Na pandemia movimentos sociais mostram sua força e competência

Por Paolo Colosso
Nos tempos pré-COVID, ações coletivas pautadas pela cooperação e solidariedade eram vistas como elementos residuais da vida social marcada pelos parâmetros liberais de conduta.  Mas o trauma coletivo gerado pela pandemia tem sido um choque que suspende os nexos sedimentados. Nesse estado de emergência vem à tona, ao mesmo tempo, o que produzimos de melhor e de pior em termos civilizatórios.

Pandemia, violência contra as mulheres e a ameaça que vem dos números

Por Wânia Pasinato e Elisa Sardão Colares
As primeiras notícias vieram da China: a crise sanitária provocada pela pandemia do COVID-19 e a quarentena imposta à população trouxe consigo o crescimento de denúncias de violência doméstica no país. Com base na entrevista divulgada pela rádio BBC, um periódico brasileiroiii alerta que as denúncias naquele país cresceram a partir de contatos telefônicos com ONGs que atendem vítimas de violência doméstica, registros em delegacias de polícia e através de uma hashtag criada para que vítimas e testemunhas pudessem denunciar a violência.

Resenha de: GRESPAN, Jorge. Marx e a crítica do modo de representação capitalista. São Paulo: Boitempo, 2019.

Por Bruna Della Torre
Para baixo, na toca do coelho. Quando Alice adentrou o país das maravilhas, notou que havia acontecido tantas coisas fora de lugar que pouca coisa parecia ser de fato impossível. Assim como Alice segue o coelho, Grespan segue Marx na investigação desse mundo invertido, de ponta-cabeça, opaco, onde as coisas não seguem a lógica tradicional e acontecem fora de lugar, que é o mundo capitalista. Aqui também pouca coisa parece impossível: o que não é vivo ganha vida; o que não tem valor ganha preço e as relações sociais tornam-se coisas. São as determinações da opacidade desse mundo, seu modo de representação, em analogia ao modo de produção capitalista, que Grespan busca explicar.

A pandemia do covid-19 na sua versão nativa: o que está em jogo

Por Amélia Cohn
O mantra presidencial de que com o Covid-19 “todos vocês vão se molhar mas não vão morrer afogados” é revelador. Primeiro, porque só os outros e não ele se molharão; ele está acima de deus. Segundo pela crueldade, já que a doença pelo vírus assemelha-se a uma sensação de “afogamento no seco”, como bem definiu uma de suas vítimas sobreviventes. Revela aí seu traço sádico.

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