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Início > Política Internacional e Estados Unidos

Pam Bondi, a Isca de Trump no Escândalo “Epstein Files” e na Passagem do SAVE Act

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Tatiana Teixeira1

20 de fevereiro de 2026

Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica a análise de Tatiana Teixeira do papel da procuradora-geral, Pamela Bondi, no escândalo “Epstein Files” e na discussão do SAVE Act . O texto foi originalmente publicado em 15 de fevereiro de 2026, no site do OPEU.

***

O pescador experiente sabe que as melhores iscas devem ser usadas para atrair os melhores peixes, ou para distrair grandes e ameaçadores tubarões, em caso de perigo iminente em águas revoltas. Donald Trump sabia o que estava fazendo quando indicou Pamela Bondi para o cargo de procuradora-geral em seu segundo mandato. Pam não foi a escolha mais consensual dentro do establishment jurídico republicano, não tinha o melhor currículo, nem teve uma esmagadora aprovação no Senado (54-46, com um voto democrata). Além de se enquadrar na estética feminina MAGA, ela atendia, contudo, aos critérios mais relevantes para fazer parte da atual administração: garantia de obediência e comprovada e feroz lealdade de uma true-believer, que se manifesta de forma ruidosa e estridente; privilegia narrativas ideológicas, no lugar de respostas técnicas; e adere ao culto personalista do líder, em detrimento dos interesses da sociedade e do próprio Estado. O preço dessa lealdade nós (ainda) não sabemos. 

A audiência com Pondi no Comitê Judiciário da Câmara de Representantes do Congresso dos Estados Unidos nesta semana será lembrada pela virulência das reações da sabatinada, com seu sorriso irônico, lançando ataques grosseiros e raivosos aos legisladores presentes. Também serão lembradas a completa ausência de respostas e a defesa aguerrida do presidente Trump e de seu governo. O tom e a intensidade de sua fala surpreenderam até mesmo os já acostumados com seu estilo de atuação pública. 

Seu comparecimento também deve ser considerado no contexto de aprovação, na Câmara (218-213, apenas um voto democrata), na mesma data, do projeto de lei Safeguard American Voter Eligibility Act (Lei de Proteção da Elegibilidade do Eleitor Americano), conhecido por seu acrônimo SAVE Act. A simultaneidade dos eventos merece atenção e levanta suspeição sobre sua “coincidência”. O texto impõe mudanças cruciais no processo eleitoral – como exigir comprovante de cidadania e um documento de identidade com foto de base de dados nacional –, que podem dificultar, ou mesmo impedir, a participação de segmentos sociais específicos nas urnas. Ou seja: enquanto o debate público se concentrava no espetáculo da audiência, uma alteração estrutural no processo eleitoral avançava quase sem ruído equivalente. 

De acordo com o Southern Poverty Law Center, pelo menos 21 milhões de americanos não têm cópia de sua certidão de nascimento, nem passaporte. Em sua maioria, conforme a mesma fonte, esse grupo é composto de pessoas negras ou pobres, eleitores que, salvo alguns desvios recentes, tendem a votar, historicamente, nos democratas. A briga deve ser dura no Senado, e sua aprovação, difícil. Se passar, porém, será um duro golpe para os democratas. De qualquer modo, a ameaça poderá permanecer: críticos da proposta dizem se tratar de um sinal político aos governadores trumpistas para que introduzam essas alterações na legislação estadual.

Estratégia trumpista 

À primeira vista, o circo montado por Pam parece ter sido excessivamente emocional, desproporcional e irracional. Essa é uma leitura um tanto descuidada do episódio e ignora o padrão estratégico mais amplo. O que vimos foi, na verdade, um comportamento nada aleatório e bastante coerente com as táticas de distração da estratégia trumpista para, entre outros fins, tumultuar o debate político; criar cortinas de fumaça; tentar blindar Trump (e vários membros de seu governo) de mais um escândalo, ao direcionar o suposto foco da culpa para outro alvo; ou ainda, facilitar a aprovação de peças legislativas controversas e de longo impacto. E há uma consistente série de ocorrências que ajudam a compor e corroborar esse argumento. 

A primeira delas é a mudança do papel do Departamento de Justiça e do seu grau de autonomia em relação à influência presidencial. Desde o escândalo de Watergate pelo menos, a agência buscou reforçar sua independência em relação à Casa Branca. Depois que Pam assumiu, em fevereiro de 2025, porém, o órgão foi sendo transformado em uma espécie de “escritório de advocacia particular” de Trump e de seu governo em geral, colocando o Estado de direito em xeque, conforme análise de ex-procuradores e especialistas jurídicos ao jornal britânico The Guardian. Investigações desfavoráveis a Trump e a seus aliados políticos são bloqueadas; esforços anticorrupção, desmantelados; decisões da Suprema Corte, desrespeitadas; juízes que tentam limitar o poder do chefe do Executivo, perseguidos e/ou ameaçados; funcionários não aderentes à ideologia MAGA, demitidos; e os leais, recompensados.  

Além de estar sendo usado como arma contra desafetos e inimigos políticos, nos âmbitos público e privado – como no caso do ex-diretor-geral do FBI Jim Comey e da procuradora-geral de Nova York, Letitia James –, o DoJ também tem sido manipulado para beneficiar negócios ligados à família Trump, assim como de aliados e parceiros em diferentes setores da economia estadunidense. Aos amigos, justiça; aos inimigos, a lei, assim diz o ditado popular. 

Outra ocorrência importante está diretamente relacionada com os “Epstein Files”: a forma como os arquivos estão sendo divulgados pelo DoJ, expondo as vítimas, escondendo a identidade dos abusadores e os crimes cometidos e dificultando a análise dos documentos; e a ausência de investigação concreta. Neles, conforme noticiado pela imprensa americana, o presidente Trump aparece milhares de vezes, assim como atuais e ex-membros de seu gabinete. Segundo críticos, a divulgação tem sido fragmentada e nada transparente. 

Como mencionado, o comportamento combativo de Pam no Congresso não foi evento único, nem exceção, na atual administração. Há um modus operandi e faciendi comum às autoridades de alto escalão do governo Trump (1.0 e 2.0) e a figuras a ele associadas, quando se trata da relação com o Congresso e sua cobrança por algum tipo de accountability. Aqui, é como se virássemos a lente teórica de Charles Beard para dentro. Em vez de se lançarem em guerras externas para distrair a sociedade de significativos problemas domésticos e, com isso, criar coesão interna, o “conflito diversionista” é o circo no Congresso. O “inimigo externo” são os democratas, a “burocracia profunda” (Deep state), a imprensa “liberal”, os “não americanos”. O objetivo não é vencer uma guerra, mas gerar ruído, confusão e confronto para que público e imprensa esqueçam ou minimizem o conteúdo substantivo dos arquivos Epstein e o envolvimento de Trump. Ou para que o ataque ao amplo direito de voto avance, silenciosa e suavemente. 

Com frequência, ao serem convocadas para prestar esclarecimentos nos hearings, essas autoridades tergiversam, evitando responder diretamente; devolvem com perguntas, acusando seus interlocutores; atacam e elevam o tom de voz, vociferando justificativas ideológicas; e se recusam a cooperar, protegendo-se atrás da Quinta Emenda constitucional, ou seguindo orientações do próprio governo e de seus advogados. A estratégia de defesa agressiva, confronto e/ou de evasão institucional não é um caso isolado. Ela é parte de um padrão recorrente para escapar do escrutínio legislativo, adotado pelo trumpismo, e que recorre ao “sacrifício” e à exposição negativa dos funcionários-acessórios do presidente. Foi o que observamos no testemunho de Pam e dos secretários Kristi Noem (Segurança Interna) e Robert F. Kennedy Jr. (Saúde), por exemplo, em diferentes momentos em 2025. 

Neste ponto, antecipo duas considerações-hipóteses, sobre as quais me estenderei nos próximos informes. A primeira é que, com base em uma rápida análise da cobertura de alguns dos principais veículos da imprensa americana sobre a audiência de Pam Pondi, o objetivo mais imediato de distrair o debate (em relação aos “Epstein Files” e à aprovação sorrateira do SAVE Act) parece ter sido em parte bem-sucedido, graças à sua atuação deliberada como bode expiatório. A segunda é que, ao contrário de outros escândalos, incluindo a tentativa de fraudar a eleição presidencial de 2024, pode não ser tão fácil couraçar o presidente desta vez. Pelo menos é o que indicam recentes pesquisas de opinião.

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!


Referência imagética: Pam Bondi, em 12 fev. 2025 (Crédito: DoJ)


  1. Editora-chefe do OPEU, U.S State Department alumna (SUSI 2025), editora associada da revista Sul Global e colunista fixa do Observatório de Geopolítica EUA, da TV GGN. Contato: tatianat19@hotmail.com. ↩︎

Revista Lua Nova nº 120 - 2023

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