Cultura Pop, “Rage Bait” e a Estratégia da Casa Branca nos Vídeos da ICE

Por Acza Rodrigues. Além de Grammys e carreiras promissoras, SZA, Sabrina Carpenter e Olivia Rodrigo têm em comum uma recente turbulência, envolvendo a Casa Branca. As artistas tiveram suas músicas utilizadas em vídeos de divulgação das ações da ICE, a Polícia de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos. O órgão tem estado no centro de uma série de controvérsias desde o início do segundo mandato de Donald Trump, período marcado pela expansão e pela intensificação das políticas migratórias repressivas. A imigração, vale lembrar, foi um dos principais eixos da campanha presidencial de Trump. Nela, prometeu executar a maior deportação da história do país, reforçando um discurso de criminalização e endurecimento contra populações migrantes.
Populismo e o misticismo bolsonarista

Por Rafael Marchesan Tauil. Muito já se falou sobre o obscurantismo bolsonarista. Aqui me refiro ao bolsonarismo não apenas como um movimento que agrega eleitores de Jair Bolsonaro e seus familiares, mas também eleitores e atores políticos da ultradireita, que se identificam com o modus operandi do capitão. É importante lembrar que a palavra obscurantismo carrega uma carga semântica pesada no Brasil e está, por vezes, relacionada a seitas, rituais satânicos e até a religiões de matriz africana. O misticismo, por outro lado, está relacionado a experiências transcendentais reveladoras, às práticas holísticas de curas, entre outras.
Trump e a Decomposição da Ordem Internacional

Williams Gonçalves 30 de janeiro de 2026 Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica a análise de William Gonçalves dos efeito do governo Trump na ordem internacional. O texto foi originalmente publicado em 21 de janeiro de 2026, no site do OPEU. *** O mundo inteiro acompanha […]
“Diga-me para onde viajas e eu te direi quem és”: o lazer como uma lente sobre a classe média urbana brasileira

Celi Scalon Matheus Alves Lira Manuela Peclat Lançando um olhar sobre um passado não tão distante, quando linhas telefônicas eram um investimento declarado no imposto de renda e possuir uma televisão colorida era um nítido marcador de classe e status social, a classe média urbana brasileira reflete, na atualidade, de que maneira se redesenham suas […]
O Negativo da Lei Natural: a linguagem de Marcel Proust

“todos admitem que só pode haver direito natural se os princípios do direito forem imutáveis […] [e] a vida conforme à natureza é a da excelência humana […] [de modo que] o melhor regime […] é conforme à natureza […] [e] o melhor regime [de acordo à natureza] é aquele no qual os homens excelentes, […]
O Xerife Sai à Ronda: “Caçar. Encontrar. Acabar.” A Nova Gramática do Poder

Por Marcus Tavares. O universalismo que se consolida após a queda da URSS oferta uma narrativa que solucionava um problema de coordenação: como manter legitimidade para uma ordem que já não precisa competir com um adversário sistêmico? A resposta foi elevar princípios — democracia liberal, mercados abertos, direitos humanos — à condição de linguagem comum. Em termos gelsonianos, tratou-se do esforço de transformar poder em “espaço de proposição”: isto é, converter interesses particulares em enunciados com potencial de aceitação, por meio de argumentos explicativos na fronteira entre moralidade, direito e política.
Back to the future?: O sequestro de Nicolás Maduro à luz da história

Por Bernardo Ricupero. Em 1902, Alemanha, Reino Unido e Itália bombardearam portos venezuelanos. Alegaram que o país não pagara dívidas. Tal ação claramente violou a “Doutrina Monroe”, estabelecida em 1823 pelo então presidente dos EUA James Monroe, e, segundo a qual, seu país não aceitaria a intervenção de potências europeias nos negócios americanos, assim como não se envolveria nos negócios do Velho Mundo.
De Quem é a Responsabilidade? Alta Inadimplência, Superendividamento e as Engrenagens do Crédito no Brasil

Por Julio Leandro, Maria Paula Bertran e Lena Lavinas.
O crédito à pessoa física no Brasil, longe de cumprir sua promessa como instrumento de mobilidade social, planejamento financeiro ou melhora de bem-estar, tem muitas vezes se consolidado como um mecanismo de aprisionamento da renda e ampliação da vulnerabilidade econômica. Em vez de oferecer proteção ou oportunidade, o sistema de crédito opera como uma engrenagem regressiva, que transfere recursos dos mais pobres para o sistema financeiro e reforça desigualdades pré-existentes.
EUA e Israel Aproveitam Protestos no Irã para Avançar Instabilidade Regional

O segundo ano do governo Trump começou atribulado. Em 3 de janeiro, Trump sequestrou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após ataques e bombardeios na capital, Caracas. A ação foi acompanhada de discursos ameaçadores a Cuba e Colômbia – países que, de acordo com Trump, poderiam ter o mesmo destino da Venezuela –, além das constantes ameaças de anexação da Groenlândia. Nesta mesma primeira semana do ano, do outro lado do mundo, milhares de iranianos tomaram as ruas de diversas regiões do país para protestar contra a enorme e incontrolável inflação que desvalorizou brutalmente a moeda, prejudicando, sobretudo, a classe média e comerciantes locais.
A violência e o bolsonarismo: reflexões a partir de “Escolha sua distopia (ou pense pelo avesso)”

O livro “Escolha sua distopia (ou pense pelo avesso)” gira em torno de algumas perguntas: Como chegamos até aqui? Por que o Rio de Janeiro foi o berço do neofascismo? O que isso tem a ver com a perda de controle sobre as polícias e a emergência das milícias? Por que segurança pública é uma questão política central para o país? Como se relacionam a moeda, o fetichismo da mercadoria, a violência e o capitalismo? Qual o nexo entre genocídio racista e compulsão à repetição? Direito e psicanálise se escutam? Por que 2013 ainda é uma esfinge? Quais os obstáculos ao diálogo intergeracional no ambiente de intelectuais e ativistas? Como pensar o humanismo depois de sua derrocada? Ou, em outras palavras, como escapar tanto do humanismo universalista, quanto das armadilhas do relativismo, exorcizando, na medida do possível, o senso comum, inimigo do conhecimento e da reflexão crítica?