O Xerife Sai à Ronda: “Caçar. Encontrar. Acabar.” A Nova Gramática do Poder

Por Marcus Tavares. O universalismo que se consolida após a queda da URSS oferta uma narrativa que solucionava um problema de coordenação: como manter legitimidade para uma ordem que já não precisa competir com um adversário sistêmico? A resposta foi elevar princípios — democracia liberal, mercados abertos, direitos humanos — à condição de linguagem comum. Em termos gelsonianos, tratou-se do esforço de transformar poder em “espaço de proposição”: isto é, converter interesses particulares em enunciados com potencial de aceitação, por meio de argumentos explicativos na fronteira entre moralidade, direito e política.

Back to the future?: O sequestro de Nicolás Maduro à luz da história

Por Bernardo Ricupero. Em 1902, Alemanha, Reino Unido e Itália bombardearam portos venezuelanos. Alegaram que o país não pagara dívidas. Tal ação claramente violou a “Doutrina Monroe”, estabelecida em 1823 pelo então presidente dos EUA James Monroe, e, segundo a qual, seu país não aceitaria a intervenção de potências europeias nos negócios americanos, assim como não se envolveria nos negócios do Velho Mundo.

De Quem é a Responsabilidade? Alta Inadimplência, Superendividamento e as Engrenagens do Crédito no Brasil

Por Julio Leandro, Maria Paula Bertran e Lena Lavinas.
O crédito à pessoa física no Brasil, longe de cumprir sua promessa como instrumento de mobilidade social, planejamento financeiro ou melhora de bem-estar, tem muitas vezes se consolidado como um mecanismo de aprisionamento da renda e ampliação da vulnerabilidade econômica. Em vez de oferecer proteção ou oportunidade, o sistema de crédito opera como uma engrenagem regressiva, que transfere recursos dos mais pobres para o sistema financeiro e reforça desigualdades pré-existentes.

O Boletim Lua Nova em 2025: uma breve retrospectiva

Equipe Editorial do Boletim Lua Nova Ao encerrarmos o primeiro quarto do século XXI, é difícil sustentar o otimismo que marcou sua chegada. No plano internacional, a sensação é de uma desordem prolongada, acentuada pelo retorno de Donald Trump à Casa Branca. No Brasil, os quarenta anos da chamada Nova República passam longe de qualquer […]

Psicanálise em Novo Tempo: da formação à ação política

Ronaldo Tadeu de Souza *** Entrevista com Thaís Klein: Psicanalista, Professora no Departamento de Psicologia da UFF (CURO) e no Programa de Pós-Graduação em Teoria Psicanalítica na UFRJ, é autora de Cartas a Um Velho Terapeuta, Ed. N-1.  *** Thais Klein: Essa é uma pergunta interessante, uma vez que acaba por localizar territorialmente a escrita […]

Terça-feira azul: uma análise das vitórias democratas nas eleições de 2025

Por Lucas Amorim e Carolina Weber. Em contraste com o Brasil, onde as eleições se realizam tipicamente a cada dois anos – alternando-se entre pleitos gerais (federais e estaduais) e municipais –, o federalismo norte-americano e a tradição de submeter à soberania popular cargos como juízes, promotores, membros de conselhos escolares e secretários estaduais, entre outros, garantem um calendário eleitoral particularmente intenso. Além das eleições gerais para presidente, membros do Congresso e cargos estaduais realizadas nos anos múltiplos de quatro, nos demais anos pares ocorrem as chamadas midterms – ou eleições de meio de mandato –, destinadas à escolha de novos membros do Congresso e de diversos cargos estaduais e municipais.

Cambio climatico y Emergencia Alimentaria. Una Lectura Filosofico-Politica

Por Vincenzo Maimone. Este escrito compõe a Série Especial do Boletim Lua Nova, em conjunto com pesquisadores e pesquisadoras vinculados à rede internacional Justice in the XXI Century: A Perspective from Latin America (JUSTLA). O projeto, coordenado pela Universidade de Catania (Itália) e financiado pela União Europeia no âmbito da ação HORIZON–Marie Skłodowska-Curie Staff Exchanges, reúne 148 integrantes de 18 instituições da América Latina e da União Europeia.

O que é o altruísmo eficaz? Uma breve análise dos deveres morais de beneficência

Por Gabriel de Matos Garcia. Este texto tem por objetivo discutir as principais teses que compõem o movimento conhecido como “Altruísmo Eficaz”, assim como os fundamentos filosóficos que as sustentam. Esse é um movimento que surgiu por volta de 2009, consolidando-se em 2012 com a criação do “Centro para o Altruísmo Eficaz”, sediado em Oxford. Inicialmente desenvolvido sobretudo por filósofos da Universidade de Oxford, como William MacAskill e Toby Ord, além de Peter Singer (professor da Universidade de Princeton), o movimento ganhou relevância ao receber o apoio de figuras públicas e financiadores de grande porte, como Bill Gates e Dustin Moskovitz (cofundador do Facebook). Desde então, tem se expandido globalmente e atraído um número crescente de adeptos, inclusive no Brasil.