Homenagem ao Embaixador José Augusto Lindgren Alves e ao Juiz Antonio Augusto Cançado Trindade

Por Gilberto V. Saboia. O Boletim Lua Nova republica a homenagem de Gilberto Vergne Saboia ao embaixador José Lindgren Alves e ao Juiz Antonio Augusto Cançado Trindade, realizada no evento “A Importância da Reconstrução das Políticas de Direitos Humanos no Brasil”, organizado pelo Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia e Memória (GPDH-IEA) do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo, em parceria com o Núcleo de Direito e Direitos Humanos (Cedec), e publicada no número 116 da Revista Lua Nova.

Eleições 2022: o Brasil na América do Sul[1]

Por Talita São Thiago Tanscheit. As eleições brasileiras de 2022 são determinantes para o futuro da América do Sul. O país, além de possuir a maior economia, dispõe da maior população e extensão territorial da região. O Brasil também tem uma posição chave do ponto de vista internacional, e liderou por muito tempo a estratégia de integração e cooperação sul-americana.

Quem tem medo de Julio Antonio Mella?

Por Deni Alfaro Rubbo. A breve trajetória do intelectual-militante cubano Julio Antonio Mella (1903-1929) pode ser comparada a um filme de ação com desfecho trágico. Como se Mella tivesse vivido diversas vidas em uma só, guiado por uma inabalável profissão de fé: a ação revolucionária. Marxista subversivo, incendiário e romântico, foi um dos personagens mais emblemáticos e emocionantes da história da esquerda latino-americana.

O futebol e a produção currículo-pedagógica das diferenças no Pantanal

Por Tiago Duque. Em uma pesquisa finalizada recentemente (DUQUE, 2020), estudei gênero, sexualidade e diferenças na fronteira Brasil-Bolívia, mais precisamente no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Lá, há quase duas décadas, há o “Amistoso da Diversidade”, uma partida de futebol anual composta por dois times, o das “Poderosas” e o das “Imbatíveis”, formados exclusivamente tanto por gays como por travestis, sendo, respectivamente, um da cidade de Ladário e o outro de Corumbá. O estudo envolveu entrevistas semiestruturadas e etnografia on-line e off-line. A análise se deu a partir de uma perspectiva teórica pós-crítica (PARAÍSO, 2014).

Resgatando velhas teses: perspectivas eleitorais para a Câmara dos Deputados em 2022 

Por Raul Bonfim e Vítor Sandes-Freitas. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apontam que 87% dos deputados federais eleitos em 2018 irão concorrer à reeleição esse ano. Esse percentual representa um aumento de 8% em relação à legislatura anterior. Em artigo publicado no jornal Valor Econômico, Joyce Luz destaca que entre 1990 e 2018, em média, 64% dos deputados federais que disputaram a reeleição obtiveram sucesso. Segundo a pesquisadora, caso esse padrão se mantenha, existe alta probabilidade de que mais da metade dos assentos da Câmara dos Deputados sejam novamente ocupados por incumbentes.

Os burocratas de nível de selva: por um novo olhar sobre os indigenistas

Por Leonardo Barros Soares. Começo esse texto com duas confissões. A primeira é que fiquei emocionalmente muito abalado com as mortes do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips no Vale do Javari em meados de junho. Por dever de ofício e, sobretudo, por ser humano, acompanhei o drama cujo desfecho trágico é de conhecimento de todos. Não consigo, no entanto, até hoje, conhecer os detalhes de tão pavoroso evento. Tampouco consegui ouvir o vídeo que tanto circulou nas redes sociais de Bruno cantando uma canção indígena. Não consigo e nem sei se conseguirei um dia. Dá para ver, na imagem sem som, que ele está feliz, no meio da floresta. Eu sei que é um momento muito bonito, muito delicado e absurdamente humano. Por isso não consigo. É demais para mim.

As leituras do empresário industrial de Fernando Henrique Cardoso

Por Daniela Costanzo Rafael Marino. A obra que resultou da tese de livre-docência do sociólogo Fernando Henrique Cardoso, publicada em livro em 1964 com o título Empresário Industrial e Desenvolvimento Econômico no Brasil, continua despertando debates, leituras e interpretações. À época da publicação isso já aconteceu, visto que o livro oferecia uma nova leitura sobre as possibilidades de uma aliança entre forças progressistas e a burguesia industrial – saída política até então trazida à baila, principalmente, pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) – e, ainda, fornecia o que poderia ser lido como uma interpretação ao golpe militar de 1964. Recentemente, a obra de FHC foi retomada por André Singer (2015; 2018) para explicar a derrocada do que chamou de ensaio desenvolvimentista de Dilma Rousseff. Tal utilização da tese de Cardoso despertou novos debates sobre o empresário industrial no Brasil.

Nessas eleições mais uma vez o ódio sai do armário

Por Juliana Inez Luiz de Souza. Os números, infelizmente, são velhos conhecidos. O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres (FBSP, 2022; IPG, 2016) e o que mais mata pessoas LGBT+ , principalmente pessoas trans, no mundo (ACONTECE; ANTRA; ABGLT, 2022; BOHRER, 2022; PINHEIRO, 2022). Nestas eleições não podemos banalizar a influência dos discursos de violência, ódio e medo que também foram mobilizados como “arma política” nas disputas anteriores.

Reginaldo Moraes – Palavra engajada

Por Sebastião Velasco e Cruz. Organizado poucos meses depois de seu falecimento, o livro Palavra engajada. Exercícios de crítica e pedagogia política reúne uma fração do conjunto dos textos de intervenção – artigos curtos, dirigidos ao público em geral – que Reginaldo Moraes escreveu nos últimos anos de sua caminhada. O livro foi publicado em versão eletrônica pela Editora da Fundação Perseu Abramo, em 2020, e está para sair em papel ainda este ano, em coedição da Perseu Abramo com a Editora Unesp.

A Vaza Jato como objeto sociológico

Por Amanda Lima e Lucas Pilau. “Por que a Vaza Jato não se tornou um escândalo político?”. Atentos aos noticiários e ao conteúdo das reportagens publicadas pelo The Intercept Brasil a partir de junho de 2019, essa foi a primeira questão que levantamos em nosso esforço de pensar a série de reportagens denominada Vaza Jato como objeto sociológico. Tendo observado a ausência de uma produção nas Ciências Sociais sobre esse importante evento do mundo político, começamos a elaborar um plano de trabalho que fosse capaz de tratar dos impactos da Vaza Jato e de seus desdobramentos. Mas como fazer isso?