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Início > Política Nacional

A geografia do 8 de janeiro: o que explica a violência política no Brasil?

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Daniel A. de Azevedo1
Aimãn Ibrahim Mourad2
Gustavo Sousa Resende3

6 de maio de 2026

***

O Boletim Lua Nova publica, a seguir, um texto de divulgação do artigo “Geografia do ressentimento e violência populista: a invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023”, publicado na edição 31 da revista Opinião Pública.

Agradecemos aos autores pela generosidade em compartilhar conosco esta reflexão, que oferece uma contribuição relevante para os debates sobre o 8 de janeiro no Brasil e sobre suas implicações para a democracia brasileira.

***

Este texto apresenta, em linguagem de divulgação científica, os principais resultados de um artigo publicado na revista Opinião Pública4, no qual analisamos, a partir de uma perspectiva geográfica, a origem dos participantes da invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. O objetivo é tornar acessível a um público mais amplo uma investigação que buscou responder a uma pergunta central: quem eram essas pessoas e de onde elas vieram?

Naquele dia, o Brasil assistiu a uma cena que parecia improvável poucos anos antes: a invasão e depredação dos prédios-sede do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, em Brasília. O episódio rapidamente foi interpretado como vandalismo, tentativa de golpe ou insurreição, dependendo do ponto de vista. Mas, para além dessas classificações, compreender o que ocorreu exige ir além das explicações imediatas e olhar para o fenômeno de forma mais ampla, levando em conta não apenas motivações individuais, mas também os contextos sociais, políticos e espaciais que tornam esse tipo de mobilização possível.

Nos últimos anos, o conceito de populismo tem sido amplamente utilizado para interpretar fenômenos políticos em diferentes partes do mundo. Embora não haja uma definição única, há certo consenso de que o populismo opera a partir de uma divisão moral da sociedade entre um “povo” supostamente virtuoso e uma “elite” corrupta ou distante. Essa narrativa simplifica conflitos complexos e tende a deslegitimar instituições democráticas, como o sistema eleitoral, o Judiciário ou a imprensa. Em muitos casos, ela vem acompanhada de um apelo a lideranças fortes, capazes de “restaurar” a ordem e corrigir injustiças percebidas.

No entanto, nem todo apoio a líderes ou agendas populistas se traduz em violência. Por isso, uma parte importante da literatura recente tem buscado diferenciar o comportamento eleitoral — votar em um candidato populista — daquilo que se convencionou chamar de violência populista. Esse conceito se refere ao uso ou à legitimação da força para impor uma visão política, geralmente associada à crença de que as instituições foram capturadas por inimigos do “povo”. Nessa lógica, a violência deixa de ser vista como um desvio e passa a ser interpretada como uma ação necessária — ou até legítima — para restaurar uma ordem moral e política considerada perdida.

O caso brasileiro se insere diretamente nesse debate. A ascensão do bolsonarismo mobilizou elementos típicos do populismo contemporâneo: forte crítica às instituições, polarização intensa e construção de antagonismos claros entre “nós” e “eles”. Ainda assim, como mostram diversos estudos, o eleitorado de Jair Bolsonaro é heterogêneo e composto por múltiplas motivações — econômicas, morais e políticas. Isso significa que não é possível assumir uma relação automática entre votar em Bolsonaro e participar de atos como os do 8 de janeiro. A violência populista, portanto, deve ser entendida como um fenômeno mais restrito, seletivo e condicionado por fatores adicionais.

Foi justamente a partir dessa distinção teórica que o artigo buscou avançar. Com base em um banco de dados original construído a partir dos indivíduos presos no dia 8 de janeiro, investigamos se havia padrões espaciais capazes de explicar a mobilização. A pergunta central era direta, mas suas implicações são amplas: existe uma “geografia” da violência populista no Brasil?

Os resultados indicam que sim, mas de forma mais complexa do que se poderia supor. A mobilização que culminou no 8 de janeiro foi nacional, com participantes vindos de todas as regiões do país. Ainda assim, essa distribuição foi desigual. Houve maior concentração de participantes nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, enquanto o Nordeste teve participação proporcionalmente menor. A proximidade com Brasília ajuda a explicar parte desse padrão, mas não é suficiente: houve deslocamentos de longa distância, o que aponta para a existência de redes de mobilização mais amplas.

Nesse sentido, um dos achados mais relevantes da pesquisa diz respeito ao papel da infraestrutura. Participar de um evento como o 8 de janeiro não depende apenas de disposição política, mas também de condições materiais. A malha rodoviária mostrou-se fundamental para viabilizar o deslocamento de caravanas até a capital federal. Regiões mais bem conectadas por rodovias apresentaram maior participação, sugerindo que a violência política, nesse caso, não foi apenas ideológica, mas também logística. Em outras palavras, não basta compartilhar de uma visão de mundo — é preciso ter meios concretos de transformá-la em ação.

Outro aspecto central diz respeito ao perfil dos municípios de origem. De modo geral, as maiores taxas de participação vieram de municípios menores, menos urbanizados e fora de regiões metropolitanas. Esse padrão dialoga com o que tem sido chamado de “geografia do ressentimento”, conceito que busca explicar por que determinados territórios se tornam mais receptivos a discursos populistas e, em alguns casos, à radicalização política. Nesses espaços, sentimentos de abandono, perda de status ou desconfiança institucional tendem a se acumular ao longo do tempo, criando um ambiente propício à mobilização baseada na oposição a mudanças sociais percebidas como ameaçadoras.

O caso brasileiro, contudo, apresenta especificidades importantes. Entre as variáveis analisadas, o peso da agropecuária na economia local se destacou como um fator relevante. Municípios com maior PIB agropecuário per capita apresentaram maior participação na invasão, mesmo quando controlados outros fatores. Esse resultado sugere que o agronegócio não é apenas uma base eleitoral significativa, mas também um espaço de mobilização política com capacidade organizativa. Evidências externas indicam que empresários do setor contribuíram para financiar caravanas, o que reforça a ideia de que a mobilização não foi puramente espontânea, mas articulada por atores com recursos e interesses definidos.

Por outro lado, nem todos os fatores associados ao voto bolsonarista se repetem na explicação da violência. Um exemplo importante é o crescimento da população evangélica. Embora haja forte correlação entre esse fator e o apoio eleitoral a Bolsonaro, os dados mostram que ele não teve o mesmo efeito na mobilização para o 8 de janeiro. Isso reforça a ideia de que a violência populista não pode ser explicada apenas por identidades políticas ou religiosas, mas depende de uma combinação mais específica de condições.

O conjunto desses resultados aponta para uma conclusão mais ampla: a violência política não se distribui de maneira aleatória no território. Ela emerge da articulação entre fatores ideológicos, socioeconômicos e logísticos. No caso do 8 de janeiro, isso inclui desde o apoio político mais engajado até a existência de infraestrutura de transporte e redes de financiamento capazes de viabilizar a ação. Trata-se, portanto, de um fenômeno simultaneamente político e territorial.

Compreender essa dimensão espacial é fundamental para pensar os desafios contemporâneos da democracia no Brasil. A radicalização que levou aos eventos de janeiro de 2023 não foi um episódio isolado, mas a expressão de tensões mais profundas, que se manifestam de forma desigual no território. Levar essa geografia a sério é um passo importante não apenas para interpretar o passado recente, mas também para refletir sobre os riscos e as possibilidades da democracia brasileira no futuro.

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova! 


Fonte imagética: Obra “8 de janeiro de 2023”, do artista plástico Vik Muniz. A obra foi registrada em fotografia e reconstrói a imagem do Palácio do Congresso Nacional a partir de vidro despedaçado, cartuchos de balas e restos de carpete azul coletados após a invasão ao Senado em 2023. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:8_de_janeiro_de_2023#/media/File:Obra_8_de_janeiro_de_2023_(53589459283).jpg 


  1. Professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade de Brasília – daniel.azevedo@unb.br ↩︎
  2. Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Administração.Centro Universitário FEI. aimourad@fei.edu.br ↩︎
  3.  Geógrafo, mestrando na Universidade de Brasília, Departamento de Geografia guga10230@gmail.com ↩︎
  4. AZEVEDO, Daniel Abreu de; MOURAD, Aimãn Ibrahim; RESENDE, Gustavo Sousa. Geografia do ressentimento e violência populista: a invasão da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Opinião Pública, Campinas, v. 31, p. 1–32, e31123, 2025. DOI: http://doi.org/10.1590/1807-0191202531123 ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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