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Início > Política Internacional e Estados Unidos | Sem categoria

EUA e o Cerco Energético a Cuba

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Carolina Weber1

8 de maio de 2026

Em parceria com o Observatório Político dos Estados Unidos (OPEU), o Boletim Lua Nova republica, em duas partes, a análise de Carolina Weber do cerco energético a Cuba, intensificado após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. O texto foi originalmente publicado em 1º de abril de 2026, no site do OPEU.

***

Em 3 de janeiro de 2026, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, foi capturado por forças dos Estados Unidos durante uma operação militar em Caracas, capital da Venezuela, sendo levado para Nova York, junto de sua esposa, Cilia Flores. A ação, ordenada pelo presidente Donald Trump, teve como base acusações de narcoterrorismo e conspiração. A partir desse episódio e da consequente desestruturação do governo venezuelano, Cuba passou a enfrentar um bloqueio no fornecimento de petróleo, agravando uma já frágil situação energética e levando a apagões em larga escala na ilha. 

Mas o que os apagões de Cuba têm a ver com a captura de Maduro? À primeira vista, pouca coisa. Na prática, quase tudo. Mais do que um efeito colateral da crise venezuelana, o caso cubano revela a continuidade de uma relação historicamente marcada por tensões com os Estados Unidos. À vista disso, a atual crise energética não apenas decorre de eventos recentes, mas se insere em uma estratégia mais ampla de pressão na região, cujos impactos vão além do Caribe e se conectam com uma dinâmica crescente de disputa geopolítica no cenário internacional. É nesse contexto que a crise energética cubana se torna o principal ponto de observação dessa dinâmica, materializando, no cotidiano da ilha, os efeitos concretos dessas transformações geopolíticas. 

Em menos de uma semana, Cuba enfrentou dois apagões generalizados, deixando entre 10 e 11 milhões de pessoas sem eletricidade. Com cortes de mais de 12 horas de duração, a crise energética já afeta diretamente o cotidiano da população, com escassez de combustível e acúmulo de lixo nas ruas. Longe de um episódio isolado, os apagões expõem o colapso de um sistema energético fragilizado e cada vez mais incapaz de atender às demandas básicas locais. Em um país já marcado por restrições econômicas, a falta de energia aprofunda ainda mais a crise e amplia seus efeitos sobre a vida cotidiana. 

Para compreender a dimensão dessa crise, é necessário olhar para suas causas estruturais. 

A ruptura com a Venezuela e a dependência energética 

Se os apagões expõem a crise em Cuba, suas causas estão diretamente ligadas à ruptura do fluxo de petróleo procedente da Venezuela. Desde o início dos anos 2000, quando acordos foram firmados entre Hugo Chávez (Venezuela, 1999–2013) e Fidel Castro (Cuba, 1959–2008), a ilha passou a depender do petróleo venezuelano subsidiado como base de seu abastecimento energético. Durante o auge dessa parceria, a Venezuela chegou a enviar cerca de 100 mil barris diários, fundamentais para a geração de eletricidade e o funcionamento do transporte no país. Esse arranjo transformou o fornecimento energético em um pilar central da estabilidade econômica cubana. Desse modo, a captura de Maduro pelos Estados Unidos desestruturou o governo em Caracas e fechou esse fluxo, quebrando um eixo estratégico que sustentava Havana há muito tempo. Como resultado, Cuba está desde janeiro sem receber carregamentos de combustível. 

A suspensão desse fluxo não pode, contudo, ser compreendida apenas como resultado da instabilidade venezuelana. Também é, em grande parte, uma decorrência histórica da assimétrica relação EUA x Cuba e da tentativa, por parte do governo estadunidense, de asfixiar o país econômica e socialmente e forçá-lo a uma mudança de regime.  

A estratégia dos Estados Unidos: embargo e pressão energética 

Nessa conjuntura, a crise energética em Cuba deixa de ser apenas consequência da interrupção “forçada” com a Venezuela e passa a refletir uma estratégia ativa de pressão por parte dos EUA. Por meio do bloqueio ao fornecimento de petróleo e da pressão sobre países e empresas exportadoras, Washington tem buscado restringir as alternativas energéticas da ilha, ampliando seu isolamento no mercado internacional. 

Essa dinâmica se insere em um quadro mais amplo, marcado pelo embargo econômico, comercial e financeiro imposto pelos EUA desde 1962, durante o governo de John F. Kennedy (1961–1963), em resposta à Revolução Cubana de 1959 e à aproximação com a União Soviética no contexto da Guerra Fria (1947–1991). Considerado o entrave comercial mais duradouro da história moderna, o embargo restringe comércio, viagens e transações financeiras, gerando perdas bilionárias e impactando diretamente o desenvolvimento econômico local. Sua continuidade no contexto atual indica, sobretudo, uma intensificação desse mecanismo, que passa a operar de forma mais ampla e coercitiva. Deste modo, a persistência do embargo e suas atualizações ao longo do tempo contribuíram para consolidar, em Cuba, uma postura de resistência e adaptação diante de pressões externas, uma “resiliência histórica”, como afirma a analista Fernanda Magnotta. 

Essa dinâmica também permitiu a atuação de outros atores, como China e Rússia, no sistema internacional. 

China e Rússia: disputa por influência e limites de atuação e NSS 2025 

Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos ampliam sua estratégia de pressão sobre Cuba, isso possibilita uma atuação de China e Rússia, interessadas em fortalecer sua presença na região. Os dois países mantêm uma posição de apoio diplomático e econômico a Cuba, o qual foi intensificado durante a crise atual que afeta a ilha desde o começo do ano. Ambos os países se posicionam contra o bloqueio energético dos EUA, apresentando-se como aliados estratégicos para a sobrevivência do governo cubano. 

Por um lado, a relação entre Rússia e Cuba é uma aliança estratégica histórica, fortalecida recentemente, em meio a tensões com os Estados Unidos. O país oferece solidariedade, suporte econômico e militar contra a coação norte-americana, consolidando laços baseados na cooperação política e no fornecimento de combustíveis. Com isso, a Rússia demonstrou uma “solidariedade inabalável”, além do envio de petroleiros russos com mais de 700 mil barris de combustível para o país em março de 2026 (que até o momento não se sabe se conseguirão chegar à ilha) e declarou que continuará oferecendo “o apoio necessário, incluindo apoio financeiro”. 

Por outro, a China adota uma abordagem mais pragmática, baseada na intensificação da cooperação econômica, tecnológica e financeira com Cuba. A relação entre os dois países é sólida, estratégica e amistosa, chamada de uma “amizade inquebrável”, voltada para a cooperação econômica, tecnológica e para o apoio político mútuo. A China é um dos principais parceiros comerciais de Cuba, oferecendo assistência financeira, investimentos em infraestrutura, como no Porto de Mariel, e tecnologias (incluindo agricultura e energia), além de apoiar a ilha contra sanções dos EUA. Além disso, com o bloqueio de petróleo, está desempenhando um papel crucial no suporte ao sistema elétrico de Cuba, por meio de doações, assistência financeira emergencial e foco na modernização da infraestrutura energética cubana, com destaque para a energia solar. 

Apesar desse apoio, a atuação destes países encontra limites significativos. Nenhum dos dois é capaz, no curto prazo, de substituir o papel integral antes desempenhado pela Venezuela no fornecimento contínuo de petróleo subsidiado, essencial para a matriz energética cubana. Além disso, a intensificação das sanções estadunidenses e o risco de medidas secundárias impõem custos políticos e econômicos à ampliação desse apoio, restringindo o alcance dessas parcerias. Questões logísticas, financeiras e estruturais também dificultam uma resposta imediata à crise, mantendo Cuba em uma posição de vulnerabilidade energética. 

À vista disso, a atuação de China e Rússia em Cuba deve ser compreendida não só como um apoio bilateral, mas como parte de uma disputa mais ampla por influência no “Hemisfério Ocidental”. De forma que, ao fortalecer laços com Havana (e, em paralelo, com a Venezuela), ambos os países desafiam a predominância histórica dos Estados Unidos na região, transformando a crise cubana em mais um capítulo da competição geopolítica contemporânea. 

Por esse motivo, a crescente atuação de China e Rússia na região não ocorre de forma isolada, mas se insere em uma leitura estratégica mais ampla por parte dos Estados Unidos. É a partir dessa perspectiva que se torna possível compreender a crise cubana além de um episódio regional, mas como parte de uma diretriz formal da política externa norte-americana, expressa na Estratégia Nacional de Segurança 2025 (NSS, na sigla em inglês), que reposiciona o “Hemisfério Ocidental” para o centro das disputas geopolíticas contemporâneas. 

A NSS constitui o principal documento orientador da política externa e de segurança dos Estados Unidos, definindo prioridades, ameaças e diretrizes de atuação no sistema internacional. Além do guia formal, a NSS expressa a forma como Washington interpreta o panorama global e posiciona seus interesses estratégicos diante de transformações geopolíticas em curso. 

Assim sendo, observa-se uma repriorização do “Hemisfério Ocidental”, que volta a ocupar lugar central na agenda estratégica estadunidense. Tradicionalmente concebida como sua área de influência direta, a América Latina reaparece como espaço de disputa, especialmente diante do avanço de atores externos. Países como Cuba e Venezuela, nesse caso, deixam de ser apenas episódios isolados de instabilidade e passam a ser percebidos como pontos sensíveis dentro de uma lógica mais ampla de segurança regional. 

É nesse quadro que se insere a política de contenção à China e à Rússia, classificadas como rivais estratégicos na NSS 2025. A crescente presença desses países na América Latina — seja por meio de investimentos, cooperação tecnológica ou apoio político — é interpretada como um desafio direto à influência dos Estados Unidos. Assim, ações voltadas para a limitação dessa presença passam a orientar a atuação estadunidense na região, incluindo medidas indiretas de pressão sobre países alinhados a esses atores. 

Dentro dessa lógica, a energia emerge como um instrumento central de poder. O controle sobre fluxos energéticos, bem como o uso de sanções e bloqueios, torna-se parte de uma estratégia mais ampla de coerção e influência. A crise cubana exemplifica essa dinâmica, portanto, de forma concreta: ao restringir o acesso da ilha a fontes de abastecimento, os Estados Unidos não só ampliam sua pressão sobre o governo cubano, mas também sinalizam os custos associados ao alinhamento com potências rivais.  Dessa forma, essa orientação estratégica não se apresenta como uma ruptura, mas como continuidade histórica da política externa norte-americana. De modo que, desde a Doutrina Monroe, a região tem sido concebida como uma zona de influência prioritária, na qual a presença de potências externas é sistematicamente questionada. Na situação contemporânea, essa lógica é atualizada para responder à ascensão de novos atores globais, reafirmando o papel do “Hemisfério Ocidental” como espaço central na disputa por poder no sistema internacional. 

Diante desse cenário, a relação entre os apagões em Cuba e a captura de Nicolás Maduro deixa de parecer circunstancial e passa a revelar uma conexão estrutural. Ademais, o desdobramento isolado da crise venezuelana, a interrupção do fornecimento de petróleo e o agravamento da crise energética na ilha evidenciam a forma como ações pontuais podem desencadear efeitos em cadeia, inseridos em uma lógica mais ampla de disputa geopolítica. 

Nesse contexto, a atuação dos Estados Unidos se ancora tanto em instrumentos históricos, como o embargo, quanto em diretrizes estratégicas contemporâneas, como a NSS2025. A crise cubana, nesse sentido, não apenas reflete essa disputa, mas a materializa de forma concreta no cotidiano da população. Ao mesmo tempo, os desdobramentos recentes indicam que estratégias baseadas na pressão econômica e no isolamento encontram limites importantes. Longe de produzir efeitos lineares, essas ações tendem a gerar respostas complexas, que envolvem tanto o fortalecimento de alianças alternativas quanto dinâmicas internas de resistência. Cuba, portanto, não se configura apenas como alvo dessas políticas, mas como um espaço onde se evidenciam as contradições e os alcances do poder no sistema internacional contemporâneo. 

Assim, mais do que explicar uma crise específica, o caso cubano revela um padrão mais amplo: em uma conjuntura marcada pela intensificação da competição entre grandes potências, eventos locais passam a ser indissociáveis de disputas globais. Os apagões na ilha, nesse sentido, não dizem respeito apenas à falta de energia, mas à forma como o poder é exercido, contestado e limitado no mundo atual. 

* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!


Referência imagética: Bandeira de Cuba (Fonte: Wikimedia Commons)


  1. Pós-graduanda em Jornalismo Digital e Comunicação pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e graduada em Defesa e Gestão Estratégica Internacional no Instituto de Relações Internacionais e Defesa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IRID/UFRJ). É pesquisadora colaboradora no OPEU e faz parte da equipe do Instagram e LinkedIn. Tem expertise em Comércio Exterior. Contato: carolinaweberds@gmail.com. ↩︎

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