Reconstruindo alguns temas da teoria crítica para uma discussão sobre o fascismo

Por Vladimir Puzone. As discussões sobre o fascismo retornaram ao debate público a partir da crise de 2008 e da ascensão de governos de extrema-direita que observamos desde então. No Brasil, a eleição de Bolsonaro em 2018 alarmou muitos e chamou atenção para a possibilidade de processos fascistas em curso no país. Os seguidores do “mito” compartilhariam muitos dos traços com os movimentos e regimes da primeira metade do século XX: ideias conspiratórias, a busca pela aniquilação dos adversários políticos, sobretudo partidos e organizações de esquerda, e o culto à violê

Da possibilidade e da utilidade de uma história dos conceitos; e de sua aplicação ao termo “cético”

Por Mateus Matos Tormin. No texto Uma história dos conceitos: problemas teóricos e práticos, Reinhart Koselleck aborda seis pontos teóricos relativos à história dos conceitos. Interessa-me, mais especificamente, a tese que surge em meio à discussão do quarto ponto proposto por Koselleck: “a diacronia está contida na sincronia” (1992, p. 141). Essa tese surge como resposta a “críticas fulminantes”, feitas à seguinte afirmação de Koselleck: “todo conceito só pode enquanto tal ser pensado e falado/expressado uma única vez. O que significa dizer que sua formulação teórica/abstrata relaciona-se a uma situação concreta que é única” (1992, p. 138). Ora, o compromisso com essa tese não tornaria inviável a própria atividade da história dos conceitos?

Rezingas de baldado

Por Andrei Koerner. O presidente Jair Bolsonaro levou 45 horas para se manifestar sobre o resultado da eleição presidencial e, quando o fez, não reconheceu a derrota, enaltecendo, pelo contrário, os manifestantes que já bloqueavam as rodovias e se manifestavam em frente a quartéis e outros locais públicos contestando o resultado da eleição e reivindicando uma intervenção militar. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proclamara os resultados poucas horas depois do fechamento das urnas e a correção do pleito fora reconhecida por autoridades políticas nacionais e estrangeiras, dirigentes partidários e outros atores políticos e sociais.

O lulismo e a reabilitação do populismo

Por Marco Antonio Perruso. Nos últimos anos, no Brasil e no mundo, parece haver uma intensificação do debate em torno do populismo – o fenômeno e o conceito. Não se trata apenas da crítica ao populismo “iliberal” de direita que ascendeu, em maior ou menor grau, nos Estados Unidos, Brasil, Polônia, Hungria. Até porque verifica-se um recrudescimento autoritário genérico dentro das fronteiras, por vezes estreitas, da democracia burguesa em termos institucionais – vide os casos da Inglaterra e de Israel.

Os feminismos e as mulheres nas eleições de 2022

Por Beatriz Rodrigues Sanchez. A centralidade da questão de gênero nas eleições deste ano mostra o que nós, pesquisadoras feministas, temos apontado há tempos: o feminismo não é somente uma luta cultural, cortina de fumaça ou pauta identitária. O feminismo está no centro da disputa sobre os sentidos da democracia.

O gigante acordou: as manifestações de junho de 2013 e a oposição industrial ao governo Dilma

Por Nicole Herscovici. Dilma Rousseff assumiu a cadeira presidencial em um momento em que as crises econômica e política chegavam à superfície ao redor do mundo. No ano de 2011, a zona do Euro foi fortemente atingida pela crise originada em 2008 nos EUA; paralelamente, eclodia a Primavera Árabe, uma série de manifestações de rua derrubaram governos autoritários como na Tunísia e Egito. Em terras tupiniquins, contudo, se experimentava estabilidade política e econômica. A presidenta gozava de alta aprovação popular e avançava com uma política econômica heterodoxa, que apostava na reindustrialização como forma de combater a tendência de desaceleramento econômico e fomentar o desenvolvimento do país. As brisas favoráveis duraram pouco.

O que revelam os discursos de senadores na votação da PEC da Polícia Penal

Por Camila C. N. Dias e Vanessa R. da Silva. Nesse sentido, a criação da polícia penal, abordada em recente artigo de nossa autoria na Revista Lua Nova, por meio de um recorte específico, qual seja, os argumentos de senadores em sessão de votação no Congresso, propicia (re)situar os novos contornos da reconfiguração do lugar da prisão no Brasil, atualizando, assim, a reflexão teórica e empírica desse campo do conhecimento e, ainda, possibilitando expandir as atuais discussões que perpassam os estudos sobre as polícias, a militarização e as demais formas de controle do crime e da punição no Brasil.

O viés social da política externa do Lula

Por Deborah M. S. Lopes. Essa breve análise sobre a assistência humanitária durante o governo Lula é fruto da síntese de um artigo meu publicado na Revista Hoplos. A motivação para escrever e pensar sobre a questão da assistência humanitária nasceu da necessidade de voltar a pensar essa estratégia como uma política externa efetiva, assim como retomar o interesse em pautas como a soberania alimentar e a aliança dos povos latinos que foram bastante enfatizadas durante o governo Lula.

O uso do twitter na denúncia da Chacina do Jacarezinho

Por Gabriel Delphino. A popularização do uso das redes sociais tem sinalizado novas formas de indivíduos e grupos se relacionarem entre si, fornecendo aos pesquisadores caminhos possíveis de investigação dessas realidades digitais. Um desses exemplos, e que foi abordado neste recente artigo, de minha autoria, é a utilização dessas redes por movimentos sociais e ativistas políticos.