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Início > Sem categoria

O Entorno Estratégico como elemento comum nos idealizadores da Grande Estratégia Brasileira

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Nicole Enes1

24 de fevereiro de 2026

***

Esta Série Especial do Boletim Lua Nova reúne, ao longo dos próximos meses, reflexões produzidas pelo Grupo de Estudos e Pesquisa em Política Externa (GEPEX), da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), coordenado por Cristina Pacheco. Criado em 2009, o GEPEX dedica-se à formação e à pesquisa em Relações Internacionais, com ênfase, desde 2020, no campo das Potências Médias e nas articulações entre economia, diplomacia e segurança na formulação de estratégias nacionais. Os textos do Especial podem ser conferidos aqui.

***

Introdução

A Grande Estratégia (GE) brasileira teve grande influência de intelectuais da geopolítica brasileira, cuja evolução fica evidente nas reflexões produzidas por entre militares e diplomatas ao longo do século XX. 

O Brasil foi um dos pioneiros na América do Sul a formular um pensamento geopolítico, ainda na década de 1920 e 1930. Neste período surgiram nomes como Elyseo Carvalho, Everardo Backheuser, Carlos Delgado, Mário Travassos e Francisco de Paulo. O destaque fica para Mário Travassos, que lançou os fundamentos da geopolítica brasileira, na primeira metade do século XX (Neves, 2018). 

Mais recentemente, no começo dos anos 2000, o conceito de Entorno Estratégico foi inserido na Política Nacional de Defesa (PND-2005) e na Estratégia Nacional de Defesa (END-2008), aprovados pelo Parlamento. Neles, o Governo propõe uma política externa que se relacione com a diplomacia, com as políticas de defesa e de desenvolvimento econômico brasileiro (Rodrigues, 2017). Tal conceito é objeto de análise deste ensaio, que procura compreender seu surgimento e como ele se relaciona com a Grande Estratégia. 

Fundamentos teóricos da Grande Estratégia no pensamento brasileiro e a trajetória histórica do conceito de Entorno Estratégico 

A política externa no contexto em que Travassos estava inserido era marcada pela chancelaria do Barão do Rio Branco. Naquele período,  o país tinha como instrumento de política externa o desenvolvimento nacional e o multilateralismo em prol de uma industrialização, ainda que incipiente. Esse cenário de reorientação e valorização do relacionamento com a vizinhança, abre espaço para reflexões acerca da geopolítica brasileira como as de Mário Travassos. Um dos pontos de partida da sua teoria é o entendimento de que os Estados almejam obter diversas saídas para o mar e a dominação das bacias hidrográficas que estão ao seu alcance. 

Segundo o autor, as bacias hidrográficas sul-americanas são um elemento central da geopolítica do continente, visto que atravessam diversos Estados, e uma jurisdição diferente nessa área poderia levar a conflitos e interferir na estabilidade regional. Diante disso, desde meados do séculos XX, a atuação nas fronteiras e a manutenção de vias estratégicas já eram entendidos como elementos centrais de uma estratégia brasileira voltada para sua projeção a partir de seu entorno imediato (Neves, 2018).

Nos anos 50, Golbery do Couto e Silva contribuiu para os estudos da geopolítica e geoestratégica ao defender a inserção internacional do Brasil tomando como base a premissa de que somente um território seguro possibilita o funcionamento do país (Luz, 2015). Velhos temas e conceitos passam a ter novos sentidos e o contexto da Guerra Fria não se trata de uma guerra tradicional, é também política, psicológica, civil, ideológica. E nesse sentido, pensar a Estratégia consiste em abranger múltiplas dimensões da ação estatal (Couto e Silva, 1981).

Na década seguinte, as reflexões de Meira Mattos (1986) contribuem para a discussão ao considerar que a Estratégia decorre da Política, sendo esta a arte de executá-la, por meio de ações necessárias para se alcançar determinado objetivo. Esse entendimento funciona como base para a estruturação geopolítica mais abrangente, que ultrapassa a região sul-americana e objetiva projetar o Brasil como potência mundial.Tais elementos fundamentam sua proposta de inserção internacional ativa e ambiciosa, traduzida no projeto “Brasil Potência”, implementado no regime militar instaurado nas décadas seguintes (Freitas, 2004).

Em relação aos diplomatas, no âmbito da Política Internacional, San Tiago Dantas, Ministro das Relações Exteriores entre 1961 e 1962, apresenta  as linhas gerais da política externa do país. A primeira diretriz da PEB nesse período consistia  em uma posição de independência em relação aos blocos políticos-militares, a chamada Política Externa Independente (PEI) a qual permitiria uma autonomia decisória sem a necessidade de alinhamentos automáticos. Isso implicava na manutenção das relações com diferentes blocos de países, mas com ressalvas referentes aos compromissos regionais, como os no âmbito da OEA (Organização dos Estados Americanos). A segunda diretriz, por sua vez, prioriza a preservação da paz e do desenvolvimento, destacando as peculiaridades na ação internacional pautadas em ideais pacifistas, além de pontuar o compromisso com a democracia, desenvolvimento econômico e bem-estar social (Dantas, 1961).

Com o fim da Guerra Fria, o país retomou seu papel de interlocutor do multilateralismo e seu comprometimento com a gestão da ordem internacional. Gelson Fonseca Júnior foi um diplomata durante o governo de FHC, e compreende que o marco para essa guinada foi o modelo de inserção internacional batizado por ele de “autonomia pela distância”. Tal modelo se caracteriza por um não alinhamento específico, de forma a se aproximar com o “Terceiro Mundo”, mas mantendo relações e valores ocidentais (Lopes, 2013).

Essas diretrizes também foram presentes na gestão do Partido dos Trabalhadores (PT) (2003-2010), sob liderança do Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A diplomacia manteve elementos clássicos de pacifismo, multilateralismo e soberania, porém adaptada frente às mudanças estruturais do fim da Guerra Fria. Nesse contexto, a diplomacia buscou a chamada “autonomia pela diversificação”, caracterizada pela ampliação de parceiros, em especial das relações Sul-Sul (Amorim, 2010). 

Esse novo protagonismo regional e internacional, impulsionada pela diplomacia presidencial, demandou uma articulação mais robusta dos instrumentos externos do Brasil. Nesse sentido, Amorim (2010), afirma que a GE brasileira acoplou política externa e política de defesa, refletindo assim em soft power e hard power, principalmente diante de seu status de “provedor de paz”, sendo a diplomacia a primeira linha de defesa dos interesses, mas com respaldo na política de defesa (Amorim, 2010).

Em síntese, Celso Amorim se posicionou como um relevante elaborador e defensor de uma Grande Estratégia brasileira. San Tiago Dantas, apesar de não utilizar o conceito de GE, contribuiu com a ideias autonomistas de política externa relativas a desenvolvimento nacional e inserção internacional, sobretudo com o início do regime parlamentarista em que foi escolhido como Ministro de Relações Exteriores, sendo um dos formuladores da Política Externa Independente. 

Na revisão do PND (Decreto n° 5484/2005), o Entorno Estratégico foi delimitado como a América do Sul, incluindo sua projeção pela fronteira do Atlântico Sul e países lindeiros da África (Brasil, 2005). Embora a Antártica faça fronteira com o Atlântico Sul, assim geograficamente incluída nesse recorte, ela só foi de fato incluída como EE em 2012. Apesar desse fato, ainda no PND em 2005, a região foi incluída no documento como diretriz estratégica dos objetivos de Defesa Nacional com a participação ativa em processos decisórios da Antártica (Brasil, 2005). 

Figura 1 – Entorno Estratégico do Brasil

A definição das áreas que representam o Entorno Estratégico advém de uma construção peculiar ao pensamento estratégico e geopolítico brasileiro, e não segue padrões internacionais. A elaboração do conceito está intimamente ligada aos teóricos da Escola Superior de Guerra (ESG), como Golbery do Couto e Silva, que fundamentou o preceito binário de “Desenvolvimento e Segurança’’ posicionando o Brasil como um país com potencial para se tornar uma grande potência até o ano 2000 (Silva; Dawood, 2023).

Desse modo, a formulação do imaginário geopolítico elencou três principais âmbitos os quais o Brasil deveria se deter: “império’’ brasileiro, moldura continental e o mundo além do mar. Para Couto e Silva (1981, p.108-137) O Brasil é um império no sentido de possuir uma extensa fronteira continental e frente marítima, ou seja, proporções continentais. No âmbito da moldura continental, ele referiu-se às áreas ao redor do território brasileiro e ao relacionamento do país com seus vizinhos. Nessa perspectiva, defende que o Brasil deve se projetar internacionalmente, atuar com uma política de afirmação pacífica e incentivar uma consciência coletiva latina, de maneira a priorizar o desenvolvimento econômico na região. 

Em relação ao mundo além-mar, Couto e Silva (1981, p. 129) define dois hemiciclos de terra que cercam o Brasil. O hemiciclo interior corresponde a um raio médio de 10.000km que vai desde os EUA até a Antártida e passa pelo continente africano. Já o hemiciclo exterior representa desde a Europa Ocidental e Ásia até a Oceania. Para ele, historicamente o hemiciclo exterior representa ameaças para a América do Sul, já no hemiciclo interior reside a fronteira decisiva da segurança sul-americana, devido a sua capacidade de ação geopolítica e estratégica nesta região.

Extraindo a porção norte-americana, infere-se que a região contida neste hemiciclo corresponde ao Entorno Estratégico descrito no PND (2005). Para ele o entorno brasileiro, seria a retaguarda vital do Ocidente, constituído o conjunto triangular, America do Sul, África e Antártica(Medeiros, 2022). Nota-se então, os pontos de cruzamento entre a embriologia dos dois conceitos, Entorno Estratégico e Grande Estratégia brasileira, como origem militar, foco em autonomia para sua projeção, dimensão regional prioritária, junção de política externa e defesa, base geopolítica e a multidimensionalidade.

Sendo assim, ambos são partes complementares de uma mesmo raciocínio geopolítico, exclusivamente brasileiro, em que o primeiro define onde o estado deve concentrar sua atenção e recursos e o segundo como organizar seus meios e objetivos para atuar nesse espaço, sendo complementares e interligados.

REFERÊNCIAS

AMORIM, Celso. Brazilian Foreign Policy under President Lula (2003-2010): an overview. Revista Brasileira de Política Internacional, v. 53, ed. especial, p. 214-240, 2010. DOI: https://doi.org/10.1590/S0034-73292010000300013.

BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Proposta de Reestruturação do Programa de Desenvolvimento da Faixa de Fronteira: bases de uma política integrada de desenvolvimento regional para a faixa de fronteira. Brasília: Ministério da Integração Nacional, 2005.

COUTO E SILVA, Golbery do. Geopolítica e Geoestratégia; O Brasil e a Defesa do Ocidente. In: Conjuntura política nacional: o Poder Executivo & Geopolítica do Brasil. 3. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1981.

DANTAS, San Tiago. Programa de Governo: Política Internacional. Capítulo final do programa de Governo apresentado à Câmara dos Deputados pelo Presidente do Conselho de Ministros, Dr. Tancredo Neves. In: DANTAS, San Tiago. Coletânea de textos sobre Política Externa. [S.l.]: [s.n.], p. 95–104.

FREITAS, Jorge Manuel da Costa. A escola geopolítica brasileira. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Ed., 2004

LOPES, Dawisson Belém. “Eu vi o mundo”: o princípio do multilateralismo nas gestões de política externa de Cardoso e de Lula. Política Externa, São Paulo, v. 22, n. 2, p. 39–47, out./dez. 2013.

LUZ, Alex Faverzani da. Geopolítica do Brasil: a trajetória de Golbery do Couto e Silva e sua perspectiva no campo intelectual. Revista Ágora, Vitória, n. 22, p. 350–360, 2015. ISSN 1980-0096.

MATTOS, Carlos de Meira. A geopolítica brasileira – Predecessores e geopolíticos. Revista da Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, n. 39, p. 102–140, 1983.

NEVES, André Luiz Varella. A geopolítica da Amazônia no século XXI: o pensamento de Mário Travassos revisitado. Revista Brasileira de Estudos de Defesa, v. 5, n. 1, p. 87–114, jan./jun. 2018. DOI: 10.26792/RBED.v5n1.2018.75091.

RODRIGUES, Bernardo. Entorno estratégico brasileiro e integração regional. Diálogos Internacionais, Rio de Janeiro, 13 de fev. de 2017. Disponível em: <https://dialogosinternacionais.com.br/?p=1713>. Acesso em: 12 de dez de 2023.

SILVA, Antonio Ruy de Almeida; DAWOOD, Layla Ibrahim Abdallah. O conceito de entorno estratégico brasileiro: um diálogo entre as geopolíticas prática e formal. Revista Brasileira de Estudos de Defesa, v. 10, n. 1, p. 141–165, 2023. DOI: https://doi.org/10.26792/RBED.v10n1.2023.75365.


* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!

  1. Graduada em Relações Internacionais; Universidade Estadual da Paraíba; João Pessoa, PB; nicoleegomes@gmail.com ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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