Disputas associativas e novos modos de definição institucional no Ministério Público

Por Treicy Giovanella. Quais são as possibilidades de participação política entre membros do Ministério Público Brasileiro? Ainda que a Constituição Federal de 1988 seja um marco histórico para a formatação da instituição como a conhecemos, desde a metade do século XX algumas normas jurídicas já indicavam para a proibição da atividade político-partidária de membros do MP, independentemente de estarem na posição de promotor de justiça ou chefe institucional, como Procurador-Geral de Justiça. Contudo, a “negação da política” como característica marcante dos espaços do direito tem entrado em conflito com as novas dinâmicas de engajamento dos membros do Ministério Público.
Sobre as aproximações entre bem viver e economia solidária: caminho para o desenvolvimento solidário e sustentável

Por Marcelo G. Justo e Mônica Schiavinatto. Apresentamos aqui uma síntese dos principais argumentos desenvolvidos no artigo “Bem viver e economia solidária: aproximações para o desenvolvimento solidário e sustentável”, publicado recentemente na edição especial dedicada a Paul Singer da revista P2P&Inovação. O artigo teve como objetivo analisar a relação entre bem viver e economia solidária.
Allende, la transición chilena al socialismo y la legalidad moderna

Por Eduardo A. Chia. Recientemente se ha publicado en este boletín una interesante reflexión sobre Salvador Allende y el derecho a propósito de los 50 años del golpe de Estado al gobierno de la Unidad Popular en Chile (1970-1973). Paula Ahumada aborda, entre otras cosas, un aspecto que no ha sido ampliamente relevado: la racionalidad del empleo estratégico de la constitución y legalidad moderna por parte del presidente Allende. Este breve escrito se inscribe en dicho análisis.
Resenha de Pereira (2020): “Dengos e zangas das mulheres-moringa: Vivências afetivo-sexuais de mulheres negras”.

Por Stephany D. Pereira Mencato. O livro de Bruna Pereira (2020) é resultante de sua tese desenvolvida em 2019 junto ao programa de doutorado em Sociologia da Universidade de Brasília (UNB), centro de referência nacional na área. Assim, a autora é doutora em Sociologia pela UnB, mestre em Sociologia pela mesma instituição e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). A obra foi publicada em 2020 pela Latin American Research Commons (LARC), editorial de acesso aberto relevante, pois se foca na divulgação de investigações desenvolvidas na e sobre a América Latina, focando-se em perspectivas e conhecimentos alternativos sobre as maneiras que entendemos o mundo onde vivemos.
Guerreiro Ramos estuda negros não como tema, mas como gente viva

Por Mário Augusto Medeiros da Silva. Alberto Guerreiro Ramos (1915-1982) foi um dos mais interessantes sociólogos brasileiros do século 20 e dos mais esquecidos e injustiçados, sendo retomado em agendas contemporâneas de pesquisa acadêmica e exercício de sociologia pública.
A guerra e a paz em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes

Por Carolina Leocadio e Elisa Olsson. Escrita pelo autor português António Lobo Antunes e publicada em 1979, Os cus de Judas é uma obra de caráter semiautobiográfico, na qual o autor, que serviu como médico militar durante a Guerra Colonial Portuguesa em Angola, relata eventos e experiências baseados na sua própria vivência durante esse período.
Modernismo revisitado pela arte indígena: Denilson Baniwa e a Re-antropofagia

Por Jucimara Braga Alves e Edgar Roberto Kirchof. O artigo “Modernismo revisitado pela arte indígena: Denilson Baniwa e a Re-antropofagia”, recentemente publicado na revista Organon (UFRGS), é resultado de uma pesquisa de doutorado sobre a obra de Denilson Baniwa. O texto aborda o modo como o artista indígena tensiona e ressignifica a relação do modernismo brasileiro com as culturas indígenas do Brasil por meio de sua obra.
Josué de Castro e a fome como problema político e estrutural

Por Adriana Salay. “O ‘profeta da fome mundial’, como seus muitos amigos gostavam de chamá-lo, está morto” (Fundação, s.d.). Josué de Castro morreu em Paris, vítima de um ataque cardíaco em 24 de setembro de 1973, aos 65 anos. Em setembro de 2023 completa-se o cinquentenário desse fatídico dia, ao mesmo tempo em que entreguei minha tese de doutorado sobre o intelectual e a formação da fome cotidiana como um problema discutido publicamente. Este texto apresenta algumas ideias desse trabalho desenvolvido no Departamento de História da USP, sob a orientação do professor Miguel Palmeira.
Relato de evento: Lançamento do livro “Polarity in International Relations: Past, Present, Future”

Por Paulo Bittencourt. Ocorreu na terça-feira, 13 de setembro de 2023, o lançamento do livro “Polarity in International Relations: Past, Present, Future”, editado por Nina Græger, Bertel Heurlin, Ole Wæver e Anders Wivel, todos professores do Departamento de Ciência Política da Universidade de Copenhague (Dinamarca). Além dos quatro editores, o evento contou com a presença da professora Lene Hansen (Departamento de Ciência Política da Universidade de Copenhague) como mediadora, além de falas de dois autores de artigos compilados na obra: Camilla Sørensen (Instituto de Estratégia da Real Escola de Defesa Dinamarquesa) e Øystein Tunsjø (Instituto Norueguês de Estudos de Defesa).
Josué de Castro: os vários legados de um personagem multifacetado

Por Renato S. Maluf. Sinto-me honrado em poder participar de um especial do Boletim Lua Nova que reverencia a vida e obra de Josué de Castro, uma oportunidade, ademais, muito prazerosa de percorrer e celebrar os vários legados de um personagem multifacetado que aprendemos a admirar e a nos beneficiar de seus ensinamentos. Muitas e merecidas manifestações sobre sua importância têm sido difundidas, ainda que o conhecimento sobre sua vida e obra esteja, entre nós, muito aquém do que lhe é devido. Pernambucano de nascença e brasileiro de coração, de fato um cidadão do mundo, Josué ultrapassou as fronteiras nacionais pela força de suas ideias e também pelas circunstâncias de vida que lhe foram impostas.