global da crise contemporânea. No artigo Crise hegemônica e reação: o caso de Jordan Bardella, publicado na Revista Esboços (UFSC), tomei seus discursos  como ponto privilegiado de observação da gramática política que se consolida no interior do Rassemblement National. Busquei lançar luz sobre a forma como o presidente do partido tem interpretado o mundo, a crise global e o lugar da Europa nessa conjuntura. O que está em jogo, nesse caso, não parece ser somente a sucessão de lideranças no interior do RN, mas a possibilidade de uma rearticulação mais ampla da gramática política da direita radical. 

A análise de suas manifestações nesse fórum demonstra a originalidade do europeísmo que formula: seu discurso realiza uma distinção sistemática entre “Europa” e “União Europeia”, o que lhe permite falar simultaneamente em nome da primeira e contra as instituições que a governariam de forma ilegítima. Em suas intervenções no Parlamento Europeu, o continente é pintado com as cores de uma civilização ameaçada, espaço histórico em declínio, fragilizado tanto por dinâmicas internas quanto por pressões externas. No centro dessa narrativa, imigração, demografia e identidade figuram como sintomas de um processo de dissolução cultural e política, reinscritos em chave civilizacional. A crise mundial da hegemonia americana e a posição frágil da Europa e da França nesse novo cenário, por sua vez, fazem ampliar e reorganizar as tramas discursivas do racismo diferencialista2 que corre nas veias do RN há três gerações. Nesse repertório, disputas geoeconômicas, dependências estratégicas e assimetrias industriais fundem-se em um mesmo drama existencial. 

Dito de outra maneira, Bardella coloca em equivalência registros distintos da crise, compondo um sistema semântico no qual multiculturalismo, abertura econômica e fragilização industrial passam a operar como expressões convergentes de um mesmo risco histórico. Trata-se de uma operação discursiva que desloca conflitos materiais diversos para um horizonte moral e civilizacional, no qual soberania, sobrevivência e identidade se reforçam mutuamente. Assim, decisões técnicas e arranjos institucionais são requalificados como escolhas históricas fundamentais, capazes de determinar a preservação — ou o desaparecimento — de uma civilização.

É nesse ponto que a especificidade da posição ocupada por Jordan Bardella no Parlamento Europeu se torna decisiva. De seu púlpito na arena supranacional, ele reivindica autoridade para interpretar o destino do continente como um todo. Sua crítica não se limita à França nem se ancora exclusivamente em repertórios nacionais: ela projeta uma leitura europeia da crise global, na qual o país figura como nação designada a desempenhar um papel dirigente. Neste registro, a soberania, se permanece ancorada no Estado-nação, é reinscrita em uma matriz civilizacional europeia que lhe confere densidade histórica e escala estratégica. As nações europeias são organizadas sob um horizonte comum, contraposto ao universalismo liberal encarnado por Bruxelas. Bardella apresenta-se, assim, como intérprete de uma reconfiguração geopolítica na qual a extrema-direita ambiciona atuar como ponta de lança na redefinição do novo (e incerto) lugar da Europa na ordem mundial que se desenha diante dela. 

Esse deslocamento ajuda a compreender por que a figura de Bardella não pode ser lida apenas como solução contingente diante dos constrangimentos jurídicos enfrentados por Marine Le Pen, indiferente do ponto de vista político-ideológico. Se, no discurso de Le Pen, a crise se enuncia a partir da centralidade da política nacional francesa, tendo o Estado como principal sujeito da perda e da reparação, em Bardella isso se desloca: ela é formulada como crise civilizacional europeia. Ao articular ameaça existencial e promessa de restauração — o risco de “desaparecer” e a possibilidade da retomada do velho esplendor europeu —, seu discurso transforma as incertezas estruturais da transição hegemônica em um drama político inteligível, afetivo, urgente — e com horizonte de superação. O sucesso desse enquadramento reside justamente em sua capacidade de transformar um futuro incerto em uma escolha binária: ou a Europa se reorganiza soberanamente sob nova liderança, ou aceita o destino da dependência e obsolescência. 

Mais do que uma disputa por espólio político ou sucessão, o que parece estar em jogo na direita francesa contemporânea é a consolidação de um modo específico de ler a crise do presente. Nesse cenário, a perda de espaço da Europa e da França no sistema-mundo tem forçado o país a se reposicionar. Concomitantemente, a crise política que já começa a tomar ares de perpetuidade fornece o palco ideal para que o próprio Rassemblement National cave seu espaço político. Este é o teatro ideal para que se observe a tentativa de articulação de uma nova gramática que reordena simbolicamente a crise. A partir dela, Jordan Bardella e seu partido pretendem disputar a França e o lugar do país à frente de uma Europa  — diz-se  — sob ameaça de morte. 

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!

  1. Bacharel em História (Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG) e em Relações Internacionais (PUC Minas), mestre e doutoranda em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP). E-mail: mariaraphaela.campello@gmail.com ↩︎
  2. O conceito de racismo diferencialista, formulado por Étienne Balibar, designa uma forma contemporânea de racismo que já não se expressa em termos de hierarquia biológica entre raças, mas na ideia de que determinadas culturas seriam essencialmente incompatíveis entre si. Nesse registro, a exclusão do “outro” é justificada não por sua inferioridade, mas pela suposta impossibilidade de convivência entre identidades culturais distintas. ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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