A resposta de John Rawls às críticas libertarianas de Robert Nozick

Por Ulysses Ferraz. Na concepção de Rawls, todos os cidadãos são autônomos para perseguir suas concepções razoáveis de bem e possuem uma responsabilidade social de cooperar para a construção de uma sociedade justa em que cada um de seus membros seja tratado substantivamente como livre e igual. Isso produz uma circularidade virtuosa em que a reciprocidade entre cidadãos livres e iguais assegura a autonomia individual que, por sua vez, reforça a cooperação social.

Relato de lançamento do livro Quando é preciso decidir, de Felipe Freller

Por Sérgio M. Benedito. O Cedec promoveu no dia 13 de maio de 2022 o seminário de lançamento do livro Quando é preciso decidir: Benjamin Constant e o problema do arbítrio, de Felipe Freller (PPGFil/UFSCar). Publicada pela editora Appris na passagem para o presente ano, trata-se de uma obra proveniente da tese de doutorado do autor, defendida no Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo, e que recebeu o Grande Prêmio CAPES de 2021 – entre outras premiações. O seminário foi mediado por Eunice Ostrensky, orientadora de Freller no PPGCP/USP, e Ivo Coser (IFCS/UFRJ) ficou a cargo de iniciar a discussão a respeito da obra, a partir de um ponto de vista mais concentrado na teoria política contemporânea e no estudo do conceito de liberdade.

O lugar dos especialistas na inclusão na agenda e na formulação de políticas sociais

Por Marcia Clara Oliveira e Renata M. Bichir. A segunda metade dos anos 1990 viu nascer os primeiros programas de transferência condicionada de renda. Com efeito, as experiências locais iniciais foram implementadas no Brasil em 1995, tendo o primeiro programa nacional nascido no México dois anos mais tarde. Passado um quarto de século, é possível observar sua presença em praticamente todos os países latino-americanos (sendo Cuba e Venezuela as exceções), além de haver também um número considerável de programas em vigor em países tão longínquos – em várias dimensões – quanto Indonésia, Filipinas ou Gana. Podemos afirmar que estamos perante um processo de difusão do modelo (Osorio-Gonnet, 2018; Peck e Theodore, 2015).

Quando é Preciso Decidir: Benjamin Constant e o Problema do Arbítrio

Por Felipe Freller. Em um momento em que os regimes democráticos, na Europa e nas duas Américas, duvidam de si mesmos e experimentam sérias desordens, é importante circunscrever com nitidez os recursos e as dificuldades do governo representativo, o qual fornece o quadro operacional de nossas democracias. O trabalho erudito, claro e imparcial de Felipe Freller é uma bela contribuição a esse esforço indispensável. Ele se dedica a restituir o pensamento de Benjamin Constant, um dos autores políticos mais interessantes de uma época e de um país que contribuíram decisivamente para dar forma à política e à sociedade modernas.

Nota de Pesar – José Augusto Lindgren Alves

Por Diretoria Cedec, Andrei Koerner, Carla Vreche e Matheus Hernandez. Lindgren, como costumava ser chamado, conciliou com maestria, ao longo de sua brilhante trajetória, comprometida atuação diplomática e sofisticada inserção intelectual. E em ambas cultivou o compromisso público com a construção, a consolidação e a aplicação das normas internacionais de direitos humanos e suas instâncias institucionais.

A questão do turismo ambiental na reprise da novela “Pantanal”

Por Sabrina Sales Araújo. A reprise da novela “Pantanal” feita pela Rede Globo, que estreou na televisão em março de 2022, tem sustentado alto IBOPE, ultrapassando as expectativas da emissora. Para os que assistiram a primeira edição da trama transmitida pela extinta Rede Manchete na década de 1990, a nova peça traz sentimentos de nostalgia e encanta ainda mais com os cenários naturais gravados com tecnologia de cinema. A despeito disso, o bioma que dá título e onde se passa a história, apresenta muitas diferenças entre uma estreia e outra. Isso porque se encontra atualmente mais degradado por diversos fatores, entre eles a intensificação das queimadas. As discussões sobre esses problemas foram atualizadas na nova versão, apontando ora de forma incisiva e ora de modo mais sutil alguns dos desafios para a preservação do bioma.

Desigualdade e sucesso eleitoral de mulheres negras

Por Diana de Azeredo. A cada cem candidatas negras, apenas quatro foram eleitas vereadoras em 2020. Essa média dos 5.568 municípios brasileiros sobe para seis quando as pessoas que concorrem são mulheres brancas, para treze no caso de homens negros e para dezesseis se homens brancos. Embora os dados sinalizem a diminuição das taxas de sucesso dos brancos entre 2016 e 2020, as possibilidades de vitória para negros e brancas não mudaram significativamente e as chances de candidatas negras permaneceram inalteradas nos índices mais baixos. Esses são os resultados preliminares da pesquisa apresentada no VII Fórum Brasileiro de Pós-Graduação em Ciência Política em fevereiro deste ano.

Sempre Fomos Racistas no Brasil

Por Sofía C. Zanforlin. Recentemente, o debate sobre o racismo no Brasil foi retomado na imprensa a partir de textos publicados em alguns dos principais jornais do país, como a Folha.Em 24 de janeiro foi assassinado o refugiado congolês Moïse Kabagambe, vítima de agressões após cobrar o pagamento atrasado de dois dias de trabalho em um quiosque na Barra da Tijuca, um dos bairros com praias turísticas da cidade do Rio de Janeiro. Apesar disso, espanta que ainda haja dúvida sobre o princípio racista na fundação do projeto de nação brasileiro.

Mobilização legal: leis municipais como repertório de luta

Por Joaquim Shiraishi Neto. Durante a Assembleia Nacional Constituinte, a mobilização protagonizada pelos povos indígenas resultou em um Capítulo da Constituição Federal dedicado às suas coletividades (arts. 231 e 232). A inserção de tais direitos no modelo de Constituição, caraterizado por um extenso programa social, universalizante, focado nos cidadãos, possibilitou a mobilização de grupos culturalmente diferenciados em prol de direitos específicos relacionados aos modos de viver, criar e fazer. A posterior incorporação de declarações e tratados de direitos humanos pelo Brasil impulsionou o processo de organização e de lutas por direitos.

O Delírio Liberal-abolicionista: Passado, Presente e Futuro

Por Lucas Baptista. No quinto aniversário da abolição, já sob os auspícios da República, Machado de Assis publicou suas impressões sobre a celebração que fora realizada naquele dia chuvoso e nublado de 13 de maio 1893 (Assis, 1893). Em nada se parecia com o domingo de grande sol de 13 de maio de 1888, lembrado pelo literato como único dia de delírio público do país, quando ele e até “o mais encolhido dos caramujos” saíram às ruas para respirar a felicidade. O que teria ocorrido neste ínterim? Será que a ausência do sol coincidia com a do povo? O espírito público tornaria a sanidade habitual?”.