A ordem monetária e financeira internacional no pós-crise de 2008

Por Debora Garcia Gaspar. O imediato pós-Crise Financeira Global (CFG), a partir de 2008, abriu a discussão sobre o Sistema Monetário e Financeiro Internacional (SMFI), e os elementos políticos que o ordenam, de forma bastante ampla, evocando possibilidades de transformação que pareciam interditadas até então. Iniciando com discursos políticos, tanto denunciatórios — como os de Lula e de Cristina Kirchner, na Assembleia Geral da ONU, sobre o mercado financeiro desregulado do Norte Global —, como propositivos — como o do Presidente do Banco Central Chinês sobre a necessidade de uma moeda verdadeiramente internacional para compensações financeiras entre países —, o debate aos poucos reverberou na academia, desdobrando-se em propostas teóricas. No artigo publicado na Revista Carta Internacional, recupero alguns elementos desse debate, articulando a noção de ordem monetária e financeira internacional com os mecanismos de gestão do SMFI implementados a partir da crise de 2008. 

‘I Want You’ (again): Trump 2.0 e a retomada do debate sobre alistamento militar nos EUA

Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica, em duas partes, a análise de Clarissa Nascimento Forner sobre a retomada do debate de alistamento militar nos Estados Unidos. Este texto é parte de uma série do OPEU sobre as forças armadas estadunidenses. O texto foi originalmente publicado em 29 de julho de 2026, no site do OPEU.

A desigualdade polariza a política? Depende de qual desigualdade e de qual polarização

Por Pedro M. R. Barbos e Arthur Z. Guerriero
Na última década, houve uma crescente preocupação com o recrudescimento da polarização política em diversas democracias, particularmente porque tal fenômeno passou a ser associado aos processos de erosão democrática observados nesse período. Na ciência política, uma hipótese recorrente sustenta que a polarização política constitui um reflexo do aumento da desigualdade econômica nas democracias. Essa hipótese foi inicialmente formulada a partir do caso dos Estados Unidos, que, desde a década de 1970, apresenta um processo concomitante de acirramento da animosidade entre republicanos e democratas — tanto no nível das elites políticas quanto no da sociedade — e de aprofundamento da desigualdade econômica no país. Mais recentemente, contudo, essa hipótese tem sido também explorada para entender a polarização em outras democracias, especialmente as europeias.

“Certo nível de concentração de riqueza é prejudicial para a economia”: Entrevista com a economista belga Ingrid Robeyns

O  Boletim Lua Nova republica, na coluna de hoje, a entrevista com a economista e filósofa Ingrid Robeyns, originalmente publicada no portal uruguaio Brecha (edição 2111, de 8 de maio de 2026). Para a autora, catedrática do Instituto de Ética da Universidade de Utrecht (Países Baixos) e professora visitante no Centre for Analysis of Social Exclusion da London School of Economics, deveria existir um teto para o quanto de riqueza uma única pessoa pode acumular. É o que ela chama de limitarismo, tese que desenvolveu no livro Limitarisme (2023), em que argumenta que, no mundo contemporâneo, a concentração de riqueza ameaça a coesão social, a democracia, o meio ambiente e a própria economia capitalista. Agradecemos aos autores e ao Brecha pela gentil autorização para esta republicação. 

“Certo nível de concentração de riqueza é prejudicial para a economia”: Entrevista com a economista belga Ingrid Robeyns

Por Andrea Vigorito e Gustavo Pereira. O  Boletim Lua Nova republica, na coluna de hoje, a entrevista com a economista e filósofa Ingrid Robeyns, originalmente publicada no portal uruguaio Brecha (edição 2111, de 8 de maio de 2026). Para a autora, catedrática do Instituto de Ética da Universidade de Utrecht (Países Baixos) e professora visitante no Centre for Analysis of Social Exclusion da London School of Economics, deveria existir um teto para o quanto de riqueza uma única pessoa pode acumular. É o que ela chama de limitarismo, tese que desenvolveu no livro Limitarisme (2023), em que argumenta que, no mundo contemporâneo, a concentração de riqueza ameaça a coesão social, a democracia, o meio ambiente e a própria economia capitalista. Agradecemos aos autores e ao Brecha pela gentil autorização para esta republicação. 

Lá e De Volta Outra Vez? Donald Trump e a Cúpula do G7 em Évian

Por Leonardo Ramos. Em 2026, após 23 anos, a Cúpula do G7 ocorreu novamente na cidade de Évian, França, marcando um ponto relevante na trajetória diplomática de Donald Trump com relação ao grupo. Conhecido por, desde seu primeiro mandato, esvaziar a relevância do G7 e desafiar o multilateralismo, o presidente estadunidense adotou em Évian uma postura que, embora ainda centrada em sua lógica transacional e em sucessos bilaterais, permitiu uma rara convergência de interesses entre os países do G7 em um delicado momento da conjuntura internacional.  

Clima, justiça e democracia: três reflexões filosóficas sobre uma transição energética justa

Por Diana Piroli. Nos últimos anos, o debate sobre a mudança do clima deixou de ser um assunto distante e passou a ocupar o centro da conversa pública nas democracias do Sul Global, especialmente na América Latina. No Brasil, por exemplo, sobretudo ao longo dos últimos quatro anos – durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores) –, a discussão sobre uma transição energética justa saiu dos círculos especializados e entrou de vez no cotidiano. Hoje, ela não aparece apenas no debate político, mas também nas casas de milhões de brasileiros e brasileiras – no intervalo das novelas, nos telejornais e nas conversas do dia a dia. Mas, afinal, o que significa uma transição energética justa?

A democracia entre liberalismo e iliberalismo

Por Delamar José Volpato Dutra. O mundo conta com 195 países. Segundo o Democracy Index da revista The Economist, que analisou 167 deles, apenas 25 destes últimos são democracias plenas, sendo 46 classificados como democracias imperfeitas. O primeiro da lista é a Noruega e o último a Moldávia. Nas Américas, Uruguai e Canadá constituem as únicas democracias plenas. Os Estados Unidos e o Brasil ocupam a 28ª e a 57ª posição, respectivamente. Regimes híbridos totalizam mais 36 e os autoritários são em número de sessenta.

Justiça Rawlsiana e Democracia Política: Argumentos Democráticos, Implicações Distributivas

Por Guilherme Cardoso de Moraes. Grande parte da legitimidade que atribuímos à democracia vem da ideia de que ela é uma forma de governo em que todos devem participar em condições de igualdade. Entre suas conquistas mais importantes está justamente a consolidação da igualdade política: a noção de que diferenças de renda, riqueza, raça ou gênero não podem servir como justificativa para excluir cidadãos da vida política ou reduzir sua capacidade de participar das decisões coletivas. É isso que distingue, em princípio, uma democracia de regimes oligárquicos ou autoritários.