Ronaldo Tadeu de Souza1
1 de junho de 2026
O percurso da filosofia e/ou da teoria política enquanto área de pesquisa acadêmica e modalidade particular de conhecimento da vida civil e pública passou por momentos de prestígio, dignidade e louvação; e por momentos de crise, desqualificações e desprezo ao longo do século XX. Essas ocasiões foram mais enfáticas nos países de língua inglesa: Estados Unidos, Inglaterra e Canadá. Pode-se dizer que a história da teoria política no século passado é a do constante e ininterrupto processo de reconstrução e desafios intelectuais postos por aqueles que duvidavam da serventia de tal modo de conhecimento. Neste aspecto, algumas figuras e circunstâncias haviam sido importantes na construção do espaço, ou sua negação, da teoria política como maneira de exame e reflexão acerca da ordem pública e civil nas sociedades humanas. Quais sejam? A consolidação da disciplina de ciência política nos Estados Unidos, a intervenção no debate dos influentes David Easton e Alfred Cobban e a publicação da série Philosophy, politics and society, organizada e editada por Peter Laslett são demonstrações do que afirmamos.
A disciplina de ciência política, oficialmente, foi criada em 1903 quando ocorreu o primeiro encontro da Associação Americana de Ciência Política (Somit e Tanenhaus, 1982, p. 23). Seus principais expoentes neste início foram John W. Burgess, Charles Merriam, Francis Lieber, Theodore Woolsey, William Yandell, George E. C. Catlin e Willian Dunning. Desde então a ciência política vem construindo no âmbito das ciências sociais características eminentemente próprias e singulares. Uma delas é o que Sheldon Wolin (1969) nomeou de “metodismo” – a incessante necessidade na disciplina em abordar a política através de instrumentos metodológicos assentados em dados estatísticos, aferição acurada de pesquisas empíricas e o foco único e específico nas instituições (estatais) e de como os agentes aí se comportam.
Nos anos 1950 este modo específico de estudo da política chega a seu apogeu nos Estados Unidos. Nestes anos, a formação profissional, os contornos epistemológicos e o caráter técnico do estudo da ciência política chegaram à autoconsciência daqueles que a praticavam (Katznelson e Milner, 2002, p. 4). A expressão destas circunstâncias disciplinares, dentre inúmeras outras, foi o behaviorismo. De modo que enquanto a teoria política (com sua ênfase na história das ideais, presente na obra dos clássicos) marcava sua trajetória por se preocupar com os aspectos valorativos, parciais e normativos; a ciência política behaviorista afirmava a necessidade de fortalecer o eixo metodológico da investigação, o elemento empírico irrefutável, o pluralismo liberal dos grupos sociais e o comportamento dos agentes no contexto das instituições (Dryzek, 2006, p. 489).
Neste cenário, David Easton publicou seu influente The political system. Ao lado de Alfred Cobban ele impulsionou, decisivamente, a redefinição e consolidação da ciência política em solo americano. Cobban, em 1953, sustentava que a filosofia (e/ou a teoria) política passava por um processo lamentável e irresistível de decadência (Germino, 1963, p. 437). As origens de tal fato, na observação de Cobban, tinham de ser averiguadas a partir de dois problemas: o primeiro era que a teoria política estava fortemente orientada por questões éticas, de maneira que as questões reais e concretamente existentes da política perdiam sua importância; o segundo, era a forma epistemológica da filosofia política tradicional, pois ela estava orientada para a metateoria, ou a teorização da própria teoria (Ibidem, p. 438). Voltando a Easton, pode-se dizer, que ele é o artífice, a figura proeminente de renovação (behaviorista) na ciência política. Como um dos principais estudiosos da política nos Estados Unidos ele se preocupava com o caráter não-científico da ciência política até então praticada nas universidades e centros de pesquisa. A retórica do projeto de renovação eastoniano, portanto, lançava severas advertências a uma ciência política que não baseava suas investigações na utilização sistemática de dados empíricos, na leitura precisa das estatísticas disponíveis, na avaliação do comportamento dos atores e na observação acurada do sistema político. Assim, mais do que delinear os aspectos epistemológicos, cognitivos e vocacionais, a ciência política, que já neste momento passava por forte consolidação, com Alfred Cobban e David Easton ela ganhava duas entusiasmadas personalidades acadêmicas na disputa, e, severa oposição contra a filosofia política.
Em meio a este cenário surgiu na Inglaterra, coordenado por Peter Laslett, a coleção Philosophy, politics and society. Em linhas gerais, o plano da publicação buscava reunir um conjunto de textos de teóricos e historiadores do pensamento político refletindo sobre conceitos, autores clássicos e problemas morais, cívicos e organizacionais da comunidade política. Entretanto, subjacente a estas questões o intuito de Laslett era chamar a atenção para o fato de que a tradição à qual o projeto queria dar voz “tinha sido rompida” (1967, p. vii) face aos avanços da sociologia política, e da ciência política que descrevemos há pouco: com efeito, para ele, naquele “momento [anos 1950 e 1960], seja como for, a filosofia política esta[va] morta” (Ibidem).
Não estaríamos cometendo nenhum exagero se afirmássemos que a construção das obras de Leo Strauss e Quentin Skinner respondem a este estado de coisas (Palonen, 2003, p. 12; Major, 2005, pp. 478 e 479). No horizonte do filósofo político judeu-alemão de Chicago e do historiador do pensamento político de Cambridge estava a urgência de reconstruir uma área na qual, a experiência reflexiva acerca da ordem cívica e moral com vistas à boa vida e à excelência humana no interior da comunidade tinha sido seu núcleo substantivo e epistemológico. A teoria política necessitava readquirir seu espaço enquanto disciplina acadêmica, não só como campo específico do conhecimento (nas ciências sociais); pois se as sociedades humanas, a civilização ocidental, desejassem compreender o significado da crise existencial que atravessavam no âmbito da 2ª Guerra Mundial e suas consequências após seu término, teria de pensar o pensamento daqueles autores (e atores) que dedicaram suas obras, escritos e intervenções a esta atividade humana primordial – que é a política.
Ora, a questão para Strauss e Skinner residia no modo pelo qual eles enfrentariam a “disciplina de ciência política nos EUA” (Major, 2005, p. 478). Havia, portanto, entre o textualista hermenêutico e o contextualista linguístico, e, posteriormente, os straussianos e a Escola de Cambridge, respectivamente, concordância a respeito do andamento teórico e metodológico da matéria de estudo que teria de ser empreendido. É certo a presença de uma batalha de métodos, na medida em que Leo Strauss-straussianos e Quentin Skinner-skinnerianos situaram-se de maneira divergente a respeito de quais os procedimentos, estilos de leitura, mais consentâneos no entendimento e compreensão dos grandes autores clássicos do pensamento político. Os primeiros sustentavam o desvelamento hermenêutico-esotérico das intenções que guardavam nas entrelinhas os pensadores canônicos; os segundos afirmavam que mais do que estava circunscrito à textualidade em-si, a apreensão de teóricos como Hobbes e Montesquieu, Maquiavel e Rousseau, tinha de empreender a reconstituição do contexto (histórico) de linguagem (e daqueles que a mobilizavam) ao qual aqueles se inseriam no momento mesmo em que estavam escrevendo suas obras. Era, por assim dizer, uma Methodenstreit contemporânea2.
Contudo, e malgrado as diferenças de estilo e tratamento do pensamento e/ou filosofia política de Strauss e Skinner por um lado, e os equívocos de entendimento praticados por straussianos e skinnerianos sobre a extrapolação radical da diferença de método dos mestres, por outro, que havia (e há) semelhança na modalidade interpretativa, uma certa afinidade eletiva de interesses, dos dois teóricos da política (Ibidem). Alguns pesquisadores neste aspecto, mais do que enfatizar as divergências nas maneiras de ler textos clássicos do pensamento político de Leo Strauss e Quentin Skinner: entendem que é possível estabelecer um diálogo (de ausentes…) entre eles, bem como lançar padrões de cooperação nos métodos de leitura. Dessa forma, ainda que o argumento deste artigo não seja conformado a partir destas observações, sem dúvida compartilhamos certos delineamentos propostos pelos que têm aquele entendimento. Vejamos mais detidamente o debate dos que consideram as similaridades (e por vezes as distinções) de método e leitura de texto-contexto de Strauss e Skinner.
O cerne das considerações de Rafael Major, Ian Ward e Cervera-Marzal é a conformação de um diálogo (metodológico) inesperado entre o textualismo hermenêutico de Leo Strauss e o contextualismo linguístico de Quentin Skinner. Pois mesmo analisando as diferenças relevantes na modalidade de leitura de um e outro, os referidos pesquisadores propõem certas articulações entre a Escola de Cambridge e a Escola de Chicago3, pelo que sugerem formulações – que podem ser significativamente mais imaginativas na interpretação do pensamento canônico de Platão a Marx. Assim, para Major, o aspecto distintivo no estilo de leitura de Strauss e Skinner surge na concordância que eles têm na crítica (oculta) que fazem daqueles “historiadores intelectuais que não vem importância na compreensão filosófica para se chegar a um entendimento acurado” (2005, p. 481) dos grandes textos políticos. Se esta advertência de Major é para os historiadores intelectuais e teóricos políticos em geral; ela procura corrigir, mais especificamente, os equívocos de skinnerianos que observam, exclusivamente, a construção do “contexto econômico, político ou social dentro do qual um livro [foi e] é publicado” (Ibidem) e de straussianos que dispõem suas investigações, unicamente, a partir de “evidências internas baseadas no texto somente” (Ibidem). É que nenhum modo de leitura de textos que formam a história da filosofia política pode ser feito abdicando-se de uma estrutura filosófica particular. E Leo Strauss e Quentin Skinner possuíam essa percepção assentada, respectivamente, em sua hermenêutica e historicismo. A concordância, por assim dizer, da configuração originária no estudo do pensamento político, que Major encontra nas modalidades investigativas de Strauss e Skinner ainda que importantes para a articulação sugestiva entre eles, não é o ponto fundamental de suas considerações.
Pouco desenvolvida no trabalho, mas de relevância para os estudiosos dos métodos de leitura de texto, encontramos a noção de autocompreensão autêntica e rigorosa presente nos dois restauradores da teoria política no século XX. Com efeito, as postulações no estilo metodológico de se ler escritos clássicos de Leo Strauss e Quentin Skinner pretendem ambas a “compreensão histórica” (Major, 2005, p. 485), de sorte a que a vida e a prática política da comunidade sejam refletidas na sua temporalidade teórica e contingente (Ibidem). Por outras palavras; se “Strauss apelará para Platão [hermenêutica e atemporalmente] e Skinner para Marx [contextualmente], ambos consentem que toda sociedade – mesmo [e inclusive] as nossas apresentam limites […] [e] arranjos contingentes” (Ibidem) a partir de suas respectivas experiências históricas. E os teóricos políticos clássicos, e os que escrevem sobre sua sociedade atual, forjam suas obras, nestas circunstâncias existenciais.
Ora, como proeminentes teóricos e intérpretes do pensamento político Strauss e Skinner exerceram “significativa influência […] sobre o estudo da histórica das ideias […] na América do Norte” (Ward, 2009, p. 237): não há dúvida, portanto, do papel que desempenharam na retomada da teoria política no momento de sua crise. Após essa asserção, Ian Ward lê as interpretações textualistas e contextualistas em chave distinta das considerações de Rafael Major. Sem antes dizer que “ambos [Strauss e Skinner] enfatizam [certas] fidelidades à intenção na produção da obra como aspecto peculiar em seus esforços interpretativos” (grifo meu) (Ibidem, p. 238). Para o filósofo de Chicago e o historiador das ideias de Cambridge, teóricos políticos de Platão a Marx, escrevem por adrede. Entretanto, para Ward a concordância entre Strauss e Skinner não avança além deste ponto. É que o critério de investigação dos princípios constitutivos acerca da intenção do autor (clássico ou não) ao escrever um texto são dessemelhantes (Ibidem) para um e outro. Assim, e mais precisamente, a discórdia metodológica entre os dois teóricos tem no modo pelo qual ambos leem e compreendem o “discurso oblíquo” (Ibidem) do autor ao produzir um texto seu aspecto mais antagônico.
Se Quentin Skinner postula que aquele (o discurso oblíquo) resulta das circunstâncias linguísticas pelas quais um dado pensador está inserido, de modo a usar as palavras como atos e ações (pragmáticas) conformando significados específicos e incomuns a certos termos consagrados tanto no ambiente político e social em que vive e atua como na história do pensamento político clássico, Leo Strauss comenta que a obliquidade repercute as perseguições sociais, de sorte a fazer que estas reverberem decisivamente não na intenção (público-contextual) do autor, mas na própria estrutura interna do texto enquanto tal. Aqui, no caso de Strauss, o que adquire feição é a “teoria da escrita que corresponde a [uma] teoria da leitura” (Ward, 2009, p. 239).
Nos termos do próprio filósofo de Chicago: a arte de escrever e a arte (perspicaz) de ler nas entrelinhas o que foi escrito. O comentário de Ward observa com precisão este ponto da maneira de leitura straussiana – em comparação àquele da Escola de Cambridge. Com efeito, os autores de textos clássicos da teoria política ao escrever, o fazem tendo o propósito de evitar a perseguição da sociedade na qual vivem. Produzindo literatura política e retoricamente subversiva para os padrões convencionais da comunidade, os escritores canônicos se valem de técnicas peculiares de ocultamento da real substância do seu pensamento e mensagem. Ou seja, o escritor inteligente, para evitar o censor (e até mesmo a morte em algumas ocasiões) que representa “o aparato opressivo da comunidade” (Ibidem), é obrigado a se valer da arte cuidadosa, oblíqua, de escrever. E o que chama a atenção nos textualistas hermenêuticos, é a construção mesma de técnicas de estudo e pesquisa para ler tais escritores inteligentes. Ward vê com razão que Leo Strauss não objetivou apenas desenvolver um método de leitura de obras clássicas – ele vislumbrou, desde sua saída da Alemanha nos anos 1930, a “educação de jovens estudantes” (Ibidem) de teoria política. Que ao lerem cuidadosamente nas entrelinhas (Ibidem, p. 241) estariam conquistando a educação liberal: um requisito imprescindível para resguardar as democracias liberais ocidentais (a americana em particular) das crises da era moderna.
Os objetivos de Quentin Skinner eram diferentes em termos do modo de ler os textos clássicos do pensamento político. Para ele não bastava apenas investigar as intenções ocultas dos autores; era necessário distinguir no estudo “a motivação de um autor ao empreender a ação” (Ibidem) de escrever o que ele escreveu – e da maneira que ele escreveu. O problema, então, residia em articular a investigação da estrutura vocabular do texto com as convenções linguísticas e sociais no momento mesmo no qual dado autor conformou seu pensamento. Pode-se dizer que mais do que procurarmos reconhecer as intenções do argumento de um autor, o que se propõe da perspectiva da Escola de Cambridge é que para “compreender [o] ato de comunicação [de um texto], nós devemos, portanto, familiarizar a nós mesmos com as convenções que formavam a experiência contra qual” (Ibidem) o texto se projetava. Ian Ward considerou bem o significado do modo contextualista de ser ler textos: “para Skinner”, diz ele, “a atividade de autoria […] que caracteriza a história do pensamento é a atividade prática, que consiste em uma série de ações linguísticas” (Ibidem, p. 243).
O que na asserção técnica de Quentin Skinner quer dizer fazer coisas com palavras. Evidenciam-se com isto as restrições interpretativas dos skinnerianos ao tratar a teoria política como uma sucessão de problemas perenes, ou como se cada autor ao forjar a retórica interna de seus textos estivesse a produzir sistemas coerentes de pensamento – procurando responder às questões não resolvidas plenamente (ou resolvidas equivocadamente) por outros autores clássicos do passado. É patente, desse modo, a incompatibilidade averiguada por Ward (p. 246) entre as abordagens de estudo dos textos clássicos da Escola de Cambridge e dos straussianos. Todavia, se Ward ao contrário de Major entende que não haja arranjos investigativos convergentes nas modalidades de interpretação de Leo Strauss e Quentin Skinner, o comentário de pesquisador francês Manuel Cervera-Marzal da Universidade Paris-Diderot especula a possibilidade de cooperação dos métodos de leitura dos dois teóricos.
Não se trata para Cervera-Marzal de opor de forma excludente as técnicas de leitura que propõem Leo Strauss e Quentin Skinner; nem mesmo de condescender acerca de certas similaridades de método propostas por um e outro. A sugestão do pesquisador francês é por uma colaboração metodológica – de tal modo que o texto examinado possa melhor expressar seus vários significados. Ora, com esse intuito Cervera-Marzal começa por afirmar que para efetuar a colaboração dos “métodos de interpretação de textos de Strauss e Skinner” (2012, p. 12) é, primordialmente, necessário: “romper com a ideia […] que considera suas abordagens como rivais e antitéticas” (Ibidem). Assim, o que possibilita a articulação dos métodos de estudo dos textos clássicos do pensamento político e outros textos é a concordância entre o inglês e o alemão em demonstrar “fidelidade à intenção do autor” (Ibidem, p. 20). É como se para os straussianos e a Escola de Cambridge o mais importante na compreensão dos escritos de grandes pensadores fosse investigar o propósito político que orientou suas intervenções linguísticas na época. Se para Leo Strauss a técnica de leitura deve privilegiar a estratégia esotérica, a hermenêutica para os iniciados, do filósofo político e para Quentin Skinner o decisivo é a procura pela retórica oblíqua empregada no contexto de fala e ação, a questão para os dois é a interpretação dos textos políticos circundados por experiências sociais, culturais, morais, religiosas e de linguagem – e como esta constelação repercute no estilo de exposição e argumento dos textos mesmos.
Com o objetivo de demonstrar o efeito sugestivo na utilização cooperada dos métodos de leitura de textos textualistas e dos contextualistas, Cervera-Marzal lê o sentido da Carta da Prisão de Birmingham de Martin Luther King. Assim, na articulação de métodos proposto pelo pesquisador é possível ter um entendimento mais abrangente e denso do escrito do líder negro norte-americano: verifica-se que Luther King pretendia, com a arte de escrever entre as linhas e com a intenção de agir no contexto, afirmar a pertinência dos atos em favor dos direitos civis (reivindicada pelos negros americanos) e sua conformidade essencial à Constituição dos Estados Unidos (e à sociedade estadunidense) (p. 25). Nos termos de Cervera-Marzal, a Carta de Birmingham significava nas entrelinhas “[um] ato de desobediência [civil]” (Ibidem) e se transfigurava, ao mesmo tempo, diante do contexto linguístico de então em ato “constitucional e legal” (Ibidem). Na segunda parte deste ensaio comento os escritos propriamente metodológicos de Leo Strauss e Quentin Skinner: em especial, Persecution and the art of writing e Meaning and understanding in the history of ideas, History and theory, motives, intentions and the interpretation of texts e Some problems in the analysis of political thought and action, respectivamente.
* Este texto não reflete necessariamente as opiniões do Boletim Lua Nova ou do CEDEC. Gosta do nosso trabalho? Apoie o Boletim Lua Nova!4
Bibliografia
CERVERA-MARZAL, Manuel. Pour une Conception Coopérative des Méthodes de Lecture de Leo Strauss et Quentin Skinner. Klesis – Revue Philosophique, nº 2, 2012, pp. 11-28.
DRYZEK, John. Revolutions Without Enemies: Key Transformations in Political Science. The American Political Science Review, vol.100, nº 4, pp. 487-492, 2006.
GERMINO, Dante. The Revival of Political Theory. The Journal of Politics, vol. 25, nº 3, pp. 437-460, 1963.
KATZNELSON, Ira; MILNER, Helen V. Political Science: The State of the Discipline. New York/London. W.W. Norton & Company, 2002.
LASLETT, Peter. Philosophy, Politics and Society. (vol. 1). Oxford. Basil Blackwell, 1967.
MAJOR, Rafael. The Cambridge School and Leo Strauss: Texts and Context of American Political Science. Political Research Quarterly, vol. 58, nº 3, pp. 477-485, 2005.
SWEDBERG, Richard. Schumpeter: a biography. New Jersey. Princeton University Press, 1991.
SOMIT, Albert; TANENHAUS, Joseph. The Development of American Political Science: From Burgess to Behavioralism. New York. Irvington Publishers, 1982.
WARD, Ian. Helping the Dead Speak: Leo Strauss, Quentin Skinner and the Arts of Interpretation in Political Thought. Polity, vol. 41, nº 2, pp. 235-255, 2009WOLIN, Sheldon. Political Theory as Vocation. The American Political Science Review, vol. 63, nº 4, pp. 1062-1082, 1969
- Ronaldo Tadeu de Souza é professor no Departamento de Ciência Política do IFCS-UFRJ, pesquisador no Centro de Estudos em Cultura Contemporânea e no GPDET-UFRJ/CNPq e coordenador do LIEPPC-DCP/UFRJ (Laboratório Interdisciplinar de Estudos em Política e Pensamento Crítico). ↩︎
- A expressão alemã Methodenstreit refere-se à disputa entre economistas e sociólogos acerca de quais as condutas analíticas mais congruentes no estudo científico da economia e da evolução econômica. Carl Menger defendeu o método abstrato puro enquanto que Gustav Schmoller prescrevia a observação rigorosa da história e da jurisprudência como condições objetivas para a análise econômica. Nomes importantes da teoria econômica e social participaram da querela dos métodos, entre eles estavam Böhm-Bawerk, Léo Walras, Max Weber e Joseph Schumpeter. “After all, Carl Menger had been at University of Vienna and he was Gustav Schmoller’s main adversary in the Methodenstreit debate” (Swedberg, 1991, pp. 22-23). Ver também as páginas 2, 3, 13 e 44. ↩︎
- Efetivamente, Leo Strauss não construiu uma Escola de pensamento com aspectos distintos, relativa consciência nos modos de inserção e disputa acadêmica. Era da própria modalidade de meditar sobre teoria política dele o não estabelecer a institucionalização pública de suas concepções. Isto não significa que o autor de Direito natural e história não tenha inspirado muito dos que assistiram seus cursos e seminários no Departamento de Ciência Política da Universidade de Chicago, bem como de que ele e seus alunos não tinham o discernimento que estavam enfrentando a ciência política assentada nos métodos empíricos, estatísticos, descritiva e institucionalista, a ciência política predominante ontem (e hoje). Strauss costumava dizer que enquanto Roma pega fogo… os institucionalistas estavam preocupados com os métodos. ↩︎
- Referência Imagética: Retrato do filósofo político Leo Strauss, tirada em Nova Iorque, 1939. ↩︎



