Os Estados Unidos e a Guerra na Ucrânia

Por Paulo Bittencourt. Setembro marcou 19 meses do início da ofensiva russa à Ucrânia. Mais uma vez, o O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), atento aos desdobramentos dos eventos políticos na região, mostrou sua vivacidade em um debate de alto nível, subsidiado pelo texto do professor Sebastião Velasco e Cruz, da Unicamp. Além do autor, participaram também da mesa os professores Marco Cepik (UFRGS), Augusto Teixeira (UFPB) e Giorgio Romano Schutte (UFABC). A mediação ficou a cargo do professor Tullo Vigevani (Unesp), ressaltando a importância do debate em questão e especificamente do texto do professor Velasco, uma vez que se faz necessária uma análise do tema problematizando-o no contexto das grandes perspectivas das Relações Internacionais.

A imagem camuflada do neoconservadorismo nas campanhas presidenciais de Jair Bolsonaro

Por Mércia Alves e Joyce Miranda Leão Martins. Na América Latina, uma nova temporalidade foi estabelecida a partir da “politização reativa da reprodução e da sexualidade” (Vaggione, Machado e Biroli, 2020, p. 17) com o ataque à emergência de novos direitos que colocam mulheres e homossexuais como sujeitos políticos . Os autores denominam de neoconservadorismo o movimento que se relaciona à década de 1990 e que, a partir dos anos 2000, “se tornaria uma estratégia mais ampla para alianças conservadoras na política” (Biroli, 2020, p. 145).

A Memória das Políticas Institucionais de Direitos Humanos da Democracia Constitucional Brasileira: Contra o arbítrio, a violência e a discriminação

Por Wânia Pasinato, Paulo Cesar Endo e Andrei Koerner. Os ataques ao governo Dilma Rousseff iniciados em 2013 voltaram-se contra um governo legítimo e tiveram um propósito claramente definido: bloquear o reconhecimento, a consolidação e a promoção dos direitos da maioria da população. Esse reconhecimento se traduziu ao longo dos últimos anos em políticas institucionais de direitos humanos que se integraram num processo gradual e cumulativo para tornar efetivos os direitos da maioria, se não da totalidade, da população. As políticas não têm sido obra exclusiva de uma liderança, partido político ou grupo social, pois são produzidas por um trabalho coletivo e participativo, multifacetado e capilarizado que se vale de leis, de políticas estatais nos diversos níveis e da atuação conjunta da administração com movimentos e organizações da sociedade.

Gabriel Cohn: A difícil República

Por Johnny Daniel M. Nogueira. No dia 29 de junho de 2023, o fórum permanente Democracia, Direitos e Desenvolvimento (3D) promoveu, em parceria com o Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC) e o Centro Internacional Celso Furtado (CICEF), a terceira mesa de discussão, intitulada A difícil República. O convidado para promover o debate foi o professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), Gabriel Cohn, que abordou o tema do seu último livro, publicado em 2015, pela editora Azougue, intitulado: A difícil República. A mesa contou com o debate dos professores André Botelho (UFRJ) e Leonardo Belinelli de Brito (UFRRJ) e mediação Maria Mello de Malta (UFRJ).

A opinião pública e o impeachment de Dilma Rousseff: a história por trás do texto

Por Pedro Santos Mundim O artigo “A batalha pela opinião pública e o impeachment de Dilma Rousseff” tem três histórias: uma acadêmica, outra pessoal e uma terceira de bastidor. A primeira é simples de contar. Como professor universitário e pesquisador, ele faz parte de um esforço para a produção de artigos oriundos das pesquisas desenvolvidas durante a minha passagem na diretoria de opinião pública da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) entre 2014 e 2015. Disso resultaram em diversos trabalhos que relacionam a opinião pública brasileira com temas que foram importantes para o Governo Federal nesse período.

“Significados do desenvolvimento: ontem e hoje”

Por Larissa Comin Morgado. Como continuidade do fórum 3D (Democracia, Direitos e Desenvolvimento: desafios do Tempo Presente) organizado pelo Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC), Centro Internacional Celso Furtado (CICEF) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPA), este texto tem por objetivo relatar a segunda mesa do projeto, intitulada “Significados do desenvolvimento: ontem e hoje” e realizada no dia 25 de maio de 2023. A mesa contou com a participação dos professores Luiz Carlos Bresser Pereira (FGV) e Ricardo Bielschowsky (UFRJ, ex-membro CEPAL) como expositores, Vera Alves Cepêda (UFSCar) como debatedora e Bernardo Ricupero (USP) na mediação.

Soberania popular versus direitos humanos: respostas à luz da teoria crítica de Franz Neumann

Por Marina Slhessarenko Fraife Barreto. A obra do jurista da primeira geração da Teoria Crítica Franz Neumann é rica em diagnósticos sobre a emergência, consolidação e a queda da democracia alemã. Escrevendo desde a década de 1920, o autor produziu escritos sobre ampla gama de temas e, argumento, todos relacionados à tensa relação entre democracia, estado de direito e capitalismo. Abaixo, desenvolvo algumas respostas que o autor confere à tensão entre os dois primeiros conceitos elencados, com base em seus escritos entre 1929 e 1938.

Política e Meio Ambiente no Maranhão: (des)conexões entre atuação parlamentar, voto e agenda ambiental

Por Arleth Santos Borges e Marcelo Fontenelle e Silva. ndependente do posicionamento no espectro ideológico, pensar o meio ambiente requer atenção à sua relação com a política. Não à toa, tantas atenções estiveram voltadas para a recente reunião dos oito presidentes dos países com território amazônico – a Cúpula da Amazônia, que ocorreu nos dias 08 e 09 de agosto, em Belém-PA. Desde, pelo menos, o fim da década de 1970 esse assunto entrou em pauta e tem ganhado importância e sentido de urgência, seguindo o diapasão do agravamento dos desequilíbrios climáticos. Apesar disso, ainda é grande a desproporção entre a emergência ambiental e a responsabilização dos agentes políticos com essa pauta, sejam estes agentes gestores públicos, partidos políticos ou mesmo eleitores.

Gênero é justo? Reflexões sobre o trabalho “invisível” no ambiente doméstico e justiça na obra de Susan Okin

Por Júlia Hirschle, Lidiane Vieira e Mariane Matos. O trabalho na esfera doméstica dificilmente é compreendido e valorizado enquanto tal. As atividades repetitivas que implicam a reprodução da vida, também, dificilmente são remuneradas. Ninguém nos paga por lavar nossas roupas e de nossa família, limpar o chão das nossas casas e cozinhar diariamente para todos. No entanto, nenhum de nós é capaz de viver sem que essas tarefas sejam cumpridas. Por isso, o trabalho no ambiente doméstico é invisível: está presente no nosso cotidiano, mas ocupa um não-lugar. Isto decorre do fato de que não o enxergamos como um trabalho produtivo, mas seria possível pensar a organização e o andar da economia e do mundo do trabalho formal na ausência de pessoas responsáveis pelas atividades domésticas?

Carl Schmitt e a crítica à República de Weimar: diagnóstico jurídico político ou legitimação do autoritarismo como prática política?

Por Alice de Souza Araújo. A República Alemã, sistema de governo vigente entre 1919 e 1933 e tradicionalmente conhecida como República de Weimar, foi um momento importante da história da Alemanha. Localizada entre um governo imperial e um nazista e entre duas guerras mundiais, a incipiente república foi largamente disputada e analisada por seus contemporâneos. Um deles, o jurista e teórico político Carl Schmitt, despontou como um de seus mais controversos críticos e deu fôlego teórico a concepções antidemocráticas e conservadoras da política de sua época.