Trump, MAGA e os EUA Enfrentam as Eleições Presidenciais de Novembro de 2024 e Mais Além

Por Wayne Selcher. Características notáveis da eleição presidencial americana de novembro de 2024 diferenciam-na consideravelmente das eleições anteriores, com várias “primeiras vezes”. Depois que o presidente Joe Biden (81 anos) foi finalmente convencido pelos principais líderes democratas a não concorrer à reeleição como o presidente mais velho a fazê-lo, ele designou a vice-presidente Kamala Harris (59 anos) para esse papel, ainda que tardio, o que representou um desafio para sua campanha. De origem étnica do sul da Índia (tâmil) e jamaicana, ela é apenas a segunda mulher a concorrer a esse cargo a ser indicada por um dos dois principais partidos, depois de Hillary Clinton em 2016, e é a primeira mulher negra nesse papel.

Um Perfil dos Eleitores de Trump: A Demografia dos Entusiastas do MAGA e suas Relações com Ele

Por Wayne Selcher. Nas eleições de novembro de 2024, é esperado que Trump receba muitos milhões de votos de pessoas leais ao seu partido, apenas porque ele foi o nomeado pelos republicanos e se saiu muito bem nas eleições primárias. O governo Biden-Harris é extremamente impopular entre os republicanos e considerado um fracasso por boa parte do público geral, particularmente em aspectos econômicos. Trump pode contar com essa avaliação negativa da atual administração para obter votos daqueles que são motivados, principalmente, pela oposição ao outro lado, ou daqueles que procuram mudanças depois da administração democrata entre 2021 e 2025.

Um Perfil dos Eleitores de Trump: Valores e Preferências Políticas

Por Wayne Selcher. O movimento Make America Great Again (MAGA) de Donald Trump estabeleceu total domínio e unidade dentro do Partido Republicano na época da Convenção Nacional da legenda, em meados de julho de 2024, incluindo a escolha do ex-crítico ferrenho e agora populista leal J. D. Vance como seu candidato a vice-presidente. Trump reformulou completamente o partido de acordo com sua própria imagem e incorporou totalmente em seu campo os antigos rivais das eleições primárias Nikki Haley e Ron DeSantis, que, na Convenção, fizeram discursos elogiando-o. A plataforma do partido para 2024 é, definitivamente, totalmente Trump e vai muito além das políticas de seu mandato presidencial anterior. A virada retórica populista do partido foi resumida na declaração de J.D. Vance de que “Cansamos, senhoras e senhores, de servir Wall Street. Vamos nos comprometer com o trabalhador”.

O Apelo de Donald Trump

Por Wayne Selcher. Em meados de 2024, Donald Trump havia firmado solidamente seu comando personalista do Partido Republicano, tanto no nível da liderança quanto dos eleitores. Ele obteve vitórias esmagadoras nas eleições primárias presidenciais republicanas do início de 2024, demonstrando, assim, de forma dramática, seu grande apoio na base eleitoral do partido. Seus dois únicos rivais de peso – o governador Ron DeSantis, da Flórida, e a ex-governadora da Carolina do Sul Nikki Haley – apoiaram-no depois de encerrarem suas próprias campanhas. Nenhuma autoridade republicana está nem perto de igualar o grau de popularidade de Trump entre os eleitores republicanos. A liderança republicana nacional anterior, mais moderada, foi afastada ou varrida, e muitos funcionários pró-Trump foram instalados nos níveis estadual e local nos últimos anos, por eleições ou nomeações.

O Xerife Sai à Ronda: “Caçar. Encontrar. Acabar.” A Nova Gramática do Poder

Por Marcus Tavares. O universalismo que se consolida após a queda da URSS oferta uma narrativa que solucionava um problema de coordenação: como manter legitimidade para uma ordem que já não precisa competir com um adversário sistêmico? A resposta foi elevar princípios — democracia liberal, mercados abertos, direitos humanos — à condição de linguagem comum. Em termos gelsonianos, tratou-se do esforço de transformar poder em “espaço de proposição”: isto é, converter interesses particulares em enunciados com potencial de aceitação, por meio de argumentos explicativos na fronteira entre moralidade, direito e política.

Protesto “No Kings” Mostra que o Rei Está Nu

Em 18 de outubro, mais de sete milhões de pessoas foram às ruas em cerca de 2.700 localidades em todos os 50 estados americanos, assim como na capital, Washington, D.C., em adesão ao protesto “No Kings”, para denunciar o autoritarismo do governo Trump 2.0. Isso equivale a 2% da população total do país, hoje em torno de 340 milhões de pessoas. As informações acima são dos organizadores, que também fazem uma irônica comparação: o total de manifestantes do último sábado foi, segundo eles, 14 vezes maior do que o público presente nas duas posses de Donald Trump, em 2017 e em 2025. 

O Aparelhamento Ideológico das Forças Armadas dos EUA e os Ecos de um Corolário Roosevelt

Por Yasmin Abril M. Reis. A realidade distópica ilustrada no filme “Guerra Civil” (Civil War, em inglês) de 2024, dirigido por Alex Garland, é um espelho inquietante do momento atual dos Estados Unidos. Embora a analogia entre realidade e ficção não implica necessariamente no “vai se realizar”, no entanto, paralelos entre o filme e o governo Donald Trump (2025) são evidentes de se encontrarem. A interseção pode ser identificada a partir de alguns vetores, tais como: a convocação extraordinária de militares de alta patente globalmente, o discurso de uma “guerra interna” e os desafios simbólicos às normas militares tradicionais sinalizam que os limites do poder militar e os freios constitucionais enfrentam testes sem precedentes.  

Trump e os desafios das democracias ocidentais 

Por Felipe Calabrez. Desde que o presidente Donald Trump assumiu a Presidência dos EUA pela segunda vez, o mundo tem assistido com perplexidade às ações de um chefe do Executivo que parece ser capaz de desmantelar diariamente o Estado americano e reconfigurar a ordem econômica internacional sentado diante de uma mesa e com uma caneta na mão. Mas como é possível esse exercício imperial de poder em um país cuja arquitetura institucional foi pensada de maneira quase obcecada em garantir a divisão e controle dos poderes e em evitar os riscos da tirania da maioria? E como o presidente que chama todo o poder para si pode afirmar fazê-lo em nome da democracia? É sobre esses pontos que esse texto pretende discorrer. 

Nacionalismo, Imigração Indesejada e Degeneração Democrática

Por Raissa Wihby Ventura e Guilherme C. de Moraes. Quatro dias após reassumir a presidência dos Estados Unidos em 2025 para o seu segundo mandato, Donald Trump autorizou a prisão e deportação de mais de 1,4 milhão de imigrantes que haviam recebido autorização de permanência temporária durante o governo de seu antecessor, Joe Biden (20 de janeiro de 2020 – 20 de janeiro de 2025).