Da epidemia como metáfora da corrupção à corrupção da política contra a epidemia

Por Andrei Koerner e  Flávia Schilling
Muito além das metáforas, lidamos agora com uma pandemia real, que desvela como nunca os mundos desiguais e injustos que habitamos. Deixa a nu, como jamais antes, que o objetivo do grupo  alçado ao poder em 2016, o de “destruir tudo isso que está ai”, passou pela destruição e precarização do Sistema Único de Saúde (SUS), do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), do sistema de Ciência e Tecnologia (C&T). Ou seja, de todos os instrumentos potentes de políticas públicas de proteção, duramente construídos nos últimos trinta anos.

Estado narciso, nomes clandestinos: processos de contração democrática no governo Bolsonaro

Por Lara Martim Rodrigues Selis
“Isso tudo é maneira de dividir a sociedade. Não devemos ter classes especiais, por questão de cor de pele, por questão de opção sexual, por região, seja lá o que for. Nós somos todos iguais perante a lei. Somos um só povo”[2]. Nessa declaração, dada por Jair Bolsonaro em 2018, quando ainda era candidato à presidência, vemos ganhar corpo uma estratégia discursiva que, em menos de um ano, tornaria-se uma das tônicas de seu governo. Por meio dela, ataques sistemáticos são direcionados contra as posições de diferença, eliminadas sob justificativa de unidade. A falsa simetria justifica a transformação dos marcadores de diferença em ameaças sociais, então contrapostas a um nome único, a nação.

Os antepassados verde-amarelos de Bolsonaro

Por Por Bernardo Ricupero
Em 2016 fomos surpreendidos quando multidões vestidas de verde e amarelo ocuparam as ruas das cidades brasileiras para defenderem o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Bradavam palavras de ordem, como: “nossa bandeira jamais será vermelha”; “o gigante acordou”; “quero meu país de volta”.

De onde teria emergido essa massa que, de maneira aparentemente inédita, não tinha vergonha de defender teses de direita?

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