50 anos do golpe militar na Argentina: o que ainda move o interesse pelo tema?

Ana Carolina Balbino 26 de março de 2026 No último 24 de março, completaram-se  50 anos do golpe que colocou a Argentina sob comando de uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina. O país, acostumado a um histórico de intervenções militares e violência política, viveu nos seis anos seguintes um script de terror. Para […]

O momento Bardella: crise política e a extrema-direita francesa

Maria Raphaela Campello 25 de março de 2026 Às vésperas das eleições municipais e a um ano das presidenciais, a política francesa atravessa um momento de instabilidade prolongada, marcado pela erosão simultânea de seus principais polos constitutivos. O macronismo, que se apresentou como resposta tecnocrática à crise dos partidos tradicionais, encontra-se hoje politicamente exaurido, confrontando-se […]

De nietos apropiados a pessoas memoriais: uma entrevista com Aline Lopes Murillo

Sofia Pieruccetti Gutierrez 24 de março de 2026 O plan sistemático de apropiación de menores foi uma prática da ditadura argentina (1976-1983) que consistia no sequestro coordenado de bebês e crianças filhos de militantes políticos opositores ao regime. Parte do plano mais amplo de desaparecimento de pessoas e com o objetivo de eliminar a “subversão” […]

Habermas: tensões e atualidade de uma obra viva

Por André da Silva e Guilherme Cardoso de Moraes. No dia 14 de março de 2026 faleceu, aos 96 anos, Jürgen Habermas, um dos principais intelectuais do século XX e início do XXI. A morte de Habermas encerra uma obra que permanece, em muitos sentidos, contemporânea de nossas inquietações mais urgentes. Poucos filósofos conseguiram articular, com semelhante ambição, uma reconstrução dos pressupostos teóricos e normativos da modernidade capaz de dialogar simultaneamente com a teoria social, o direito e a política. Autor de uma produção vasta e decisiva para as humanidades, sua voz também se fez presente no debate público, nunca se furtando a intervir em questões, por vezes controversas, que atravessaram seu tempo.

PCC e CV e a Tipificação do Terror

Por Acza Rodrigues e Carolina Weber. Na última terça-feira (10/3), a discussão sobre a tipificação de organizações criminosas ganhou novos contornos no caso brasileiro. Reportagens indicam que o governo dos Estados Unidos avalia classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. A possibilidade reacende debates não apenas sobre os limites entre terrorismo e crime organizado transnacional, mas, principalmente, sobre as implicações políticas e jurídicas desse tipo de enquadramento. Para o governo brasileiro, uma classificação dessa natureza pode ampliar o alcance de instrumentos de política externa e segurança dos Estados Unidos, levantando preocupações relacionadas à soberania nacional e ao risco de legitimação de pressões, sanções ou outras formas de atuação externa em temas considerados parte da segurança interna do país. 

Palestina, terra santa

Por Jean Tible. Protestos pelas vidas palestinas eclodem em tantos pontos do planeta, da Malásia aos EUA, de Londres a Bogotá. Esses compõem uma terceira onda das revoltas globais (Sri Lanka, Sérvia, Nepal, Bangladesh, Indonésia, Filipinas, Madagascar, Marrocos, Peru e mais), depois da primeira a partir do fim de 2010 (Tunísia, Egito, Síria, Espanha, Grécia, Occupy, Taksim, 2013 brasileiro e tantas) e da segunda em 2019 (Sudão, Hong Kong, coletes amarelos, vidas negras importam, Chile, Equador, Colômbia, Haiti e Argélia, dentre outras), travada parcialmente pela pandemia.

Perspectivas sobre a Eleição Presidencial de 2024 e suas Consequências Imediatas

Por Wayne Selcher. Muito apropriadamente, e com base na situação nacional e nas pesquisas de palavras dos usuários de seu dicionário online, o Merriam-Webster selecionou “polarização” como sua palavra para o ano de 2024, denotando “divisão em dois opostos nitidamente distintos; especialmente, um estado em que as opiniões, crenças ou interesses de um grupo ou sociedade não variam mais ao longo de um continuum, mas se concentram em extremos opostos”.

On the Front Lines of Climate Justice: Environmental Crime and State Fragility in the Brazilian Amazon

Por Deborah De Felice, Giuseppe Giura e Vicente Riccio. The Amazon rainforest is often described as the “lung of the world.” The phrase circulates widely in media headlines, political speeches, and international summits, evoking an image of a vast green sanctuary quietly sustaining life across the planet. Yet this familiar metaphor risks obscuring a far more complex reality. Behind the global concern for biodiversity and carbon emissions lies a territory shaped by poverty, fragile institutions, informal economies, and expanding criminal networks. Climate change, in this context, is not only an environmental crisis. It is also a social, legal, and political one.